quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O incómodo dos mediocres [na política] - D. António Marcelino


























Quando Churchill, um jovem, fez a sua primeira intervenção política na Câmara dos Comuns, perguntou no fim a um velho amigo de seu pai, também ele homem da politica, o que pensava da sua intervenção: “Mal, meu rapaz, muito mal. Devias a aparecer mais tímido, a gaguejar um pouco, meio atrapalhado…Porque foste brilhante, arranjaste no mínimo trinta inimigos: os medíocres, os oportunistas, os ambiciosos. Porque só pensam em si, em defender o seu lugar e em conquistar posições de relevo, sentem-se incomodados com quem tem talento e pode passar-lhe à frente. Eles vão fazer tudo para te derrubar…”
O episódio repete-se e multiplica-se, porque a mediocridade cresce cá dentro, e quem tem valor procura outros ares… Há sempre lugares onde acolhimento e espaço todos aqueles que valem. As cliques políticas viciaram o ambiente e o vilão é sempre perigoso quando tem na mão a vara do poder. De qualquer poder. Para a máquina andar, tem de se lhe limpar da ferrugem. Haja quem tenha coragem e seja capaz desta difícil operação.


D. António Marcelino, bispo emérito de Aveiro.


in: Correio do Vouga, Opinião | | 09/02/2011 |

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

excelente resposta do Dr Rui Cruz

Excelente a resposta do Dr Rui Cruz.

As pessoas não deviam reagir assim, com insultos. Deviam e podiam ser mais ponderadas nas reacções e sempre que alguém, dentro da sua liberdade de expressão, dá a sua opinião sobre a vida pública do Concelho.

Dr Rui Cruz, um bem haja.


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Entre o Céu e o Inferno - Vagos FM - viva a DEMOCRACIA!

Esta edição causou polémica.
Falou-se sobre uma coisa comum que é alguns militantes pagarem quotas a outros militantes... por simpatia e caridade o fazem de certeza e eu atrevi-me a colocar isso em causa.

Muitas reacções e más interpretações houve...
No entanto, se se ouvir atentamente, perceber-se-á que falo de ALGUNS(ALGUMAS) militantes.. não de TODOS OS MILITANTES!

Portanto os militantes que nunca fizeram a evidência (que toda a gente sabe existir e fazer-se) não têm que se sentir visado nesta denúncia. Os que sim, sem vergonha pagam quotas a outros militantes para... o que quer que seja... deviam ter vergonha!

Assim se percebe que Vagos tenha os 800 militantes que o PSD local apregoa. Já estamos a ver o tipo de militantes que temos...

Ainda há dúvidas porque está o nosso país, região e concelho na lástima que está?!... É a qualidade dos políticos que temos... os poucos que se aproveitam, são abafados pelas máquinas (de TODOS os partidos).



Agradecido por todas as reacções, principalmente as boas.
Às más agradeço as observações que me permitiram crescer como ser humano em sociedade.
Às insultuosas e às "esquizofrénicas", não tenho reacção, apenas respeito. A educação é de cada um!

Viva Portugal! Viva Vagos! Viva a Democracia!
Abaixo o medo político, a coacção, o tráfico de influências e a intimidação a terceiros.

Novos desenvolvimentos para breve.


Pedro Neto

PS: Este programa fala também da Cimeira China-EUA!







quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

"of THEE I SING" by Barack Obama

No dia em que fez o discurso do Estado da Nação, e como ninguém motiva as pessoas à esperança com a sua credibilidade (coisa que aqui não temos em política... a última moda são os políticos boys armarem-se de autoridade moral e dizerem aos colegas políticos "tenham vergonha".. esta gente não tem espelho para se ver??!)



Chegou pelo correio o livro de Obama que é uma carta às filhas, honrando 13 personalidades da História dos EUA e explicando-lhes que eram gente como nós e que fizeram a diferença.

Cada um de nós pode fazer a diferença...
Por vezes acomodamo-nos e não ousamos por mais, não arriscamos, não saltamos.

E só depois no fim da vida é que percebemos o quanto poderiamos ter sido felizes se arriscássemos o extraordinário!

