quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Política do Património no Concelho de Vagos

Vagos necessita urgentemente de um projecto sério para potenciar a região através do seu património histórico, cultural e arqueológico. Precisa, não por capricho, mas por necessidade económica, por este ser um cluster desaproveitado por todos até hoje. Facto que remete o nosso Concelho para a condição de satélite dos Concelhos de Ílhavo, Aveiro, Mira e Cantanhede.

Vagos tem um potencial turistico de praia, cultura e património sucessivamente adiado pela ignorância dos nossos políticos, e com isso, os prejudicados não são eles, mas as pessoas que vivem e trabalham em Vagos.

Vemos sempre adiado o potencial económico um bom projecto de reabilitação cultural, histórica e arqueológica viria acrescentar e potenciar ao nosso turismo de meio rural. Adia-se a criação de empregos nesse cluster. E temos em Vagos património que Ílhavo (a nossa grande concorrente no turismo de praia) não tem! O nosso turismo poderia ser mais que a praia de Verão, podia ser a Cultura rural, ligada mesmo à agricultura, a História, o Património Arqueológico, todos eles vivos durante todas as épocas do ano e fontes de riqueza educacional e financeira.

E o Concelho, por falta de visão estratégica e financeira dos nossos políticos (executivo por falta de visão, e oposições por falta de visão critica), vai ficando para trás, vai ficando mais pobre, vai investido apenas em zonas industriais (daqui a uns anos viveremos com fábricas em vez de pinheiros à volta. Como se as fábricas fossem a única coisa a dar empregos).

A cultura também rende dinheiro, o turismo rural, a praia, a arqueologia, o património podem ser consumidos por quem vem de fora. Podem gerar riqueza para nós, mas é preciso investir nisso!

Fazer uma casa museu aqui, outra ali, defender que a demolição da casa dos Margaças é demolida, mas tem de ser acompanhada e recolhido algum artefacto que por lá se veja para depois se guardar nalgum lado, não tem grande valor. É pouco manifestamente. É pouco ter um museu com peças avulso que as pessoas recolhem e pensam que têem tesouros em casa. Uma peça sozinha não vale nada. É preciso faze-la falar, dar-lhe vida e isso faz-se com projectos de sistematização, com engenho e visão estratégica e politica.

Por isso, infelizmente, venha lá abaixo a casa, porque o problema não são as paredes de adobe.. É muito mais grave: somos nós todos que estamos a vir abaixo porque deixámos de ser ousados na nossa visão das coisas.



in jornal "O Ponto"

1 comentário:

  1. Pois, enquanto os políticos não olharem para a cultura (e para o que lhe está associado) e a perceberem como um factor decisivo para desenvolvimento do território não vamos longe. E nesse aspecto em Vagos ainda não passámos da estaca zero. Olhemos para o exemplo de Ílhavo. O investimento para o próximo ano nesta área é considerável, as iniciativas estruturantes e vamos rapidamente começar a ver retorno. Eles por lá já perceberam por onde é o caminho. Não haja ilusões: a cultura e o turismo são a nossa âncora do futuro e mais tarde ou mais cedo vamos ter que nos agarrar a ela. Acho é que um belo dia, quando Vagos decidir acordar, já não há âncora.

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