domingo, 20 de abril de 2008

Votar em Obama ou A atitude da Liderança

Um voto vale o que vale e, no mundo do ocidente, com o descrédito e a distância cada vez maior entre as pessoas comuns e os políticos, este exercício de cidadania é cada vez menos valorizado. Os políticos são todos iguais, vivem bem, mas em momentos de tensão perdem a cabeça, dizem disparates, não conduzem nada sem ser pela coacção e rudeza. Na maior parte das vezes falam sozinhos uns para os outros sobre assuntos que não interessam às pessoas comuns (parcerias público-privadas escolares com parques de estacionamento, campos de golfe e empreendimentos imobiliários com nome de resort turístico e outras empreitadas pessoais) ou então ainda pior, falam mal uns dos outros.
Vê-se pouca inteligência e muito menos humildade necessária ao poder dado pela responsabilidade do serviço público para melhoria de vida da comunidade.
As pessoas, fartam-se, mas têm esperança, sempre.
Nos Estados Unidos surge há alguns anos Barack Obama, um líder nato. Sóbrio nas alturas porventura mais difíceis, um homem que sabe ouvir as pessoas, os seus problemas e que mostra nisso sinceridade e honestidade, acima de tudo, um grande motivador. Por isso é que a sua força não é só dele, mas de todos os que se juntam a ele.
É por isso também que é seguido, merece confiança, vive no mundo das pessoas e coloca-se ao seu serviço, fá-lo com energia, esperança e envolvendo os cidadãos.
Foi por isso que, filho de emigrantes, nascido nos EUA, procurei pela primeira vez maneira de me registar e votar. Foi na terça-feira passada que o meu voto foi contado pela primeira vez, em Pennsylvania, onde vivíamos. À altura desta escrita, nem sei quem ganhou. Sei que, pela primeira vez, tive orgulho em fazer parte de um processo eleitoral.
A maioria dos senhores da causa pública cá deste Estado, perdoem-me: Os senhores não vivem no mesmo mundo que o resto de nós! É por isso que por vezes são ridículos, principalmente nas inverdades que dizem. Daí o desinteresse geral.
A política é a melhor e mais capaz arma para o Desenvolvimento do Mundo! Quem tem os meios, por favor, use-os para isso, com a responsabilidade que a confiança depositada de um voto significa!
Esperemos a Democracia, na sua verdade, o poder do povo!
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O AVEIRO
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quarta-feira, 9 de abril de 2008

Um outro mundo para os meus alunos

Eu sou professor. Talvez isto já condicione a leitura, talvez já fique por aqui.
Se continua, obrigado pelo crédito e ao menos, o benefício da dúvida.
A Educação é assunto por excelência, de cooperação e de desenvolvimento. Enquadra-se neste espaço portanto.
À luz da convenção dos Direitos da Criança, o direito à educação é um dos grandes. Está directamente associado ao meta-direito humano do Desenvolvimento. Ele é, de facto, fundamental para o pleno desenvolvimento da personalidade humana enquanto indivíduo e enquanto ser que compõe a comunidade.
A escola de hoje não valoriza esse direito à educação. Ela é intelectualista e instrumentalista. Desvaloriza os saberes que constroem a personalidade da pessoa humana, remetendo-se às necessidades da economia e do mercado.
É ainda o espelho social da sua realidade, uma micro-sociedade, em si mesma e em cada sala de aula. Espelha o que traz da rua e de casa projectando o que será o futuro.
Tem os problemas sociais que a sociedade têm. Tem os avanços que a sociedade tem. Tem a dinâmica que a sua comunidade tem.
Não pertence a nenhum grupo específico. A escola também não é dos professores ou dos políticos que lhe querem dar rumo. A escola não é dos pais, não é dos alunos. Não há a escola dos ricos, dos pobres, dos teóricos que prosseguem estudos, não há a escola dos técnicos que vão para o profissional. Não há a escola do presidente da associação de pais, ou da mãe que sai cedo para a fábrica e regressa tarde depois do segundo emprego nas limpezas.
Há a escola da comunidade! De todos nós! Ninguém é culpado ou inocente das suas limitações porque todos somos implicados para as soluções.
Se houver um trabalho social forte, os problemas da disciplina são resolvidos. Se houver confiança, sentido de Estado e de Comunidade, perceberemos a educação como uma responsabilidade comum, como uma Missão de todos e deixaremos de perder tempo a preencher papéis que nos salvaguardem de possíveis ameaças futuras. Deixaremos o braço de ferro e passaremos de facto à Educação.
Frequentemente, nas aulas penso em qual será o mundo que deixarei aos que tenho à minha frente. Penso no meu testemunho de vida e no mundo que me foi deixado a mim e aí, o discernimento é claro: tenho de os ensinar a pensar, a formar grupo e a sonhar com um outro mundo, onde os jogadores da mesma equipa joguem todos para o mesmo lado… o das soluções.
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O AVEIRO
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