Espero um dia ter também filhos a quem possa escrever:

"Have I told you lately how wonderfull you are?
How the sound of your feet
running from afar
brings dancing rhythms to my day?
How you laugh
and sunshine spills into the room?"

E uma esposa a quem dedicar:

"To Michele - whose fierce love and daily good sense have nourished such wonderfull daughters"










Gestão na Igreja: desafios e propostas






“Estais no mundo, mas não sois do mundo” (S. Paulo)

Vivemos num tempo de convulsão social. A Igreja sofre hoje na pele o facto de o Estado a ter usado e, agora que já não precisa, lhe cortar as bases. Refiro-me a muitos serviços. O que tem mais mediatismo, hoje, é o da educação.
Escrevo este texto como cristão e membro activo da minha Igreja. É em autocrítica que escrevo.

A parábola dos talentos premeia o servo que bem gere e multiplica os talentos dados pelo Senhor. Nós temos andado a enterrá-los e a guardá-los com medo. Empatamos decisões, adiamo-las, “engonhamo-las”- uma expressão nada boa de se escrever, mas muito boa de se dizer para o caso.

Nós Igreja, somos uns “parolos”. Oferecemos continuadamente a outra face, como idiotas. Temos condições para tanto e não fazemos nada, para ser mais exacto: pouco mais que nada. Deus deu-nos tantos talentos e não fazemos nada deles.
Vamos por pontos, de facto, por talentos:

1. A Diocese (entre padres, instituições, paróquias, secretariados, seminário, cúria, paço episcopal) é dona de uma frota automóvel imensa. Uma carteira destas qualquer marca de automóveis, qualquer agente de seguros lutava para a ter. Seriamos clientes interessantíssimos e conseguiríamos preços com enormes vantagens. Mas assim…
Tenho informação de que este assunto já foi lançado, mas ao que parece não deu em nada ainda. Os carros são apenas um exemplo entre tantos que poderia dar.

2. A Diocese gere e fornece milhares de refeições e serviços sociais por dia nas suas inúmeras IPSS. Há dois anos foi criada uma comissão que estudaria a possibilidade de uma central de compras – ficou escrito do plano diocesano da acção sócio-caritativa. Em que ponto está essa situação? Aguardamos novidades sobre esta questão, sobre o que está a ser feito e porque não se faz mais.
Independente dela, porque não faz a Diocese, através de leigos gestores e comprometidos uma central de compras e venda retalhista, que forneça as instituições da Igreja com bons preços e que venda também ao mercado normal?

3. Na educação e no trabalho sócio-caritativo, andámos muitos anos a gerir mal os dinheiros que o Estado nos dava. Fomos também despesistas e maus gestores. A própria colocação de alguns dos professores nos colégios católicos não foi transparente. Isso hoje, limita-nos imenso a autoridade moral que temos para reivindicar financiamento do Estado, do dinheiro que é de todos nós. Não fomos responsáveis com os talentos que nos foram dados.
O trabalho sócio-caritativo é tão disperso, algumas instituições até se atropelam, e insistimos no assistencialismo dependente e não damos o passo seguinte para a capacitação e empoderamento dos pobres, para que eles o deixem de ser! Porquê? Queremos manter os nossos empregos? É esse o objectivo primeiro da nossa acção caritativa ou é o outro, o pobre que tem de o deixar de ser? O que nos diz o evangelho?
Não devemos ser apologistas da esmola dos fiéis ou dos subsídios contínuos do Estado. Isso é uma ilusão que uns anos depois ou antes, termina. Ou seja, os projectos têm de ser sustentáveis do ponto de vista financeiro, têm de ser geridos, nem numa lógica despesista, nem lucrativa, mas sustentável para manutenção e, se possível, para crescimento!

