quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Pré-Conceitos

Por natureza somos criaturas com medo do desconhecido. Um mecanismo de defesa contra isso, é classificar, emprateleirar, rotular as coisas, as pessoas, tudo aquilo que for desconhecido. Fazemo-lo logo nas primeiras impressões!

Essa classificação pode ser no entanto ilusória. Podemos criar assumpções incorrectas e leves, criticar ou opinar gratuitamente, quando o acto de julgar deve ser feito depois de tomar consciência e ouvir todas as partes e todos os aspectos possíveis. Quem não conhece alguém que diz mal de tudo e de todos, dos seus ou não seus, destruindo as pessoas nos seus dizeres, mas nunca se vendo ao espelho do exame de consciência?!

Na semana passada o grupo República e Laicidade criticou chocada a existência da cruz, ainda, nalgumas escolas e pede que as retirem, como se fosse urânio altamente poluente. Faz-lhes assim tanta confusão? E se em vez de retirar a cruz, acrescentássemos símbolos das outras religiões e inventássemos um também para os ateísmo (um quadro vazio)?! Daríamos um sinal de multiplicidade, de convívio são entre diferentes crenças e ideias... Assim, só esvaziamos, cada vez mais a escola. Como professor já senti mais longe a escola vazia de valores humanos e como professor de EMRC já senti mais longe os dias em que só poderei falar de EMRC dentro da sala para os que aceitam ser livremente ‘contaminados’.

A intolerância não tem nada que ver com os valores da república e da laicidade.

Outro preconceito geral que temos é politico. “Os partidos de direita dão mais apoio à família. Os de esquerda não. Quem é de esquerda é a favor do aborto e da liberalização da droga, quem é de direita não, é a favor dos costumes tradiocionais”. Depois reparo nos líderes partidários do momento e só o da Esquerda (PCP) usa aliança, é casado e gaba os netos em público! Vejo católicos liberais e libertários e outros autoritários, vejo gente de Direita que tem Fé, outros que não tem. Vejo-os com preocupações sociais de esquerda, e os de esquerda com ideias de potenciação económica de direita.

Vejo católicos a favor da mudança de uma lei que não protege as pessoas e que não aceita, à luz da DSI, que uma pessoa possa perder a casa onde partilhou a vida com alguém, porque esse alguém faleceu e a casa estava em seu nome e perante a sociedade não tinham, não podiam, viver em regime de partilha de bens, nem usufruir de assistência social entre outras, porque viveram juntos em união de facto. Será que proteger essas pessoas contra esse vazio legal seja mau, ainda que eu não pense ou sinta o que elas sentem? Será que isso prejudica a Igreja? Será a questão do nome, casamento? Invente-se outro então! Desde que não se faça mal a ninguém não me parece que haja problema.

A outra questão: a adopção. Se o direito natural não permite o nascimento de um ser a partir de dois seres do mesmo sexo, poderemos legislar (tendo em conta o Direito da Criança) a adopção por um casal homossexual? Não existe o direito a ter filhos, mas existe o direito a ter um pai e uma mãe, educação, alimentação e muito mais! Em breve se comemora a passagem desses direitos a Convenção escrita, proclamada e ratificada!

Uma criança, qualquer que ela seja quer o amor de alguém, mas dentro dos seus direitos que devem ser salvaguardados. Sejamos idealistas aqui!

São muitas as dúvidas, são muitas as perplexidades, as incertezas e os cuidados a ter na análise destas questões tão ténues. E a análise deve ser sempre tida a partir dos pontos de vista pessoais de cada um, em absoluto respeito e com todo o Sentido de Estado porque é esse que dará voz à pluralidade de todos aceitarmos que esteja uma cruz, uma estrela, um crescente na escola e eu aceitar que na sociedade laica (não confundir com laicista) todas as pessoas tenham princípios de Direitos e Deveres iguais, mesmo na sua diferença. Não é esse o sonho dos Evangelhos?!

*agradeço a JPF a contínua troca de impressões e ideias na construção deste texto.


:: in 'Correio do Vouga' ::

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

"The boy who harnessed wind"


Há pessoas e há histórias que nos mostram que é possível.
Há pessoas que nos recordam o porque de não pararmos e não desistirmos...
Senhoras e Senhores...

WILLIAM KAMKWAMBA

The Daily Show With Jon StewartMon - Thurs 11p / 10c
William Kamkwamba
www.thedailyshow.com
Daily Show
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Political HumorHealth Care Crisis

o poder local e o clientelismo

O poder local é umas das coisas mais bonitas da Democracia. É a base da ideia de que as pessoas decidem o seu futuro, o seu caminho comum, aquilo que sonham para os seus e para a sua comunidade.

Infelizmente, talvez movidos por uma sociedade de consumo, em que vale mais o Ter do que o Ser, alguns estudos no campo da ciência politica demonstraram que o comportamento eleitoral local se move mais pelo clientelismo do que pela noção do Bem Comum, pelos favores que pela nobreza da causa de todos.

Wantchekon, um politólogo africano, tem estudado este fenómeno, fazendo algumas inimizades por aferir que o clientelismo, em deterimento do Bem Comum, afecta sobremaneira o Desenvolvimento.

A alienação que a politica provoca na maioria das pessoas promove ainda o clientelismo. Quem já não andava farto de ver cartazes e ouvir tempos de antena e carros com gramofones em cima? Quem dos políticos não ouviu impropérios, uns mais justos outros não tanto, à sua passagem em campanha (não raras vezes, alguns só lá passam mesmo de 4 em 4 anos)?

Ainda, no exercício da gestão pública não há de facto muita transparência, não há envolvimento dos cidadãos, as autarquias e os governos não procuram buscar nas pessoas ideias ao longo do tempo. Às vezes parece mesmo não lhes convir, o que pode levar a assumir que de facto existe clientelismo, que existem adjudicações aceleradas com critérios duvidosos e que os ajustes directos, de figura legal de recurso passam a norma, sendo que o voto passa a declaração formal do quero continuar a ter “trabalhos”.

Cabe-nos a nós agora, pensar se o mesmo estudo tem cabimento na nossa realidade e daí aferir a saúde, a Liberdade e a Justiça da nossa Democracia.

:: in jornal 'O Ponto' ::