domingo, 27 de fevereiro de 2011

NÃO DIGA NÃO A ESTE CURSO DE GESTÃO!


Evangelho Segundo Mateus, 6,24-34 (o deste Domingo).

texto do Professor Manuel Alte da Veiga






Gestão garantida do dia-a-dia, seja como for o seu dia.

Os negócios andam no melhor? Ou caiu na fossa? Procura casar-se? Doença grave? Quer ser Ministro? Não gosta do Governo? Planeamento familiar? Não tem cheta sequer para comer?


Pois não há problema que resista a este CURSO BREVE DE GESTÃO. O sucesso garantido, por muito bem ou muito mal que lhe corra o dia. É uma receita diariamente infalível.


Talvez preferisse outra coisa, mas o senhor responsável por este curso dá pelo nome de Jesus de Nazaré.


À volta do núcleo duro, aqui vão alguns conteúdos programáticos (por economia de espaço, põe-se tudo no masculino):


1. Não ande preocupado em como sair da fossa ou aumentar o negócio. Isto é, não dê cabo do dia, sempre à volta desse pensamento. (Mateus, o primeiro relator deste curso – já lá vão 2000 anos de sucessos! – usa muito o verbo grego merimnao, com o sentido principal de se deixar encher de preocupações).

  1. Relaxe, contemplando o voo das aves, a fauna selvagem, o cheirinho dos campos em flor ou não, as paisagens que mais o encantam. Se gosta de história, lembre, por exemplo, os tempos do rei Salomão, que envelheceu a pensar no melhor palácio, na roupagem mais digna de um rei, na melhor composição poética, em como gerir centenas de concubinas… Ou veja um filme de encher as medidas.
  2. Você é que é senhor de si mesmo: não se venda a ninguém – e quanto mais rico ou poderoso for esse alguém, mais preso fica. Já custa ter um só patrão, quanto mais dois. NOTA IMPORTANTE: isto não se aplica, se o patrão ou patrões fizeram este curso com sucesso.
  3. Repita: não preocupe o dia todo com coisas como ser o mais sexy, o melhor orador, o mais elegante no clube, o corpo mais bem feitinho em toda a costa portuguesa… Nem quebre a cabeça para ser o melhor chefe, o melhor bispo, o melhor empresário, etc., etc..
  4. «Não faça qualquer juízo antes do tempo» (2ª leitura). Arrisca-se a queimar os fusíveis… Aliás, a vida é uma montanha russa (que são cada vez mais estonteantes).
  5. Como vê, é o administrador do seu dia. «Ora o que se requer nos administradores é que sejam fiéis» (2ª leitura). Portanto, não faça batota quanto à regra do curso (há só uma):
  6. Tudo o que eu fizer, tudo o que os outros fizerem, melhor ou pior, e às vezes só com boas intenções – todas essas acções devem reflectir uma só preocupação: guiar-se pelo princípio da Justiça. Estou a utilizar a minha fome, o meu dinheiro, o meu prazer, a minha inteligência, a minha doença… como estímulo para mais justiça? Ou faço batota? Procuro facilitar que os outros sejam felizes?
  7. Portanto, viva a riqueza ou pobreza como lutador pela justiça. Se tem que pedir esmola, faça desse acto uma denúncia da injustiça e organize-se em grupos que lembrem a justiça e procurem métodos de a concretizar (provérbio inglês: «pouco a pouco, mas infalivelmente, a maré vai subindo»). Se for pessoa de muito poder na sociedade, não perca a maré…
  8. Vá descobrindo que há alguém (1ª leitura) que o quer ajudar a ter sucesso na vida: a ser modelo, a ordenar um país, a aguentar os filhos, a combater a fome… O seu sucesso, dependerá do sucesso de todas as pessoas.
  9. O responsável e criador deste curso sabia que a Justiça é a grande «definição» de Deus (ideia já secular, naquele tempo). Também sabia que nenhum projecto humano é consistente se não nos sentimos num ambiente afectuoso. O acolhimento, o entusiasmo e a ternura… não se encontram também na maneira como Deus e Jesus se relacionavam? (evangelho e 1ª leitura).
  10. O seu dia-a-dia pouco muda de aparência. Mas a vida mudou radicalmente: infalivelmente, a opção fundamental deste curso orienta as nossas pequeninas acções, e a luta pela justiça será um prazer. Aliás, estamos num projecto que inclui todas as gerações pelos tempos fora, onde cada qual deve agir como companheiro (1ª leitura).
  11. O «jeito» de Deus muitas vezes dá pouco jeito: pertence aos «mistérios de que somos administradores» (2ª leitura) – não para os resolver, mas «para ser fiel». «Agir como se tudo dependesse de nós; confiar como se tudo dependesse de Deus».
  12. NÃO DIGA NÃO A ESTE CURSO DE GESTÃO!

