sexta-feira, 30 de maio de 2014

O abraço milagroso


O abraço entre o Sheikh Omar Abboud, o Rabbi Abraham Skorka e o Papa Francisco, em frente ao Muro das Lamentações, em Jerusalém.





Um bolo de oito fatias - e as Europeias de 2014


The european dream



Na internet existem os mais variados fóruns de discussão. Sobre assuntos importantíssimos e sobre tonteiras que têm direito a vez e voz também. Um desses fóruns, em português, era de um grupo de pessoas de extrema direita. Estavam elas a discutir a questão dos imigrantes e o quão mau era eles existirem nos nossos países e a tentar desenhar soluções para os fazer ir embora quando um resolve comunicar partilhando um problema. "Caros amigos, preciso da vossa ajuda. Tenho aqui uma multidão de imigrantes e preciso de os expulsar do meu país. Sou angolano. Esses imigrantes são portugueses".

Isto para explicar que, apesar de uma grande votação... os eurodeputados eleitos de extrema direita (cerca de 30 no total) não se vão entender muito bem uns com os outros lá em Bruxelas...! e por isso, não serão, de todo, relevantes no PE.


Ainda, sobre tudo e mais alguma coisa e o que se diz neste programa de hoje incluído, há uma outra piada, contada pelo mesmo excelente professor que contou a de cima:

Estava Keynes | Marx | Smith *(escolha um da sua preferência) no leito de morte, com todos os seus discípulos à sua volta, nervosos pelo amigo que estava para morrer, quando Keynes (ou outro da sua escolha) disse, mesmo antes de partir para a morte:

- "Calma amigos.... isto é só uma teoria".

É por isso que, diz a teoria, a abstenção é tanto maior quanto mais distante for o centro de decisão que se elege. Será por isso que a abstenção é maior nas europeias, depois nas presidenciais, depois nas legislativas, depois nas locais.
Nestas, europeias, a abstenção técnica será ainda maior.

Finalmente... se estas eleições tivessem sido legislativas, teríamos em Portugal uma Assembleia da República com 8 partidos diferentes: BE, CDS, Livre, MPT, PAN, PCP, PS, PSD.

Interessante... porque exige pluralidade e negociação, levará ao parlamento um leque grande de preocupações e de modos de fazer Política.

Ao mesmo tempo a demonstração clara da queda de confiança dos cidadãos para com os partidos
- ao mesmo tempo que os simpatizantes das ideologias dos extremos são mais fixos - os do centro moderado são menos permanentes, mudando o seu sentido de voto conforme o contexto social, e político e os contextos da intenção de voto.

Os partidos moderados terão assim de mudar, mudar para melhor. Tornarem-se responsivos (responsivness) no que toca a irem ao encontro das expectativas dos cidadãos, ganharem de novo a sua confiança e poderem solidificar a sua posição como partidos "catch all" representativos da maioria da sociedade...

... e a melhor maneira de ganharem a confiança dos cidadãos é... trabalharem como deve ser. Acordem centralões (PS e PSD).




sexta-feira, 23 de maio de 2014

A comunidade, o voluntariado e a tarefeirice: participar, votar.. ou nem isso.

Jesus salva Pedro de se afogar (1632) - Rembrandt. British Museum, Londres.

Rembrandt usava muito a luz naquilo que pintava. Se tivesse nascido hoje, seria um repórter fotográfico fantástico, daqueles que ganha prémios no world press photo, a fazer jogos de contraste nas imagens, que no meio de escuridão, teriam um ponto qualquer de claridade e esperança.

Joga muito com a luz, ou melhor.. com a escuridão. Muitas telas dele são um imenso escuro, mas não é o escuro que ele faz sobressair. É precisamente o contrário, a luz, o que está iluminado por qualquer coisa que ganha força e revive em relação ao resto. Os desenhos não são assim. Muitos eram preparatórios para a pintura consquente. Não deixam no entanto de perder essa força, a proactividade de o registo de um acontecimento qualquer.

