sexta-feira, 30 de abril de 2010
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Every last man in Shawshank felt free...
Vocação para andar na RUA
Foi no Domingo passado, concluiu-se mais uma semana de oração pelas vocações.
É um tema que me toca sempre. Desde pequeno é reflexão que faço, quase todos os dias. O que quero da vida? O que quer Deus que eu faça da vida? Vou caminhando conforme sinto que Deus sopra.
Se olhar mais para longe, não para a minha vocação ou a deste ou daquele sinto outras preocupações.
Foi no Domingo passado, dizia eu, o sacerdote dizia na sua comunicação semanal mais importante, a homilia, que Jesus Cristo não era de se trazer por casa, dentro de portas, nem sequer no templo, muito menos durante uma hora por semana.
Mas de facto, por vezes somos assim cristãos envergonhados, ou talvez nem seja isso, somos des-incomodados.
Ser cristão incomoda. Dá trabalho. Obriga-nos à coerência do quotidiano, à bondade, à protecção dos que mais necessitam, obriga-nos ao sentido de justiça, aquela justiça que não é a do nosso olhar, a da nossa perspectiva, mas a da comunidade, do movimento, paroquia, partido politico, associação, local de trabalho, família.
Não é fácil não atirar pedras aos pecadores. Não é fácil reagir sem atirar pedras quando elas nos são arremessadas a nós.
Ser cristão incomoda. Dá trabalho. No dia em que também se celebrou a Liberdade (25 de Abril) perceber que a Liberdade não abunda na casa do mais pobre e cada vez são mais os que sofrem privações do nosso sistema económico.
Que cada vez mais se pode falar menos. Nunca tantas opiniões foram dadas, mas nunca tão pouco se ouviu. Nunca tanta liberdade houve, mas nunca como agora quase não se pode falar contra a corrente nos locais de trabalho, nos partidos políticos, nas escolas, nos grupos...
Temos de confiar na nossa vocação, àquilo a que somos chamados: ser no mundo significância, sem nos perdermos no caminho a que as pedras grandes obrigam o rio a contornar.
Temos de ser sinal, humano e com limitações é certo, de coragem e rectidão, com a consciência de que estes sem honradez pouco valem.
Temos de ser voz e exemplo, de ser Igreja que acolhe o homem e a mulher por igual, que grita pelos excluídos e que não exclui ninguém, muito menos quem mais necessita do Pão, que denuncia a injustiça e pratica o equilíbrio.
É por este caminho que a Igreja será sempre farol, de outro modo, ficaremos a falar sozinhos e sempre à procura da vocação de sacristia, porque lá fora dir-se-á mal da Igreja e dos Cristãos, seja isso com conhecimento de causa ou a mais pura e laicista ignorância.
Só que, a nossa vocação é mesmo andar na Rua, ser a exemplo do Mestre, a voz doce que incomoda e desinstala, e no fim de contas... marca o ritmo.
In :: jornal 'CORREIO DO VOUGA'
domingo, 25 de abril de 2010
25 de Abril... dia da Liberdade... mas também da Justiça!*
* ou pelo menos devia ser.
Na madrugada de 25 de Abril de 1974, um jovem capitão de 29 anos reuniu os seus homens da Escola Prática de Cavalaria de Santarém. Falou-lhes do estado a que Portugal chegara e terminou dizendo: «quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!».
Vieram todos, sem excepção, mesmo sabendo que corriam riscos, incluindo o risco de não regressar com vida. Ao fim de algumas horas, caía um regime cansado de guerra. É por isso que aqui estamos hoje.
Foram eles os filhos da madrugada. Não caminharam para Lisboa em busca de cargos ou de lugares. Não vieram à procura de um lugar na História – e é justamente por isso que o merecem.
Como o retratou Sophia de Mello Breyner, Salgueiro Maia foi «aquele que deu tudo e não pediu a paga». Um exemplo notável para muitos Portugueses dos nossos dias, que tantas vezes cedem às seduções vazias e efémeras da sociedade de consumo e outras tantas vezes medem o valor dos homens pelo dinheiro ou pelos bens que ostentam.
Aqueles que saíram de Santarém, de Mafra, de Tancos, de Santa Margarida, de Estremoz ou de Vendas Novas rumaram a Lisboa porque não se conformaram com o País em que viviam. Vieram todos, porque todos queriam mudar. Queriam um país livre.
(...)
