quinta-feira, 5 de novembro de 2009

o poder local e o clientelismo

O poder local é umas das coisas mais bonitas da Democracia. É a base da ideia de que as pessoas decidem o seu futuro, o seu caminho comum, aquilo que sonham para os seus e para a sua comunidade.

Infelizmente, talvez movidos por uma sociedade de consumo, em que vale mais o Ter do que o Ser, alguns estudos no campo da ciência politica demonstraram que o comportamento eleitoral local se move mais pelo clientelismo do que pela noção do Bem Comum, pelos favores que pela nobreza da causa de todos.

Wantchekon, um politólogo africano, tem estudado este fenómeno, fazendo algumas inimizades por aferir que o clientelismo, em deterimento do Bem Comum, afecta sobremaneira o Desenvolvimento.

A alienação que a politica provoca na maioria das pessoas promove ainda o clientelismo. Quem já não andava farto de ver cartazes e ouvir tempos de antena e carros com gramofones em cima? Quem dos políticos não ouviu impropérios, uns mais justos outros não tanto, à sua passagem em campanha (não raras vezes, alguns só lá passam mesmo de 4 em 4 anos)?

Ainda, no exercício da gestão pública não há de facto muita transparência, não há envolvimento dos cidadãos, as autarquias e os governos não procuram buscar nas pessoas ideias ao longo do tempo. Às vezes parece mesmo não lhes convir, o que pode levar a assumir que de facto existe clientelismo, que existem adjudicações aceleradas com critérios duvidosos e que os ajustes directos, de figura legal de recurso passam a norma, sendo que o voto passa a declaração formal do quero continuar a ter “trabalhos”.

Cabe-nos a nós agora, pensar se o mesmo estudo tem cabimento na nossa realidade e daí aferir a saúde, a Liberdade e a Justiça da nossa Democracia.

:: in jornal 'O Ponto' ::

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