Nesta há um tipo, como que surfista que caminha sobre as águas e vendo um amigo a tentar a sorte sem o conseguir, ajuda-o, salva-o.
Voluntariado é isso, a proactividade. É pensarmos e mobilizarão-nos, muito mais que cumprir uma tarefa atribuída sem salário metido. Sermos cidadãos é isso também, é fazer a comunidade funcionar: é ir votar, mais, predispormo-nos a candidatura para fazer o que é preciso, sendo preciso.. fazer mais, ser mais, pelo Outro, pelos Outros, pela nossa comunidade, a local e a global, que é o mundo... sempre com respeito pelo diferente, sempre sonhando e tendo uma visão idealista de que o mundo... pode ser melhor.
É sobre isso, em última análise, o "Pensar Global" e o "Entre o céu e o inferno" de hoje, na VAGOS FM (88.8).




Entre Céu e Inferno com Pedro Neto 23-05-2014 by Vagosfm Emissor on Mixcloud


sexta-feira, 16 de maio de 2014

O valor da vida, de um mineiro na Turquia - VAGOS FM

In the shadow of Mount Ararat - Peter Eastway



Thomas Piketty publicou há pouco tempo o livro Capital in the twenty-First Century que já é o mais vendido na amazon. Nele, explica o mecanismo de distribuição de capital no século XXI, e através do desenho desse mecanismo, explica a desigualdade.

A taxa de rendimento do capital tende a ser maior que a taxa de crescimento da produção. Muito disto têm a ver com disponibilidades de produto, com necessidades (impressas) do seu consumo, temperado com monopólios, com grandezas de investimento e uma coisa irreal mas que conduz tudo isto: a especulação, a tal necessidade que não existe verdadeiramente mas que o mundo imprime porque uma economia de capital, sem consumo, não subsiste.

Assim, cheia de valor(es) acrescentados, o capital rende mais do que o que produz na verdade. Esta soma leva a desequilíbrios que contribuem para que, em ordem ao rendimento, não haja regras e, acidentes como o desta semana na Turquia possam acontecer. São recorrentes na História da humanidade.

Não interessam as pessoas, interessa o carvão, aquilo que ele rende.  A guerra hoje, tem armas que se chamam recursos, que se traduzem num código, o capital.

O muito rende ainda muito. O pouco não rende nada. A este mecanismo, Piketty acrescenta a sociedade de herdeiros, que contribuí para o crescimento da desigualdade.

Interessante um francês escrever e publicar este livro nos Estados Unidos e estar a ser um sucesso editorial.

Voltando ao capital, por oposição o comunismo não serve. Ele não funciona em sociedades grandes. Pode funcionar em comunidades, em famílias. Mas, numa sociedade complexa e grande, cheia de potenciais free riders, falta-lhe, como ao capital, um terceiro elemento: a Justiça na distribuição.

De todos os assuntos da rádio nesta sexta feira, talvez seja este o mais importante: a ideia de Justiça nos mecanismos.

Piketty fala do problema político e social. Faltar-lhe-á acrescentar ao bolo, a ideia de Justiça e julgo que haverá aí material que possa mudar o mundo, ou se tanto, dar-lhe um Nobel. Cada passo, é um passo.









sexta-feira, 9 de maio de 2014

'Mães migrantes' dos dias de hoje - Pensar Global - VAGOS FM


Migrant Mother, Dorothea Lange (California, 1936)


Em 1936 a fotojornalista Dorothea Lange, encontrou entre os apanhadores de frutas da Califórnia, esta senhora, Florence Owens Thompson, de 32 anos, sentada à beira da tenda onde vivia com os seus filhos, três dos quais aparecem na imagem. Um, é ainda um pequeno bebé. Imagem ícone da grande depressão dos anos trinta do século XX, esta senhora trabalhava a tempo mais que inteiro e não conseguia sequer alimentar os filhos.
Parece que hoje, voltámos a esses dias, em que além do desemprego, há ainda gente que trabalhando a pleno tempo, não consegue ter como satisfazer necessidades básicas de alimentação.

Não será tanto a propalada e omnipresente crise, mas a cavalgada de injustiça societal e económica que a aproveita, que aproveita aliás todas as crises, sempre tão bem, para ganhar mais qualquer coisa.

Há gente muito rica, muito à custa, da pobreza do outro.
É sobre isso, o Pensar Global desta semana, na Vagos FM.