Faz hoje uma semana.
Vínhamos no caminho de regresso de uma visita de estudo de geografia. Íamos naquela altura em que a maior parte dos alunos já dormem de cansaço. As visitas de estudo são um tempo de alegria, mas são de facto aprendizagem pelos olhos adentro. Serão sempre uma grande oportunidade, enquanto o sistema permitir estas aulas no real world e não fechar o ensino à estufa da sala confinada de aula…
A aproveitar a calmia que o embalar do autocarro convidava, no ambiente do “está a terminar”, peguei no livro que já atrasado, é minha companhia.
Vínhamos no caminho de regresso de uma visita de estudo de geografia. Íamos naquela altura em que a maior parte dos alunos já dormem de cansaço. As visitas de estudo são um tempo de alegria, mas são de facto aprendizagem pelos olhos adentro. Serão sempre uma grande oportunidade, enquanto o sistema permitir estas aulas no real world e não fechar o ensino à estufa da sala confinada de aula…
A aproveitar a calmia que o embalar do autocarro convidava, no ambiente do “está a terminar”, peguei no livro que já atrasado, é minha companhia.
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“O Mundo é Plano”, T. L. Friedman.
Mostra o lado bom da globalização, as oportunidades que se abriram em paralelo aos problemas da abertura de mercados e das vantagens oportunistas de empresas que se desdobram para países com mão-de-obra barata. Mostra que na Inglaterra se ligarmos para os bombeiros nos podem atender de um callcenter na Índia e que é nessa Índia que muitas das declarações de IRS são tratadas. Mostra que podemos comunicar facilmente com todo o mundo, que posso almoçar comida italiana, jogar futebol com uma bola feita na Coreia, com uns calções que vieram do México e o calçado feito na China.
A perspectiva do autor é a da oportunidade porque, com um mundo que se tornou plano, mais próximo, apesar das deslocalizações, do desemprego e da fábrica que fecha na Europa ou nos EUA… isso é só um momento de passagem a algo melhor!
De facto - eu sorvia esta novidade com o entusiasmo cativante que o colunista do NY Times imprime à sua escrita - o mundo é plano! – até que uma aluna me quebra o silêncio ao espreitar o livro:
- "O mundo é plano? Quem foi o burro que escreveu isso? Já há muitos séculos que sabemos que o mundo não é plano!"
Aquilo mexeu com as minhas convicções… mas infelizmente, a minha aluna tinha razão.
Perdão Sr. Friedman pelo insulto inocente, mas o que é certo é que o mundo ainda não é plano. Ele é cheio de montanhas e vales agrestes onde a pobreza grassa com tanta força que a oportunidade e a boa vontade não chegaram.
Só nalguns pequenos espaços, tem um planalto no topo, bem suave.
Visto daí, ou melhor, visto daqui, do pequeno planalto em que vivemos os 2% de população mundial mais ricos, o mundo parece plano e as refeições parecem certas para quase todos.
Só nós, os 2% é que até temos um PC pessoal no domicílio. O leitor quantos tem?!...
Pois, eu também me envergonho disso... para nós parece plano, parece.
“O Mundo é Plano”, T. L. Friedman.
Mostra o lado bom da globalização, as oportunidades que se abriram em paralelo aos problemas da abertura de mercados e das vantagens oportunistas de empresas que se desdobram para países com mão-de-obra barata. Mostra que na Inglaterra se ligarmos para os bombeiros nos podem atender de um callcenter na Índia e que é nessa Índia que muitas das declarações de IRS são tratadas. Mostra que podemos comunicar facilmente com todo o mundo, que posso almoçar comida italiana, jogar futebol com uma bola feita na Coreia, com uns calções que vieram do México e o calçado feito na China.
A perspectiva do autor é a da oportunidade porque, com um mundo que se tornou plano, mais próximo, apesar das deslocalizações, do desemprego e da fábrica que fecha na Europa ou nos EUA… isso é só um momento de passagem a algo melhor!
De facto - eu sorvia esta novidade com o entusiasmo cativante que o colunista do NY Times imprime à sua escrita - o mundo é plano! – até que uma aluna me quebra o silêncio ao espreitar o livro:
- "O mundo é plano? Quem foi o burro que escreveu isso? Já há muitos séculos que sabemos que o mundo não é plano!"
Aquilo mexeu com as minhas convicções… mas infelizmente, a minha aluna tinha razão.
Perdão Sr. Friedman pelo insulto inocente, mas o que é certo é que o mundo ainda não é plano. Ele é cheio de montanhas e vales agrestes onde a pobreza grassa com tanta força que a oportunidade e a boa vontade não chegaram.
Só nalguns pequenos espaços, tem um planalto no topo, bem suave.
Visto daí, ou melhor, visto daqui, do pequeno planalto em que vivemos os 2% de população mundial mais ricos, o mundo parece plano e as refeições parecem certas para quase todos.
Só nós, os 2% é que até temos um PC pessoal no domicílio. O leitor quantos tem?!...
Pois, eu também me envergonho disso... para nós parece plano, parece.
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O Aveiro
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