4. O Papa recentemente criou a Autoridade de Informação Financeira (http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=83530). E se houvesse igual transparência nas contas diocesanas e paroquiais? Sei por experiência própria que as instituições são geridas com boa vontade, quase sempre sem tempo. Por que não tirar tempo para lidar bem com as contas e apresentá-las de modo transparente? Tudo, desde o quanto se recebe do Estado para a maior IPSS da Diocese, até ao que o padre da paróquia da minha pequena aldeia de Santa Catarina cobra por baptismos ou funerais ou procissões. Quanto ganha em bruto um padre? Alguns muito… outros quase nada. É injusto isso.
Seguimos tanto o Papa nalgumas coisas, noutras, não é connosco. Os dinheiros do fundos diocesanos, como são geridos? Como são investidos? São-nos em acções eticamente responsáveis? O certo é que provavelmente são e confio plenamente que são, mas de facto que não sabemos! A transparência é pedida, mas não é dada.

5. Porque não investimos em criar empresas fornecedoras da Diocese? Empresas que sejam exemplos morais correctos, à luz do corporativismo cristão proposto por Paulo VI que sugere nem capitalismo, nem comunismo, mas um sistema justo que distribua a riqueza pelos trabalhadores! Um sistema que estabelece uma empresa que distribui os lucros pelos seus trabalhadores, pelos que fizeram a empresa ter sucesso e não apenas por accionistas invisíveis e especuladores (a grande causa da crise que vivemos e começou em 2008).

6. O Correio do Vouga... o jornal conhecido como “o jornal de Aveiro” por muitos anos. Desde há cerca de um ano, o triste desaparecimento do semanário “O Aveiro”, deixou um nicho aberto para o Correio do Vouga ser o único semanário de Aveiro, podendo tornar-se um órgão de comunicação social abrangente, em larga escala, como a Rádio Renascença o é a nível nacional. O Correio do Vouga pode e deve-se tornar um órgão de comunicação social de referência, um jornal de investigação, de reportagem, de notícias, continuando sempre a ser o que já é hoje: o Jornal da Diocese. Pode mesmo assim ser um exemplo de sucesso comercial, com receitas em publicidade e cumprindo a obrigação de informar, de ser referência. Porque não damos o salto?! Porque não colocamos a render os talentos que nos foram dados?!


A gestão em geral, e especialmente na Igreja, deve ser feita com competência, feitas por leigos profissionais nessa área, libertando os padres para a pastoral que é a sua verdadeira missão.

Urge recuperarmos autoridade moral; urge que sejamos exemplo em todas as frentes da sociedade para que assim sejamos farol. Evangelizar não é só dizer como se tem de fazer. É sobretudo, mostrar como se faz e isso é centralidade na pastoral, e em redor dela, a sustentabilidade.

“A Deus o que é de Deus, a César o que é de César”. Para sermos farol, não temos de falar de luz. Temos de mostrar luz.

in ::Correio do Vouga:: edição de 26 de Janeiro de 2011

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Jesus queria mudar o mundo, mas não sabia nada de estratégia para isso...



" (...) Quando se chega a uma localidade para abrir um negócio, quais são as coisas que se fazem logo?!

- fazer-se amigo dos políticos, dá jeito.
- fazer-se amigo dos bancários, para financiamento, dá jeito.
- fazer-se amigo da comunicação social, da publicidade... dá jeito ao negócio.
- Fazer-se amigo, em suma, das pessoas importantes e bem colocadas socialmente, nem que sejam só aparências...

Jesus Cristo não percebia nada de estratégia: dava-se com os publicanos, com prostitutas, com gente de má linha, gente pobre e humilde, dava-se com Zés ninguéns, John Doe's do tempo, samaritanos e pastores (as minorias discriminadas da altura)... Chegava aos templos e desfazia as bancas de comércio sem misericórdia. Seria impetuoso e forte?! Enérgico?.. o impressionante é que seria também um conciliador e motivador nato! Que mistura complicada!

Desafiava os saberes de entao, os fariseus especialistas doutores... ele um filho de carpinteiro! Parvo... diriamos hoje. Parece que não sabia remeter-se ao seu lugar. Era um incómodo. Devia medir pouco as consequências quando acreditava em alguma coisa. Tão certo é isso que.. acabou condenado à morte.

... e queria mudar o mundo desta maneira?!...(...)"


