A educação é muito próxima ao sonho. Podemos sonhar com um mundo melhor, podemos sonhar com um mundo da paz, onde todos têm o que necessitam para viver com dignidade. Podemos sonhar com um mundo onde todas as crianças possam ser crianças, os jovens possam ser jovens, os adultos, adultos e os idosos, idosos. Podemos sonhar com uma sociedade que assenta na solidariedade e na fraternidade, podemos sonhar com um mundo onde todos actuem com coerência e todos compartilhemos da necessidade de justiça social[1].
Podemos sonhar…
Educar provém do termo latino ‘ducere’. Etimologicamente tem vários sentidos: ‘conduzir’, ‘guiar’, ‘atrair a si’. Educar é de facto um caminho, que alguém guia e conduz, que alguém propõe, uma imensa viagem interior, que se faz em conjunto e onde se aprende a mudar o mundo, aos poucos, para um estádio melhor!
Educar é não apenas sonhar, mas lutar por esse sonho, na prática, construí-lo com todos os que me rodeiam.
São vários os intervenientes desta educação. Todos nos guiamos e conduzimos uns aos outros. Não são apenas os professores ou os catequistas ou os animadores ou os padres ou os pais ou os filhos ou quem quer que seja! Somos todos, até os educandos e outros nomes acabados em ‘andos’ e todos esses do primeiro ao último se completam uns aos outros!
Há algum tempo atrás conheci um ‘educador’, um senhor de que não sei o nome, dos seus oitenta e tais anos e com quem me cruzei uns dez minutos na minha vida. Foi numa visita de estudo para lá do Douro em que parámos por momentos no silêncio cristalino de uma aldeia transmontana, escondida como um tesouro por detrás das montanhas. Houve um senhor (aquele de que falava há instantes) com rugas de experiência e calmia na voz experimentada que perguntou a um dos meus amigos professores-educadores que guiávamos os nossos alunos:
- És tu o professor desta gente toda?!
- Sou sim senhor – respondeu o meu Amigo.
Ouvimos então, num tom de voz sereno de quem tem a lição para dizer desde sempre e que apesar da idade longa abraça o futuro com carinho:
- Educa-os bem pois eles são o futuro de nós mesmos. A marca que deixaremos no mundo não serão palácios de pedra, serão palácios humanos!
Neste caminho, já não há professores que ensinam e berram para manter a ordem na sala, não há catequistas que falam de doutrinas e fazem joguinhos, não há pais que ralham ou castigam, não há crianças frágeis ou violentas, não há paróquias indiferentes à escola, nem há escolas que não ligam ao ambiente lá de casa (quando ela existe ou quando são várias – dependendo da semana a quem calha ficar os filhos), não há cristãos isolados ou desinteressados, não há distinção nos intervenientes., pois de facto, todos somos, desde o mais pequenino ao mais velho, duas coisas muito simples:
EDUCADORES, porque nos conduzimos uns aos outros neste caminho maravilhoso que é a vida e COMPANHEIROS, não noutros sentidos que o original da palavra: aqueles que compartilham o pão!
Para formarmos a civilização do Amor, da Igualdade, da fraternidade temos de crescer em valores, todos actores do sonho da educação teremos de ser à imagem de Jesus, o educador por excelência, pessoas atentas aos outros, pessoas firmes, mas cheias de ternura!
Jesus é a fonte inesgotável de estímulos e critérios permanentes de como devemos entrar em relação com o outro: no ensino, na aprendizagem, no discernimento, na correcção, no conflito, na intervenção, na crise, na dor, na alegria, na festa, nas circunstâncias de pressão social-institucional-cultural-religiosa, etc. A sua excelência está na sua atitude educativa, na metodologia, no conteúdo, na linguagem, sempre acessível a quem o ouvia. Ele sempre teve a preocupação de ser entendido! A sintonia da linguagem é fundamental!
Jesus foi educador diante dos seus discípulos, no encontro com as pessoas, com as massas, diante dos adversários, nos discursos aos seguidores, com seus parentes... Diante de todos!
Foi educador na rua, na festa, na praia, no deserto, na estrada, no monte, no poço, na casa dos amigos, no tribunal, na cruz. Em todos os lugares!