Aqueles que sempre viveram em liberdade desconhecem o seu preço. Em larga medida, só nos apercebemos do valor das coisas quando nos vemos privados delas. A melhor lição de liberdade é a experiência da não liberdade. [NÃO CONCORDO COM ESTA PARTE.. não é matemática a ideia da afirmação]
(...)
O 25 de Abril foi feito em nome da liberdade, mas também em nome de uma sociedade mais justa e solidária. Será aí, porventura, que o balanço destas três décadas de democracia se revela menos conseguido.
A sociedade portuguesa é hoje mais justa do que aquela que existia há 36 anos. No entanto, persistem desigualdades sociais e, sobretudo, situações de pobreza e de exclusão que são indignas da memória dos que fizeram a revolução de Abril.
A sensação de injustiça é tanto maior quanto, ao lado de situações de privação e de grandes dificuldades, deparamos quase todos os dias com casos de riqueza imerecida que nos chocam.
(...)
As injustiças sociais e a falta de ética são dois factores que, quando combinados, têm efeitos extremamente corrosivos para a confiança nas instituições e para o futuro do País.
A injustiça social cria sentimentos de revolta, sobretudo quando lhe está associada a ideia de que não há justiça igual para todos.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Entre o Céu e o Inferno - VAGOS FM
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Entre o Céu e o Inferno - VAGOS FM
domingo, 11 de abril de 2010
sábado, 3 de abril de 2010
Moedas de Prata...
"Trinta são as moedas de prata que os chefes e os anciãos oferecem a Judas para entrar no processo urdido para eliminar fisicamente Jesus de Nazaré. A oferta é aceite e, de agora em diante, Judas Iscariotes funciona como um infiltrado discreto, mas eficaz. Rapidamente é localizado o sítio onde Jesus se refugia com os seus amigos mais próximos e onde a guarda do templo o prende para o levar à presença de Anás. Outros passos são dados, outras deslealdades são praticadas, outras acusações falsas são apresentadas. “É mais conveniente que morra um homem pela nação do que pereça todo o povo” – sentencia Caifás na fase mais crítica da decisão.
Trinta moedas de prata era o preço de um escravo. Este preço mostra o valor atribuído a Jesus e o apreço pelo gesto de Judas que tanto facilitava o triunfo dos adversários. O êxito do suborno fragiliza a resistência do grupo que acompanha Jesus e se dispersa. E fica a ser um símbolo de tantas outras situações que a história regista.
O recurso a benesses dadas a pessoas que interferem em operações deste tipo está na ordem do dia: Corrupção, eliminação física de inimigos, tráfico de influências, empresas-fantasma, roubos disfarçados de desvios, falcatruas, subornos, dilação no andamento de processos de justiça, deslocação de serviços administrativos, e um longo etc. A ponta do iceberg aparece, de vez em quando, nos meios de comunicação.
E a lista dos inocentes vitimados é incontável. Sirva de ilustração os aforradores e investidores caídos na burla inqualificável provocada pela engenharia assombrosa de Madoff, felizmente a contas com a justiça americana. Ou então a desfaçatez de muitos responsáveis políticos que se preocupam mais em restabelecer o sistema económico e financeiro do que em verificar as condições de vida de milhões de enganados e roubados. Ou ainda a desproporção do crescimento dos muito ricos e a multidão daqueles que são cada vez mais pobres. A situação em Portugal é eloquente e, potencialmente, explosiva.
As moedas de prata são preço de sangue. E, segundo os chefes do Templo e os anciãos, apenas servem para comprar um cemitério a fim de sepultar os estrangeiros. O que era “Campo do Oleiro”, transforma-se em “Campo de Sangue”. O que era memória de trabalhadores dignos e honestos, é agora recordação amarga de tantas vítimas foragidas que nem direito têm a um espaço respeitado para os seus restos mortais.
A actualidade desta ocorrência é facilmente verificável: migrantes a quem é negada a documentação legal, desempregados de longa duração, trabalhadores em situação precária, crianças “descartadas” e desaparecidas, toxicodependentes menosprezados e muitos outros.
Em todos estes rostos humanos se reflecte a face do Inocente condenado. Jesus de Nazaré põe a claro onde está a razão da verdade que credencia a nossa comum dignidade. A mentira e a fraude não compensam. O sangue das vítimas clama por justiça. O tempo da martírio da cruz – que é de morte horrível - cede o lugar à aurora da ressurreição na manhã de Páscoa.
As trinta moedas de prata – memória das vítimas e acusação perene dos vendilhões – constituem para sempre a referência à paixão de Jesus de Nazaré e ao seu projecto de sociedade nova."
Georgino Rocha