Aposto que até ia a reuniões nas reitorias de então, de t-shirt e sapatilhas... era apanhado desprevenido assim, sem mais nem quê quase de certeza e a reacção devia ser rir-se, a bom rir, dele próprio e das ilusões do mundo...


Mesmo assim... mudou o mundo, e continua a mudar todos os dias cada vez que alguém dá a mão a outro alguém.


* texto transcrito entre aspas corresponde a excerto (de memória) da homilía do Luís Francisco, pároco de Cantanhede, ontem Domingo.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

What if Church Marketed Like a Starbucks?!...


Hoje numa aula, a falar com os alunos (jovens, boa gente, equilibrados) sobre irem à missa, à Igreja. E a resposta sincera foi um "não me diz nada".

De facto, há paróquias, comunidades (principalmente as maiores) que não são acolhedoras, que não acrescentam nada de muito válido a gente que seja preenchida e espiritualmente desafiadora.

Anda-se devagar e a culpa não é só "dos padres". É de todos os que lá andam, o espírito com que lá andam, a profundidade com que lá andam.
De facto há missas que... entra-se e sai-se igual (espiritualmente) ou com mais frio e sono (fisicamente). A missa ser uma festa é um conceito bonito, mas na nossa Europa isso está longe de ser vivido.

E é tão óbvio quanto este vídeo...

sábado, 25 de dezembro de 2010

Merry Christmas, merry Peace...


"(...) Because this is the season when we celebrate the simplest yet most profound gift of all: the birth of a child who devoted his life to a message of peace, love, and redemption. A message that says no matter who we are, we are called to love one another – we are our brother’s keeper, we are our sister’s keeper, our separate stories in this big and busy world are really one. (...)"

Barack Obama

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Feliz Natal e um grande ano de 2011!







Um Bom Natal a todos...

e, já agora...

Um bom ano de 2011!...

Confesso que tenho um problema com passagens de ano. É que adoro o mês de Dezembro e a passagem de ano, marca invariavelmente o fim de Dezembro. Mas este ano, estou ansioso que o calendário mude e que chegue 2011. Tenho a sensação de que será um grande ano, infinitamente melhor que este que está a passar! Cheio de projectos (não muitos, mas alguns muito bons) e entusiasmo renovado, força e energia para pegar de novo no leme e fazer o veleiro rasgar as águas, sejam elas calmas, sejam elas tumultuosas. O que vier aí...

... estamos preparados!


Que nunca nos falte o sorriso deste Pai Natal... e já agora... a Coca Cola Nossa de Cada Dia!










* Recolha de fotografias do Pai Natal em campanhas de Natal da Coca Cola feita por António Neves (obvious blog)

Entre o Céu e o Inferno - Vagos FM

domingo, 19 de dezembro de 2010

Natal Laicista?!

O cristianismo está fora de moda, as escolas públicas não deviam dar expressão plural às religiões e filosofias dos cidadãos...

Então o que celebram (ou melhor, porque celebram) o Natal aqueles que nao acreditam e pior, criticam quem acredita em alguma coisa?!

Se eu fosse PM... havia os feriados civis para todos e tolerância de ponto para as solenidades religiosas para os cidadãos do país que fossem desta ou daquela religião, devidamente reconhecida...

e pronto... até a Economia ganhava com isto! Isto sim, seria um Estado Laico e promotor de pluralidade em vez da carneirada que todos querem... tantos os fanáticos religiosos, como os empalados laicistas que criticam tudo e todos, menos quando não dá jeito pessoal!


Agora... criticar o ensino privado cristão, criticar os retrógrados dos cristãos, criticar que na escola haja voz e lugar de educação para valores cristãos, judeus, hindus, muçulmanos (esvaziar a escola de valores) e depois ir celebrar o Natal?!...

Não vejo sentido...

Ah, desculpem... é a festa das famílias, dizem eles...

Festa das famílias é todas as noites, todos os jantares em casa, todos os serões, todos os Sábados de manhã preguiçosos, todos os sábados de tarde de actividades giras, todos os Domingos...