MANUEL ALTE DA VEIGA


Para ler os artigos online, escreva Liturgia Pagã no motor de busca Google e entre no site Aveiro e Cultura. Pode ainda usar o seguinte endereço:

http://www.prof2000.pt/users/avcultur/altedaveiga/litpag000.htm

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Erro e Sofrimento... ou a fragilidade que nos humaniza





Na vida há duas coisa pelas quais todos passamos: errar e sofrer. Na mesma medida passamos pelo contrário. acertar e a felicidade.


Foi na leitura da obra "O Olhar e o Ver", do jesuíta Vasco Pinto de Magalhães, que me inspirei na sistematização seguinte sobre as etapas da superação do sofrimento e do erro. Com efeito, é mais FÁCIL eu perdoar o outro que me magoa... do que perdoar-me a mim mesmo de algum erro que cometi.

Todas estas etapas são difíceis de se viver.

Em primeiro... Admitir.
Admito que erro, admito que errei. Fiz muitas coisas mal, fiz alguns crimes de des-amor na vida. Falta de atenção, carinho, falta de entrega, de partilha. Falta de algo que não fiz, de algo que fiz mal, de algo que fiz.


Depois, Relacionar.
Preciso de relacionar o mal que fiz com a minha vida, com os outros, com quem magoei, com o medo que senti, com o que não arrisquei. Preciso de relacionar a minha fragilidade, limitação e defeito com tudo aquilo que sou, com tudo o que é e rodeia a minha vida.

Começo o caminho ascendente em direcção ao perdoar-me a mim próprio quando consigo Relativizar.
Foi assim tão mau?! Teve assim consequências tão irreversíveis quanto as que pinto no meu coração e na minha mente?! Não será um pouco mais relativo?!


O passo mais difícil: Comunicar a Outro.
Contar-lhe tudo. Sujeitar-me a não ser aceite ao revelar os meus podres. Sujeitar-me a contar-me ao outro e não saber como vai reagir. Colocar-me na sua dependência. Ao contar-lhe os meus podres, o meu erro, a minha fragilidade ele vai ver o pior de mim. Será que me continuará a Amar mesmo assim?! Será que me perdoa?! Será que me aceita?!

É necessário uma coragem enorme para nos abrirmos e expôrmos ao outro. Damos-lhe o poder de nos rejeitar... ou de, ao invés, nos acolher.

Quando somos acolhidos, perdoados por outro... quando somos mesmo assim como somos, com as nossas falhas e limitações, amados... não há melhor na vida: o Amor incondicional!

Quando sou visto na minha mais premente fragilidade de erro e de defeito, e mesmo assim sou amado... é o passo de gigante para me conseguir aceitar a mim mesmo, para me conseguir finalmente perdoar daquilo que me aprisiona.

Experimentar a rejeição, depois a aceitação (ou nunca a aceitação mas sempre a rejeição... mesmo assim...) é a experiência vivida da redenção, como um castigo a que nos submetemos voluntariamente.

