sábado, 29 de agosto de 2009

Reconstruir casas e Pessoas. Pessoas diferentes mas um Povo.

Era uma vez uma península bastante grande.
Ficava num enclave de Mar e montanhas, de pessoas e culturas. Encontrava-se ali o Oriente e o Ocidente. Uma região com vários nomes ao longo da História, nome que derivam não do que a Terra era, mas do que os Homens queriam que fosse... ou melhor.. de quem fosse.
Houve uns tempos em que se chamava Jugoslávia. Os "Eslavos do Sul". Tornou-se nisso como grito de liberdade. Mas depois de algum tempo, os freedom fighters quiseram impôr-se à vontade pela qual tinham lutado.
Os povos e os países... temos uma ideia de que é tudo tão estável. Mas estamos em permanente mudança e tensão. Depressa nos desunimos, lentamente nos unimos. Se conseguíssemos fazer ao contrario seria tão mais proveitoso.
Nos anos 90 os Balcans dividem-se segundo identidades culturais. Alguns falaram em ódios de religiões. E, quando vem a desculpa das Religiões fico sempre desconfiado porque Religião significa "Re-ligar". Só se religa aquilo que se Ama. Amor não tem que ver com ódios.
Mataram e mataram-se. Cercaram-se cidades. Sarajevo esteve rodeada durante quatro longos anos. Hoje ainda está de pé o túnel que como um cordão umbilical, alimentava a cidade. Chamam-lhe o "Túnel da Vida".
Hoje Sarajevo ainda tem feridas, muitas, mas lentamente vão sarar. As culturas já vivem entre si, por vezes como que dizendo baixinho que é possível toda a gente viver junto, sem que aquilo que nos difere nos separa, ao invés, nos enriqueça.
A Bósnia foi isso. A redenção sempre possível, mesmo depois de irmos tão fundo com 'massacres',´'limpezas étnicas' e outras horribilidades.
A Redenção que leva à comunhão e por sua vez à Graça do Futuro.
Chegou o tempo das árvores de Natal à Miss Sarajevo!
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Tapam-se os buracos das balas...



Substituem-se as janelas e os vidros...


Suporta-se o sofrido, constrói-se novo...



Lado a lado, para que a memória não se esqueça.





Uma mesquita e uma igreja, lado a lado. Dizem-se bom dia todos os dias.




Bem perto do local de um dos grandes massacres de Sarajevo, um sítio de Paz: a mais antiga igreja Ortodoxa de Sarajevo. Com a torre marcada por coisas inexplicáveis, hoje o sino toca o silêncio interrompido, lembrando a serenidade da oração.






Ao lado, virado a Meca, a mesma serenidade, o mesmo Deus, um nome diferente.


Na estrada para a festa da aldeia, depois do almoço à beira-rio.



De volta a Sarajevo, o futuro tem asas e esperança para voar.



Perdoar, sem esquecer o que faz a guerra, para não voltar a ela.

A História dos Balcãs, conhece neste milénio os primeiros tempos de paz, relativamente sólida, desde o séc. XIX.

Ao lado desta ponte em Sarajevo, começou a I Guerra Mundial, com o assassinato do arquiduque Francisco Fernando, da Áustria, por um sérvio. Perfilaram-se neste conflito o que daria 20 anos mais tarde na II Guerra Mundial.
Mas hoje... a paz.
O cerco de Sarajevo, de 1992 a 1995. Junto ao estádio, o "túnel da vida", o único sítio por onde Sarajevo respirava nesses anos. Os censos de 91 indicavam cerca de 800 000 habitantes. Hoje serão 300 000.
Que todos vejam e saibam o inumano que a opção guerra é e a monstruosidade que uma coisa a que chamam "limpeza étnica" provoca.






Em Sarajevo e por toda a Bósnia os cemitérios sem fim, onde se misturam quartos crescentes, cruzes ortodoxas e católicas.


terça-feira, 25 de agosto de 2009

Bosnia i Herzegovina... primeiros olhares












Entre a esperança e o medo, entre o passado e o futuro, entre a diferença e a tolerância.
Que as balas cravadas nas paredes nos lembrem que todos os dias o mundo deveria dizer 'nunca mais' à crueldade.
Haja Paz e perdão nos Balcãs.