Nota desnecessária:
Defendo acerrimamente da Laicidade do Estado, da sociedade. Todos devem ter voz e liberdade para viver conforme as suas crenças e em respeito aos outros.
Sou crítico acérrimo do 'laicismo' actual... uma forma de silenciar tudo o que é diferente de mim ou que não me interessa... A maçonaria é hoje o expoente máximo dessa empaladez (palas dos burros e cavalos) que não são melhores que os que usavam a Igreja para controlo dos outros na Inquisição. Agora nao queimam ninguém na fogueira.. mas queimam de outras maneiras, em lume brando.. destroem as pessoas também..

Feliz Natal... mesmo a esses!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Let's make the light brighter!




This is the time to finish what you started
And this is no time to dream
This is the room
We can turn off the dark tonight
Maybe then we might see

And this is the ground
That keeps our feet from getting wet
And this is the sky over our head
And what you see depends on where you stand
And how you jump will tell you where you're gonna land


My oh my
Couldn't get much higher
Lets not kick out the darkness
Make the light brighter

And these are the hands
What are we gonna build with them?
This is the church you can't see
Give me your tired, your poor and huddled masses
You know they're yearning to breathe free


When you get to the top of the mountain
Will you tell me what you see
If you get to the top of the mountain
Remember me

sábado, 4 de dezembro de 2010

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Política do Património no Concelho de Vagos

Vagos necessita urgentemente de um projecto sério para potenciar a região através do seu património histórico, cultural e arqueológico. Precisa, não por capricho, mas por necessidade económica, por este ser um cluster desaproveitado por todos até hoje. Facto que remete o nosso Concelho para a condição de satélite dos Concelhos de Ílhavo, Aveiro, Mira e Cantanhede.

Vagos tem um potencial turistico de praia, cultura e património sucessivamente adiado pela ignorância dos nossos políticos, e com isso, os prejudicados não são eles, mas as pessoas que vivem e trabalham em Vagos.

Vemos sempre adiado o potencial económico um bom projecto de reabilitação cultural, histórica e arqueológica viria acrescentar e potenciar ao nosso turismo de meio rural. Adia-se a criação de empregos nesse cluster. E temos em Vagos património que Ílhavo (a nossa grande concorrente no turismo de praia) não tem! O nosso turismo poderia ser mais que a praia de Verão, podia ser a Cultura rural, ligada mesmo à agricultura, a História, o Património Arqueológico, todos eles vivos durante todas as épocas do ano e fontes de riqueza educacional e financeira.

E o Concelho, por falta de visão estratégica e financeira dos nossos políticos (executivo por falta de visão, e oposições por falta de visão critica), vai ficando para trás, vai ficando mais pobre, vai investido apenas em zonas industriais (daqui a uns anos viveremos com fábricas em vez de pinheiros à volta. Como se as fábricas fossem a única coisa a dar empregos).

A cultura também rende dinheiro, o turismo rural, a praia, a arqueologia, o património podem ser consumidos por quem vem de fora. Podem gerar riqueza para nós, mas é preciso investir nisso!

Fazer uma casa museu aqui, outra ali, defender que a demolição da casa dos Margaças é demolida, mas tem de ser acompanhada e recolhido algum artefacto que por lá se veja para depois se guardar nalgum lado, não tem grande valor. É pouco manifestamente. É pouco ter um museu com peças avulso que as pessoas recolhem e pensam que têem tesouros em casa. Uma peça sozinha não vale nada. É preciso faze-la falar, dar-lhe vida e isso faz-se com projectos de sistematização, com engenho e visão estratégica e politica.

Por isso, infelizmente, venha lá abaixo a casa, porque o problema não são as paredes de adobe.. É muito mais grave: somos nós todos que estamos a vir abaixo porque deixámos de ser ousados na nossa visão das coisas.



in jornal "O Ponto"

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A Cimeira da NATO não seria necessária..

São apenas 10h da manhã e creio que já vivi um grande momento do dia.

Sou daqueles alérgicos detectores de ácaros super-eficientes... começo logo a espirrar. Quase sempre ando com lenços, mas hoje, não trouxe... é raro isso, mas talvez seja fruto de andar há bastante tempo sem alergias...

