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| Ambiente de magia que causa felicidade a milhões de pessoas. O bom desporto faz isso. Aproxima-as, dá-lhes alegria, pode proporcionar momentos de fraternidade, família, de paz. |
A seguir à invenção da roda, uma das maiores
invenções deve ter sido a bola. O desporto.
Passamos a vida a correr em busca de alguma
coisa. Temos de estudar ou trabalhar ou sacrificar-nos para providenciar o
modo de vida da nossa família e o nosso, mesmo que poder vezes se façam coisas
sem sentido.
A economia segue com regras pouco claras onde
por vezes a justiça e a ética não abundam. Noutras geografias, onde a guerra
não é económica, mas aberta, com armas de fogo, a falta de justiça é evidente.
Hoje, o número de refugiados atinge recordes neste século e no mundo pós 11 de
Setembro. Cerca de 50 milhões de pessoas.
Há um mês atrás, a Federação de Futebol
do Afeganistão ganhou a Bola de Ouro da FIFA pelo seu fair-play. Quase diria,
uma espécie de Nobel da Paz. De facto, no meio de uma guerra absurda (não o são
quase todas?) o desporto tem sido ferramenta de paz naquele país, de
fraternidade e convívio são entre pessoas, sejam elas de que credo religioso,
partido político, condição económica. O desporto une as pessoas e, quando as
faz competir, fá-lo na maior parte dos casos, de forma saudável e pacífica.
Tem sido instrumento de paz, a bola. Fonte de
paixões, de exercício de estratégia, de exercício físico, de encontro entre pessoas.
É um fenómeno (ponto). Daqueles que não precisa de adjetivo a seguir. É um
fenómeno.
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| Adeptos da selecção de futebol do Afeganistão aplaudem a entrada da equipa em campo, em jogo a disputar com a selecção do Paquistão. Fotografia: Shah Marai/AFP/Getty Images. Fonte: The Guardian. |
Há um mês atrás, um ataque a um restaurante em
Cabul matou duas dezenas de pessoas e o bombista suicida. Mais tarde foi
reivindicado pelos Talibãs que em 1979 lutaram com o apoio dos EUA pela
libertação do Afeganistão da URSS. Hoje lutam contra tudo o que seja ocidental
e contra todas as formas de poder que não sejam as deles, ortodoxas como as
deles. A trama sociológica, de aproveitamento religioso, político, fanático, de
relações internacionais não teria fim curto de explicação e infelizmente o
parágrafo acabaria com atentados, inocentes feridos e a perder a vida, em
pobreza extrema e miséria.
Que pena que em vez disso, as pessoas não se
unam à volta de uma bola, na beleza complexa de um desporto que exige
inteligência, estratégia e força física, lealdade e regras de jogo claras e objectivas. Que
pena que a paixão por ela, pela bola, não una todas as forças do mundo. Que pena que em vez
de armas, os guerreiros não usem chuteiras. A magia seria outra.
Viveríamos em Paz.
In: Jornal O Ponto. (n.p.)


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