quarta-feira, 9 de abril de 2008

Um outro mundo para os meus alunos

Eu sou professor. Talvez isto já condicione a leitura, talvez já fique por aqui.
Se continua, obrigado pelo crédito e ao menos, o benefício da dúvida.
A Educação é assunto por excelência, de cooperação e de desenvolvimento. Enquadra-se neste espaço portanto.
À luz da convenção dos Direitos da Criança, o direito à educação é um dos grandes. Está directamente associado ao meta-direito humano do Desenvolvimento. Ele é, de facto, fundamental para o pleno desenvolvimento da personalidade humana enquanto indivíduo e enquanto ser que compõe a comunidade.
A escola de hoje não valoriza esse direito à educação. Ela é intelectualista e instrumentalista. Desvaloriza os saberes que constroem a personalidade da pessoa humana, remetendo-se às necessidades da economia e do mercado.
É ainda o espelho social da sua realidade, uma micro-sociedade, em si mesma e em cada sala de aula. Espelha o que traz da rua e de casa projectando o que será o futuro.
Tem os problemas sociais que a sociedade têm. Tem os avanços que a sociedade tem. Tem a dinâmica que a sua comunidade tem.
Não pertence a nenhum grupo específico. A escola também não é dos professores ou dos políticos que lhe querem dar rumo. A escola não é dos pais, não é dos alunos. Não há a escola dos ricos, dos pobres, dos teóricos que prosseguem estudos, não há a escola dos técnicos que vão para o profissional. Não há a escola do presidente da associação de pais, ou da mãe que sai cedo para a fábrica e regressa tarde depois do segundo emprego nas limpezas.
Há a escola da comunidade! De todos nós! Ninguém é culpado ou inocente das suas limitações porque todos somos implicados para as soluções.
Se houver um trabalho social forte, os problemas da disciplina são resolvidos. Se houver confiança, sentido de Estado e de Comunidade, perceberemos a educação como uma responsabilidade comum, como uma Missão de todos e deixaremos de perder tempo a preencher papéis que nos salvaguardem de possíveis ameaças futuras. Deixaremos o braço de ferro e passaremos de facto à Educação.
Frequentemente, nas aulas penso em qual será o mundo que deixarei aos que tenho à minha frente. Penso no meu testemunho de vida e no mundo que me foi deixado a mim e aí, o discernimento é claro: tenho de os ensinar a pensar, a formar grupo e a sonhar com um outro mundo, onde os jogadores da mesma equipa joguem todos para o mesmo lado… o das soluções.
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O AVEIRO
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