Saí da aula para pedir um lenço, mas, não encontrando nenhuma funcionária que os tivesse fui ao wc ao papel higiénico...

Volto à sala de aula, e pouco depois, uma funcionária, uma heroína com uma história de vida daquelas difíceis, enviuvou e criou os filhos sozinha, com um emprego modesto, já cá trabalhava na escola quando eu era aluno... bateu à porta da sala...

Tinha ido à reprografia comprar um pacote de lenços de papel para me dar...

O mundo precisa de gente como a Dª Custódia... se fossemos todos assim, a NATO que faz a sua cimeira cá este fim de semana para discutir cortes nas despesas... podia deixar de exisitir! Não faria falta!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Escuta as vozes da terra


Durante a infância, o meu avô era o meu melhor amigo. Quando estávamos juntos, tudo me parecia perfeito.
Gostávamos ambos de passear pelos bosques. Nunca íamos muito longe, nem andávamos muito depressa. Escolhíamos caminhos sinuosos. Enquanto caminhávamos, eu fazia imensas perguntas:
― Avô, porque é…?
― O que se passaria se…?
― Será que às vezes…?
Um dia, perguntei:
― Avô, o que é uma oração?

O meu avô ficou em silêncio durante muito tempo. Quando chegámos junto das árvores mais altas da floresta, respondeu-me com uma pergunta:
― Alguma vez ouviste o murmúrio das árvores?
Pus-me à escuta, atento, mas foi em vão.
― Vê como as árvores sobem até ao céu. Tentam subir sempre mais. Querem chegar às nuvens, ao sol, à lua e às estrelas. Procuram elevar-se até ao céu.
Pensei nas árvores, procurei ouvi-las. Enquanto reflectia, sentei-me numa rocha velha, coberta de musgo. O meu avô explicou:
― As rochas e as montanhas também falam connosco. A sua calma e o seu silêncio inspiram-nos tranquilidade.
Depois de ter reflectido durante bastante tempo, peguei numa pedra e coloquei-a no meu bolso. Caminhámos um pouco mais, até junto de um ribeiro. A água borbulhava, cintilava, e viam-se pequenos peixes a nadar.

― Avô, os ribeiros também murmuram?
― Claro. Bem como todos os lagos, rios e cursos de água. Às vezes, correm tranquilamente. Espelham as nuvens, os pássaros, o sol ou as estrelas. Outras vezes, escoam-se em redemoinhos, lançam-se no mar ou evaporam-se no céu. E o ciclo recomeça… Também se riem e divertem com os seus amigos rochedos. Dançam, saltam, tornam a cair…Mas a natureza conhece outras formas de se exprimir. As ervas altas procuram o sol e as flores exalam o seu perfume doce. Quanto ao vento, sussurra, geme, suspira, e sopra-nos as suas palavras. Escuta o canto dos pássaros de manhã cedo, escuta o seu silêncio antes do nascer do sol. Consegues ouvir a melodia do pintarroxo ao cair da tarde? Os animais correm pela floresta, tornam-se reluzentes com a água, escalam montanhas, voam até às nuvens, ou refugiam-se na terra. É assim que todos os seres vivos participam na beleza do mundo…
Calámo-nos os dois. O meu avô olhava o horizonte e eu reflectia no que ele me tinha dito sobre as rochas, as árvores, a erva, os pássaros e as flores. Acabei por lhe perguntar de que modo rezavam os homens. O meu avô sorriu e passou-me a mão pelos cabelos.

Respondeu:
― Tal como a natureza, os homens têm a sua linguagem própria. Podem inclinar-se para cheirar uma flor, ver o sol despontar no horizonte, sentir a terra mover-se docemente, ou saudar o dia que começa. Pode-se passear num bosque coberto de neve num dia de Inverno e ver o próprio sopro confundir-se com o sopro do mundo. A música e a pintura são também formas de expressão, de linguagem…. Às vezes, sentimo-nos tristes, doentes ou isolados. Então, repetimos as palavras que os nossos pais e avós nos legaram. Mas é preciso que cada um encontre as suas próprias palavras. O que é importante é dizer o que verdadeiramente se sente, o que nos vem do coração.

