sábado, 1 de março de 2014

A força de uma bola


Ambiente de magia que causa felicidade a milhões de pessoas. O bom desporto faz isso. Aproxima-as, dá-lhes alegria, pode proporcionar momentos de fraternidade, família, de paz.


A seguir à invenção da roda, uma das maiores invenções deve ter sido a bola. O desporto.

Passamos a vida a correr em busca de alguma coisa. Temos de estudar ou trabalhar ou sacrificar-nos para providenciar o modo de vida da nossa família e o nosso, mesmo que poder vezes se façam coisas sem sentido.

A economia segue com regras pouco claras onde por vezes a justiça e a ética não abundam. Noutras geografias, onde a guerra não é económica, mas aberta, com armas de fogo, a falta de justiça é evidente. Hoje, o número de refugiados atinge recordes neste século e no mundo pós 11 de Setembro. Cerca de 50 milhões de pessoas.

Há um mês atrás, a Federação de Futebol do Afeganistão ganhou a Bola de Ouro da FIFA pelo seu fair-play. Quase diria, uma espécie de Nobel da Paz. De facto, no meio de uma guerra absurda (não o são quase todas?) o desporto tem sido ferramenta de paz naquele país, de fraternidade e convívio são entre pessoas, sejam elas de que credo religioso, partido político, condição económica. O desporto une as pessoas e, quando as faz competir, fá-lo na maior parte dos casos, de forma saudável e pacífica.
Tem sido instrumento de paz, a bola. Fonte de paixões, de exercício de estratégia, de exercício físico, de encontro entre pessoas. É um fenómeno (ponto). Daqueles que não precisa de adjetivo a seguir. É um fenómeno.

Adeptos da selecção de futebol do Afeganistão aplaudem a entrada da equipa em campo, em jogo a disputar com a selecção do Paquistão. Fotografia: Shah Marai/AFP/Getty Images. Fonte: The Guardian.



Há um mês atrás, um ataque a um restaurante em Cabul matou duas dezenas de pessoas e o bombista suicida. Mais tarde foi reivindicado pelos Talibãs que em 1979 lutaram com o apoio dos EUA pela libertação do Afeganistão da URSS. Hoje lutam contra tudo o que seja ocidental e contra todas as formas de poder que não sejam as deles, ortodoxas como as deles. A trama sociológica, de aproveitamento religioso, político, fanático, de relações internacionais não teria fim curto de explicação e infelizmente o parágrafo acabaria com atentados, inocentes feridos e a perder a vida, em pobreza extrema e miséria.

Que pena que em vez disso, as pessoas não se unam à volta de uma bola, na beleza complexa de um desporto que exige inteligência, estratégia e força física, lealdade e regras de jogo claras e objectivas. Que pena que a paixão por ela, pela bola, não una todas as forças do mundo. Que pena que em vez de armas, os guerreiros não usem chuteiras. A magia seria outra.


Viveríamos em Paz.

In: Jornal O Ponto. (n.p.)

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