quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

O Nobel da Paz para a Educação

César Chávez foi um agricultor, americano, de ascendência mexicana. Americano, filho de emigrantes, activista dos Direitos Civis.
Percebeu um dia o valor e a força das pessoas quando se juntam e trabalham juntas. A maior parte do tempo, os objectivos pessoais e sociais, são os mesmos, mas como a maior parte do tempo, a maior parte das pessoas não o perceber e não vê mais que objectivos pessoais. Perdem assim, sem saber.
Por isso Chávez, no seu tempo no Arizona (EUA), foi apelidado de louco quando partilhou a ideia de juntar agricultores imigrantes e iletrados, à espera que isso desse resultados. O trabalho dessa união, dizia ele, nunca foi sobre alfaces ou sobre uvas... foi sobre pessoas.

E falou delas pelo poder da Educação.


O terrorismo trata de fanáticos, gente que utiliza meios e justificações, aproveitando-se de fenómenos que são sociais e colectivos, para se mover. É desta maneira que utilizam a Religião, para se justificarem moralmente, a Política e a Geo-economia que trabalha em torno dela, para se justificarem quanto à justiça dos seus actos. Usam desporadamente o discurso da vitimização, não raras vezes com razão: as suas famílias assassinadas por senhores da guerra, humilhação da sua vida e cultura, o estrangulamento económico e a pobreza extrema.. e por isso o recrutamento é tão fácil. Da humilhação, facilmente se incita à vingança justiceira.

Mas nada, nada mesmo justifica o que aconteceu numa escola de Peshawar, no Paquistão esta semana em que mais de uma centena de crianças foram mortas por um ataque terrorista dos Taliban.
Nada justifica.

César Chávez dizia sabiamente que 'quando a mudança social começa, não pode ser revertida. Não se pode deseducar uma pessoa que aprendeu a ler. Não se consegue humilhar uma pessoa que sinta orgulho e não se consegue oprimir um povo que já não tem medo'.

Só assim se entende a covardia e o crime atroz contra o qual Chávez falava sem o saber, dezenas de anos antes. A única maneira de vencer a educação, é matá-la. Foi isso que aquelas bestas fizeram ao matarem CENTRO-E-TRINTA-E-DUAS CRIANÇAS e nove PROFESSORES...

Também o nobel da Paz entregue a 10 de Dezembro último falava disso, Índia e Paquistão a uma só voz a celebrar a Educação.... aquilo que o mundo hoje enlutado contempla.
Crianças a quem foi negado um futuro de tolerância e paz... porque andavam na escola e isso faz confusão a quem quer poder.
Sem o saber, também foi sobre isto o Pensar Global de 12 de Dezembro.





César Chávez

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