sexta-feira, 24 de abril de 2009

Já chega de Solidariedade

Neste tempo vemos muitos números nas notícias económicas. A queda dos preços que preocupa toda a gente (agentes económicos), quando à partida todos (consumidores) queremos tudo quanto mais barato melhor! Antes, o petróleo estava alto e por consequência também o combustível. Agora está mais baixo e estamos em crise. A inflacção é negativa pela primeira vez numa vintena de anos o que pode gerar em deflação o que pode gerar em crise (outra? Mas já estamos em crise!) Com efeito, com vinte e nove anos de idade, desde que acabei o primeiro curso e entrei para o mercado de trabalho não recordo nenhum momento que o Banco de Portugal não falasse de crise.

Se consumimos muito, somos uma sociedade consumista. Se não consumimos, a Economia estagna. Não há nada a fazer... nunca estamos bem e o problema é sempre o mesmo: o Sistema... das coisas.

Sempre houve pobreza e miséria, sempre houve quem lutasse contra ela. Sempre houve uma manifestação ou outra, seja com cartazes de algum sindicato, seja alguma vigília com velas silenciosas, recordando a luz à noite. Sempre houve gente a viver bem. Sempre houve gente a viver mal. Sempre houve necessitados, sempre houve quem fosse suprindo a necessidade dos necessitados.

A crise, a tal de que todos temos uma ideia mesmo sem saber muito bem de onde veio ou para onde vai, sem saber por onde a sentir e apenas a observar, faz-nos mal. Instala-nos de mão ao queixo. Ficamos impotentes e lamurientos. Criticamos este e aquele político ou o patrão para os que têm sorte de o ter.

Somos solidários com a tristeza e com os outros, os que sofrem sempre mais com as crises, os pobres. Os pobres que o ano passado não podiam comprar cereais porque aumentou a procura pelos biocombustíveis e, consequentemente, o preço. Esses mesmos pobres continuam a não poder comprar este ano, mesmo com o preço dos cereais a diminuir, porque estão mais pobres. E pobres, sejam os de Portugal, África ou até os do Brasil que já é, historicamente, credor do FMI.

Andamos sempre nisto, nos desequilíbrios do nosso sistema. Especulamos valores para cima. É natural que eles voltem ao seu lugar e os preços de tudo baixem. O que não é natural é continuarmos a vida, sendo apenas solidários, ou assistencialistas, ou apenas lamurientos.

Não podemos continuar a tratar o ser humano que está no lado de baixo do nosso jogo da riqueza como pobre de estimação o parente esquecido a que nem sempre podemos atender porque também estamos mal. Não podemos não aproveitar esta oportunidade de mudança, não podemos não mobilizar forças mundiais, nacionais, locais! Se o outro sofre, mais cedo ou mais tarde, as consequências chegam cá.

Da solidariedade, temos de passar à fraternidade (do lat. frater . irmão).
Temos de ver o Outro como um irmão. Como alguém em quem não temos de passar por cima ou atropelar para ganharmos mais ou irmos mais longe. Temos de ver o Outro como alguém com a mesma humanidade que nós, e CAMINHAR soluções em conjunto para que a pobreza e os problemas desta economia com poucos valores éticos possa ser por fim, mais humana e contemplar toda a gente na prosperidade. Talvez entao deixemos de falar da crise.
:: O Aveiro::

3 comentários:

  1. que post tão grande pá!! ;)

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  2. O inicio da historia da acção humanitaria começou a ser escrita com a caridade. durante seculos, simplesmente com a caridade... depois "ditos senhores" (conhecidos por burgueses) la introduziram o conceito da beneficia (em beneficio de) indo por terra a com_paixão. Recentemente grandes pensandores criam teorias: do desenvolvimento, do crecimento economico, da modenização, a globalização,... e a pobreza passa a ser um indicador. de? De desenvolvimento... e a acção Humanitaria?! tem contexto, tem normas, tem burocrasia...
    o que teria acontecido se a acção humanitaria se tivesse mantido no seu conceito inicial e rudimental?! teriamos a tal fraternidade?

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  3. Passei e gostei de ler... vou voltar mais vezes.

    Beijinho.

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