sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Gente de Causas... Adoro Aveiro!



Era um fim de tarde de Outubro. Já se notavam as noites maiores para lá da janela da sala, mas o calor continuava como no Verão. A turma ouvia o professor com atenção explicar a diferença entre um politólogo e um politico. Estávamos nas primeiras aulas do ano.

Muita gente há-de associar o exemplo dado ao professor que o deu, cativante na oratória e um futuro brilhante da nossa universidade. Quase toda a gente quando ouve uma história se posiciona nela. Naquela sala, todos fizemos o mesmo, mesmo que inconscientemente. ‘Um politico é como um astronauta. Vai ao espaço. Um politólogo é como um astrónomo. Estuda observando’.

Sonhador por defeito, confundo ingenuidade com audácia muitas vezes e pensei, naquele momento que talvez preferisse ser astronauta, um fazedor em vez de observador, queria arregaçar as mãos e tentar mudar as coisas. A mim, à minha volta, no meu mundo e no mundo que é nosso. É um sonho grande para alguém como eu.

Mas foi essa a educação que recebi em casa. Foi a linha de pensamento que aprendi nos bons anos passados no Seminário de Aveiro ouvindo e vendo exemplos dos bons mestres que lá me formaram. Tentar ver outros caminhos. Somos todos políticos nesse aspecto. Andamos no mundo, andamos na vida e em várias frentes ‘politicas’, aqui com o sentido nobre e não-convencional do termo: fazer o mundo um sítio melhor, seja em casa, seja no grupo da Igreja, no grupo de teatro, no clube recreativo, na escola, na ONG, na empresa socialmente responsável, onde for que estivermos.

Noutros trabalhos da vida vi-me muitas vezes invejar e criticar a plenos pulmões os políticos (convencionais) porque eles têm meios para fazer o que muitas organizações da sociedade civil tentam fazer sem meios alguns. Têm o poder de com uma assinatura fazerem ou não a paz, de disponibilizarem ou não fundos para acabar com a fome, de promover a justiça social, de construir programas sustentáveis de combate à pobreza. A lista não acaba.

O José Costa é daquelas pessoas que inspira, pela sua simplicidade e pela sua discrição, pelo jeito com que lida e congrega as pessoas em torno de um propósito. Uma arte que já não se vê muito por aí. Inspira pela sua competência, eficiência e eficácia naqueles sítios por onde passou na sua vida profissional como gestor, inspira porque propõe acção em vez de falatório, aquele mais do mesmo que já não suportamos ouvir na cassete riscada da maioria dos políticos.

A critica de fora é fácil mas não o poderia continuar a fazer de boa consciência se não assumisse fazer a minha parte, quando sou chamado a isso, com este grupo que ele montou, gente de causas, que mais não quer que o melhor de Aveiro e o que querem fazer, querem fazê-lo incluindo toda a gente, ricos, pobres, instruídos da academia e instruídos da vida, novos, mais velhos, conservadores ou progressistas, Aveirenses de nascimento ou Aveirenses de imigração. Ajuntamentos destes só podem dar bons resultados.

É um privilégio poder estar num grupo que mais não quer que potenciar todos para bem de todos e de Aveiro.

Que mais não quer que deixe de haver gente a viver em barracas no nosso Concelho e que precisa não de uma casa mas de uma oportunidade para lutar e trabalhar para conseguir um lar condigno.

Que mais não quer que proporcionar mobilidade às pessoas e aos bens e às ideias e que nessa mobilidade física, se não houver um estacionamento, que haja uma boa rede de transportes públicos.

Que mais não quer que potenciar o génio das pessoas de Aveiro, dar-lhes condições para que construam um concelho dinâmico, nas ideias e nos projectos inovadores para que a globalização local seja partilha de bens e de esforço em prol de todos.

Que mais não quer que dar às nossas crianças condições melhores que as que os seus pais tiveram, numa escola equipada com aquilo que é preciso para crescer com a esperança de um grande futuro.

Sei que não vamos mudar o mundo. Mas Aveiro é um bom sítio, o nosso sítio, para fazermos nele a nossa parte de construir um mundo melhor, mais justo, de valores de solidariedade e oportunidade para todos.

Não podia não dizer presente a mais um desafio. Pensei na ORBIS. As pessoas poderiam pensar q era partidarizá-la. Mas uma coisa sou eu cidadão, outra coisa sou eu na ORBIS. São compartimentos fechados, apesar de as causas da ORBIS serem as mesmas da Politica nobre. A ORBIS é apartidária, sempre será. Os membros da ORBIS sempre votarão como e em quem quiserem. Confesso que o facto de outra pessoa da ORBIS ser também candidata por um outro partido me descansou quanto a más interpretações possíveis das pessoas.

Um desafio destes tem de ser corrido. Devemos fazer de todos os meios de ser voz dos sem voz e de colocar as vozes desses em coro com estas vozes de gente de causas e que ousa propôr, não contra este ou aquele, mas com absoluto respeito por todos e sempre, a favor de Aveiro e de todas as Pessoas de Aveiro e da nobreza perdida da sua Politica.

Acreditamos nas pessoas, no futuro, nas equipas... e é isso que é preciso em Politica, aquela que se quer Nobre e de causas...

Gente que acredite, gente com causas! Gente que Adore Aveiro!

Pedro Neto

(membro da lista à CMA ADORO AVEIRO – PS, escrito com a liberdade que o praticamente não elegível 7º lugar permite)




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