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| Arquivo pessoal. Lwena, 2004. |
Um obrigado, um ano mais, à Vagos FM por mais este ano de "voz".
É um privilégio ver que o mundo uma vez por semana nos deixa dizer-lhe aquilo que bem entendermos e pensamos. Oxalá a rádio e quem a ouve tenha ganho tanto quanto eu com estas partilhas semanais, em que 'Entre Céus e Infernos', estivemos sempre a 'Pensar Global'.
Finalmente a todos quantos foram ouvindo e dando feedback! Ficou-me o gravado a ternura deste:
"Tu explicas tudo muito bem e, os enganos que não corriges são óptimos porque se vê que estás cansado e até as gaffes têm piada. Percebe-se que deves gravar já noite dentro, mas sobretudo vê-se, percebe-se que é sincero e verdadeiro, que é aquilo que tu pensas e que não estás a ler um texto escrito antes".Obrigado por isso!
Passa esta semana mais um dia internacional dedicado aos refugiados, uma situação classificada tecnicamente como temporária, mas que se alarga por tantos anos, e de facto sem reconhecimento ou sem classificação.
Tanta gente no mundo obrigada a viajar sem querer, a peregrinar sem perceber o destino.
Um peregrino, como um marinheiro, não pode chegar a lado que não quer ou sabe onde quer chegar.
Imortalizado por Séneca, nenhum vento é favorável ao marinheiro que não sabe para onde vai.
Assim mesmo, um peregrino não o é se não souber para onde e porque peregrina.
A imagem de um cachimbo não é um cachimbo, gravou Margrite o óbvio que tantos não vemos.
Tantos não vamos, refugiados, hoje no mundo, que não pela guerra a que obriga a classificação de protetorado in(eficaz) e formal, mas pela ausência de Paz.
Detenhamo-nos aqui:
A ausência de paz.
de tudo o que ela considera e permite, uma vida plena, sem fome, sem o desvelo do desemprego, dos direitos civis e políticos, da escola, dos direitos económicos, de jogar e brincar na rua, dos direitos sociais, culturais, de aprender e dar isso depois ao mundo, dos direitos religiosos e de rezar na praia da Normandia ou da Nigéria ou de outro sítio qualquer começado em N' e... da migração forçada a que obrigam hoje, nos dias de hoje, agora mesmo, eeste mundo desorientado porque utilitarista como lei. O que serve serve, o que não serve é estorvo. A utilidade como valor leva a que aquilo que a classifica, se torne o valor em si. O dinheiro dita tudo. Mas tanto que não serve, mas manda lei. O dinheiro dita, não a utilidade. A coisa inverteu-se.
Quem não o tem, o dinheiro, torna-se refugiado, peregrino sem destino. Migrante à mercê.
Será este o sentido do mundo?... Parece-me que não, que não deve ser, não devia. A vida, as pessoas são tanto mais!

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