Passado algum tempo, o meu avô disse que eram horas de regressar.
Mas eu tinha uma última pergunta:
― Será que há respostas para as nossas orações?
Sorriu.
― Se as escutarmos atentamente, as orações contêm as suas próprias respostas. Nós somos como as árvores, o vento e a água. Não podemos mudar o que nos rodeia, mas podemos mudar-nos a nós mesmos. É evoluindo que transformamos o mundo.

Depois deste passeio, ainda voltámos a passear juntos. De cada vez, tentei escutar as vozes da terra, mas creio que nunca as ouvi. Um dia, o meu avô deixou-nos. Continuei a pensar nele com todas as minhas forças, mas ele não voltou. Não podia voltar. Rezei até mais não poder. Depois, deixei de o fazer. Sem ele, tudo me parecia sombrio. Sentia-me muito só.

Alguns anos mais tarde, durante um passeio, sentei-me debaixo de uma árvore enorme. Os ramos mexiam e as folhas sussurravam. Ouvi o murmúrio de um ribeiro e o canto de um pintarroxo, pendurado numa madressilva. Ouvi também um ligeiro sussurro, misturado com o sopro do vento, com o canto dos pássaros e com o marulho da água.

Tal como o meu avô me ensinara, a terra falava comigo. Então, também eu murmurei, docemente:
― Obrigado pelas árvores grandes e pelas flores, pelos rochedos e pelos pássaros. E, sobretudo… obrigado pelo meu avô!

Foi então que algo aconteceu.
Senti – outra vez – o meu avô perto de mim…
E, pela primeira vez desde há muito tempo, tudo me parecia perfeito.

Douglas Wood
Grandad’s Prayers of the Earth
Paris, Gründ, 2000
(Tradução e adaptação
)

Publicar mensagemAC - Contadores de Histórias

sábado, 14 de agosto de 2010

'Cause This is Africa



Foi duro desta vez, como se tivesse levado pancada a valer.
Mas aprendi como dantes, sempre olhares novos, sentires novos, problemas velhos e uma vontade de lutar que incomoda, mesmo os que de tantos sonhos caídos desanimam para o re-erguer.

Os climas são teimosos... mas hão-de mudar.



Obrigado África - mais uma vez - pela insistência em nos obrigares a parar, sentar e ver as coisas, a sentir no tempo, o peso que por ele perpassa, mesmo que a inquietude que nos rapa a pele cada vez que sossegamos e nos desprendemos de coisas materiais, ficando vazios, sem nada a não ser o olhar e o suor que de lá escorre pela cara abaixo.

Os que ousam serão cada vez mais.
A Esperança será cada vez mais, e a Justiça e a Paz hão-de-se instalar.
A estabilidade dará enfim, lugar à prosperidade. Fome, sede, mão estendida com a dignidade voltada ao chão, será coisa do passado.


This is Africa, This is your time.
Hope...

"when you fall, [always] get up,
And if you fall again, get up..."






You're a good soldier
Choosing your battles
Pick yourself up
And dust yourself off
And back in the saddle

You're on the frontline
Everyone's watching
You know it's serious
We're getting closer
This isnt over

The pressure is on
You feel it
But you've got it all
Believe it

When you fall get up
Oh oh...
And if you fall get up
Oh oh...

Tsamina mina
Zangalewa
Cuz this is Africa

Tsamina mina eh eh
Waka Waka eh eh

Tsamina mina zangalewa
Anawa aa
This time for Africa

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Hoy es un hermoso dia...

A mensagem nós temo-la...

... mas por vezes, não a sabemos fazer passar e chegar ao destino.


A energia que move a vida e o mundo - naquilo que é mais fundo - são as relações humanas, e o veículo delas é a Comunicação.
Deviamos, por isso, dedicar-lhe mais tempo.
Mais tempo a aprimorar o modo como interagimos, o modo como chegamos ao entedimento do outro, o modo como comunicamos com ele.

Seja no trabalho, na empresa, na família, na equipa, no partido, no grupo de amigos... seja no que fôr...




Come Up - Very soon... Moving Up the way you Communicate