sexta-feira, 27 de junho de 2014

Peregrinos, todos nós.


Arquivo pessoal. Lwena, 2004.


Um obrigado, um ano mais, à Vagos FM por mais este ano de "voz".
É um privilégio ver que o mundo uma vez por semana nos deixa dizer-lhe aquilo que bem entendermos e pensamos. Oxalá a rádio e quem a ouve tenha ganho tanto quanto eu com estas partilhas semanais, em que 'Entre Céus e Infernos',  estivemos sempre a 'Pensar Global'.

Finalmente a todos quantos foram ouvindo e dando feedback! Ficou-me o gravado a ternura deste:


"Tu explicas tudo muito bem e, os enganos que não corriges são óptimos porque se vê que estás cansado e até as gaffes têm piada. Percebe-se que deves gravar já noite dentro, mas sobretudo vê-se, percebe-se que é sincero e verdadeiro, que é aquilo que tu pensas e que não estás a ler um texto escrito antes".
Obrigado por isso!



Passa esta semana mais um dia internacional dedicado aos refugiados, uma situação classificada tecnicamente como temporária, mas que se alarga por tantos anos, e de facto sem reconhecimento ou sem classificação.

Tanta gente no mundo obrigada a viajar sem querer, a peregrinar sem perceber o destino.

Um peregrino, como um marinheiro, não pode chegar a lado que não quer ou sabe onde quer chegar.
Imortalizado por Séneca, nenhum vento é favorável ao marinheiro que não sabe para onde vai.
Assim mesmo, um peregrino não o é se não souber para onde e porque peregrina.
A imagem de um cachimbo não é um cachimbo, gravou Margrite o óbvio que tantos não vemos.

Tantos não vamos, refugiados, hoje no mundo, que não pela guerra a que obriga a classificação de protetorado in(eficaz) e formal, mas pela ausência de Paz.

Detenhamo-nos aqui:

A ausência de paz.

de tudo o que ela considera e permite, uma vida plena, sem fome, sem o desvelo do desemprego, dos direitos civis e políticos, da escola, dos direitos económicos, de jogar e brincar na rua, dos direitos sociais, culturais, de aprender e dar isso depois ao mundo, dos direitos religiosos e de rezar na praia da Normandia ou da Nigéria ou de outro sítio qualquer começado em N' e... da migração forçada a que obrigam hoje, nos dias de hoje, agora mesmo, eeste mundo desorientado porque utilitarista como lei. O que serve serve, o que não serve é estorvo. A utilidade como valor leva a que  aquilo que a classifica, se torne o valor em si. O dinheiro dita tudo. Mas tanto que não serve, mas manda lei. O dinheiro dita, não a utilidade. A coisa inverteu-se.

Quem não o tem, o dinheiro, torna-se refugiado, peregrino sem destino. Migrante à mercê.

Será este o sentido do mundo?... Parece-me que não, que não deve ser, não devia. A vida, as pessoas são tanto mais!

























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