sábado, 8 de agosto de 2009

Liberdade de Expressão

Toda as pessoas têm direito a uma voz. É uma das liberdades fundamentais do Homem, consagrada desde a antiguidade clássica, trazida para nós por inerência cultural judaico-cristã e sempre consagrada nos documentos do Direito Internacional e nas Constituições de grande maioria dos países.
Portugal não é excepção e, por arrasto, a constituição angolana que é muito semelhante à nossa, também a consagra. Apesar de nem cá nem lá se viver em plenitude.
Com este mês de Agosto, começou a ser transmitido em Portugal na televisão por cabo, o canal público de televisão angolana (TPA). É um passo adiante no cumprimento desses horizontes corajosos da Constituição da República Popular de Angola.
Há um ano o país viveu uma campanha em que tudo era controlado. Não havia liberdade de expressão pura. Os órgãos de comunicação social não podiam fazer o seu trabalho livremente e a informação que saía para fora do país era sempre controlada, tanto quanto as autoridades fossem capazes de a controlar.
O surgimento da TPA internacional, ainda que continue a ser um meio de propaganda, não deixa de ser um passo de esperança para um país de muitas promessas, de evolução e crescimento verificável é certo, mas de um país onde ainda morre gente de fome e de doenças facilmente tratáveis. Em Angola convive-se hoje com o luxo e a miséria no mesmo quarteirão. A riqueza não é má mas a pobreza é, e para mudar esse estado de coisas a liberdade de expressão é fundamental. As pessoas têm de saber o que se passa para agirem com consequência.
A comunicação social e o jornalismo são parte importante. São eles os olhos do mundo, são eles a potencial voz de quem não a tem, são eles os mediadores necessários de uma comunidade que se quer séria, honrada e honesta, seja cá perto, seja no mundo global.
Se não fosse a comunicação social, Timor ainda hoje seria ocupado, os genocídios étnicos que o mundo testemunhou no final do século passado e já no presente (Darfur) não seriam denunciados. Os exemplos não têm fim.
Uma imprensa nobre e eficaz torna-nos numa democracia madura. E isenção é mesmo isso: dar voz à Justiça do bem comum e aos Direitos que todo o ser humano tem.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A responsabilidade de gerir o que pertence a Todos


1. O Jornal i, de 28 de Julho de 2009 fez publicar um ensaio de duas páginas sobre a evolução do consumo do Estado desde 1986. A máquina gigantesca, conforme as ideologias dos partidos, deveria crescer ou diminuir consoante a Direita e o Estado mínimo ou a Esquerda e o Estado mais presente. Hoje, muitos dos nossos políticos ainda vivem nesta era, mas já nada é estanque, cada caso é um caso, não há modelos económicos ou políticos certos. Tudo o que é humano é dinâmico e só isso justifica que coisas muitos boas se façam, mas também algumas muito más.
Desde 2002 que andamos a ouvir que estamos em crise. Ou crise de gestão do Estado o que dá em défice grande (há alguma casa que aguente gastar mais do que aquilo que ganha?!). Ou crise financeira, externa ao Estado mas talvez permitida pelo Estado por má regulação anterior. O Estado aqui pode tudo... o colapso ou um Caminho para a Nação.

A indignação passa-me naquele texto, sobretudo, ao descobrir que segundo o investigador que o assina, Ricardo Reis da universidade de Columbia (E.U.A.), o Governo que mais gasto provocou na contabilidade estatal foi o de 2002 a 2006.
Sinto-me enganado. Trabalhei eu e todos os portugueses que puderam, apertando o cinto como se dizia e os políticos que geriam o Estado nessa altura nos pediam. No fim de contas, os gastos e a máquina do Estado cresce ainda mais. Será por via daquilo a que chamam os “boys”? Infelizmente, o caso não foi isolado e apenas uma excepção se registaria no estudo (graças ao esforço do governo mas também e sobretudo do nosso, cidadãos), não fosse a crise económica que vivemos agora.

É difícil acreditar assim. Já não sabemos bem o que é mesmo de verdade ou apenas o é por intenção. É preciso mudar isso...!

2. Se não fosse Verão (silly season), quase poderiamos, com atenção grave, pensar em extrapolar o mesmo estudo para os governos locais do nosso país.
O que eram os gastos em pessoal dos Municípios há alguns anos atrás, o que serão esses gastos agora? Quem entrou, quem saiu? Como e porque entraram os que entraram, porque saíram os que saíram? O que fazem e como fazem os que estão? Que tipo de concursos ou ajustes foram feitos para que fossem escolhidos? Que parcerias (mais ou menos) público-privadas se fazem que muitas vezes não se traduzem com este nome ao público mas em denomância de ‘subsídios’ e com que estratégia política? Para que os outros façam o que não queremos fazer (ou não sabemos)?... ou para movimentar e estimular o sector privado? Que sector privado? Um desinteressado dos poderes políticos ou um sector onde estejam ligadas as pessoas, as mesmas, que gerem os bens públicos?
Quem entrou por via justa e honesta com que motivação está? Como está o seu bom potencial aproveitado? como está a sua motivação, a sua criatividade a crescer e o seu esforço e rendimento humano ao serviço de todos nós?

Como serão os exemplos concretos das nossas autarquias próximas? Melhor ou pior que a média? Haverá discussão aberta destes assuntos da Democracia e da gestão do bem público ao serviço do público?
Estou certo que sim...


in Jornal "O Aveiro".