quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O mal e o bem que fazemos aos outros






Tenho pensado nos últimos tempos na origem dos muitos e díspares comportamentos humanos.
Porque fazemos bem aos outros? Porque fazemos mal aos outros?
Porque só queremos saber deles quando precisamos? Porque queremos saber deles mesmo que não nos dêem nada?... Amor gratuito?

O ser humano é esta coisa fantástica em que bem podemos tentar catalogar, classificar, rotular, que nunca o fazemos bem feito!... Normalmente fazemos isso tudo em relação ao desconhecido, em relação a quem desconhecemos:

ou rotulamos para o mal e arrumamos a um canto "este não vale a pena" ou então "ele sabe isso porque anda nas explicações"...

ou mesmo,

o contrário: edificamos torres de marfim para desconhecid@s.. rotulamo-los como heróis e heroínas, as coisas mais belas e fantásticas... tudo o que queremos que eles sejam.

Depois, quando se conhece a fundo, ficam-se com outra ideia. Não necessariamente melhor, não necessariamente pior. Diferente.

*****

Há uns anos estacionei o carro numa rua. Saí do carro e vinha a passar um jovem, dos seus 20 e muitos anos. Entendeu que me meti à frente dele e o passeio não era largo para estarmos os dois nele.

Olhou para mim, desconhecido, com uma raiva enorme. disse alguns impropérios e ameaças. Só por causa de lhe ocupar o passeio, estava pronto a espancar-me bem ali para me dar uma lição.

Além do espanto-receio-estupefacção... desde os tempos de adolescência que não andava à pancada com ninguém (com tanta falta de treino ia levar à grande  de certeza)... a minha questão era... o que terá acontecido àquele rapaz para querer tanto mal a alguém, assim sem mais?




Quantos de nós já não sentimos a dor de sermos rejeitados? Quantos de nós já não rejeitámos alguém sem querer (ou não)?

Quantos de nós já não chorámos desilusões, desamores, saudades boas de quem está longe?

Quantos de nós já não sofremos coisas que não fariamos a ninguém? Será que alguém pode pensar o mesmo de nós e nem notámos?


Não podemos ser rápidos a julgar o mal e o bem que fazemos aos outros, ou que os outros nos fazem a nós.

Não acredito na maldade.
Acredito no Amor, na falta da sua manifestação por alguma razão explicável. Acredito nos encontrados e nos perdidos e acredito que estar perdido é sempre uma coisa que nos acontece. E nesse acontecer fazemos "besteiras". Magoamos quem mais amamos, rejeita-mo-los e mandamo-los à vida deles, como se a nossa não fosse também a vida deles.

Não podemos ser rápidos a julgar quem faz isto, os outros, mas nós incluídos porque não há perfeitos.

Pensando no texto anterior. Não existe isso do egoísmo, dos aldrabões, das pessoas que só agem, contactam e fazem por interesse próprio. Existem fases de parvoíce mais ou menos aguda, de que também é preciso gostar e compreender. O mestre vê-se nas horas de mar bravo. Algum nervosismo admite-se nos primeiros dias, mas depois o olhar compenetrado e tranquilo é de se instalar perante a adversidade para a vencer.

Quando isso acontece termos levado alguma chapada, foi apenas alguma coisa que possam ter sofrido. Julgar não é o caminho, mas dar a mão, perdoar, amar...

A única coisa que não podemos fazer é obrigar ninguém a aceitar o que queremos dar.
De resto, caminho aberto porque se alguém faz mal, foi porque não teve a sorte de alguém antes lhe mostrar outra coisa.

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