Errei, expus-me em verdade. Fui rejeitado ou fui amado... estou redimido. Fico na alegria ou então no silêncio, mas em paz!


Tirar proveito é a última etapa. De facto é o processo de aprender com os erros. Caí, queimei-me... Aprendi uma lição. Sou alguém melhor depois disto!


É assim a vida... avançar, cair, levantar, sorrir, ser feliz... Somos frágeis, somos humanos. É isso a beleza: cair, mas depois levantar-se.



























segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

S. Valentim para a Família...




É frenética a celebração de S. Valentim. Pegou moda comercial o jantar fora, os presentes...


Antes consumiam-se produtos, agora já as próprias pessoas são produtos que se consomem. Quando já não servem... deitam-se fora.

Preocupa-me viver numa sociedade que aos três meses ou quatro obriga a que ponhamos (depositemos) os filhos num sítio porque temos de ir trabalhar. Incomoda-me viver numa sociedade que é tão competitiva que não nos deixa passar tempo com os nossos pais, com os idosos, com a nossa namorada ou namorado, com a nossa esposa ou esposo, com os nossos filhos.

Numa semana em que se fala dos idosos, pela desgraça que acompanhámos na comunicação social, pela sociedade cada vez mais de competir, cada vez mais de ambição cega, cada vez mais de solidão, de desconfiança, de consumo, consumo, consumo...

... vale a pena aproveitar o dia de hoje para pensarmos nas relações que temos e que somos com os outros, vale a pena pensar o Amor, a Família...


por mim, prometo... há pouco menos de trezes anos mudei o curso da minha vida. Seria um bom padre, daqueles que arma estrilho. Mas o meu caminho era outro o da família... e sei que um dia serei um pai-marido dedicado e nos intervalos, vou mudar o mundo!

Bom dia de S. Valentim... que ele seja de Amor e não de namoricos!








5 regras (pelo menos) para a Felicidade - no Amor (entre duas pessoas)

O nosso Pe Tony Neves a dar moral na SIC... e não só!

1. Não confundir paixão com Amor

2. Olhar as acções e não apenas as palavras

3. Não há Amor sem comunhão plena do corpo e espírito

4. Coragem para mudar o que está mal

5. Quem ama não trai

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O incómodo dos mediocres [na política] - D. António Marcelino


























Quando Churchill, um jovem, fez a sua primeira intervenção política na Câmara dos Comuns, perguntou no fim a um velho amigo de seu pai, também ele homem da politica, o que pensava da sua intervenção: “Mal, meu rapaz, muito mal. Devias a aparecer mais tímido, a gaguejar um pouco, meio atrapalhado…Porque foste brilhante, arranjaste no mínimo trinta inimigos: os medíocres, os oportunistas, os ambiciosos. Porque só pensam em si, em defender o seu lugar e em conquistar posições de relevo, sentem-se incomodados com quem tem talento e pode passar-lhe à frente. Eles vão fazer tudo para te derrubar…”
O episódio repete-se e multiplica-se, porque a mediocridade cresce cá dentro, e quem tem valor procura outros ares… Há sempre lugares onde acolhimento e espaço todos aqueles que valem. As cliques políticas viciaram o ambiente e o vilão é sempre perigoso quando tem na mão a vara do poder. De qualquer poder. Para a máquina andar, tem de se lhe limpar da ferrugem. Haja quem tenha coragem e seja capaz desta difícil operação.


D. António Marcelino, bispo emérito de Aveiro.


in: Correio do Vouga, Opinião | | 09/02/2011 |

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

excelente resposta do Dr Rui Cruz

Excelente a resposta do Dr Rui Cruz.

As pessoas não deviam reagir assim, com insultos. Deviam e podiam ser mais ponderadas nas reacções e sempre que alguém, dentro da sua liberdade de expressão, dá a sua opinião sobre a vida pública do Concelho.

Dr Rui Cruz, um bem haja.