Foi educador no conflito, na tensão, na fome, na solidão, na angustia, na dor, no cansaço, na serenidade... Sem stress e em todas as circunstâncias, convivendo, acolhendo, motivando, aproximando-se, perdoando, ensinando, libertando, corrigindo, escutando, esclarecendo, desafiando, alertando... sempre ao ritmo dos seus educandos, sempre pela positiva, dando prioridade à pessoa, às pessoas e ao infinito que elas comportam dentro de si!
Profundamente humano, Jesus envolveu-se, foi capaz de sentir compaixão por quem se encontrava numa situação indigna. Não resolveu problemas sozinho... Ele envolve, desperta a motivação, sensibiliza, organiza, implora a bênção do Pai e… os milagres aconteciam e podem continuar a acontecer hoje!
É muito simples mesmo que aconteçam, basta partilharmos o pão da vida, basta guiar-mo-nos uns aos outros, termos compaixão e sabermos que nem todos nascemos na realidade iguais em direitos, mas que é preciso indignar-nos, ouvir, acompanhar, “bater à porta do coração e perguntar: pode-se entrar?” [2]… Lá dentro, por baixo da capa do irrequieto barulhento, animado e maluco está um ser humano com um potencial que junto com o nosso… vai mudar o mundo e o tornar naquele dos sonhos, o da solidariedade, o da fraternidade, o da partilha e o do Amor…
Podemos sonhar…
Educar provém do termo latino ‘ducere’. Etimologicamente tem vários sentidos: ‘conduzir’, ‘guiar’, ‘atrair a si’. Educar é de facto um caminho, que alguém guia e conduz, que alguém propõe, uma imensa viagem interior, que se faz em conjunto e onde se aprende a mudar o mundo, aos poucos, para um estádio melhor!
Educar é não apenas sonhar, mas lutar por esse sonho, na prática, construí-lo com todos os que me rodeiam.
São vários os intervenientes desta educação. Todos nos guiamos e conduzimos uns aos outros. Não são apenas os professores ou os catequistas ou os animadores ou os padres ou os pais ou os filhos ou quem quer que seja! Somos todos, até os educandos e outros nomes acabados em ‘andos’ e todos esses do primeiro ao último se completam uns aos outros!
Há algum tempo atrás conheci um ‘educador’, um senhor de que não sei o nome, dos seus oitenta e tais anos e com quem me cruzei uns dez minutos na minha vida. Foi numa visita de estudo para lá do Douro em que parámos por momentos no silêncio cristalino de uma aldeia transmontana, escondida como um tesouro por detrás das montanhas. Houve um senhor (aquele de que falava há instantes) com rugas de experiência e calmia na voz experimentada que perguntou a um dos meus amigos professores-educadores que guiávamos os nossos alunos:
- És tu o professor desta gente toda?!
- Sou sim senhor – respondeu o meu Amigo.
Ouvimos então, num tom de voz sereno de quem tem a lição para dizer desde sempre e que apesar da idade longa abraça o futuro com carinho:
- Educa-os bem pois eles são o futuro de nós mesmos. A marca que deixaremos no mundo não serão palácios de pedra, serão palácios humanos!
Neste caminho, já não há professores que ensinam e berram para manter a ordem na sala, não há catequistas que falam de doutrinas e fazem joguinhos, não há pais que ralham ou castigam, não há crianças frágeis ou violentas, não há paróquias indiferentes à escola, nem há escolas que não ligam ao ambiente lá de casa (quando ela existe ou quando são várias – dependendo da semana a quem calha ficar os filhos), não há cristãos isolados ou desinteressados, não há distinção nos intervenientes., pois de facto, todos somos, desde o mais pequenino ao mais velho, duas coisas muito simples:
EDUCADORES, porque nos conduzimos uns aos outros neste caminho maravilhoso que é a vida e COMPANHEIROS, não noutros sentidos que o original da palavra: aqueles que compartilham o pão!
Para formarmos a civilização do Amor, da Igualdade, da fraternidade temos de crescer em valores, todos actores do sonho da educação teremos de ser à imagem de Jesus, o educador por excelência, pessoas atentas aos outros, pessoas firmes, mas cheias de ternura!
Jesus é a fonte inesgotável de estímulos e critérios permanentes de como devemos entrar em relação com o outro: no ensino, na aprendizagem, no discernimento, na correcção, no conflito, na intervenção, na crise, na dor, na alegria, na festa, nas circunstâncias de pressão social-institucional-cultural-religiosa, etc. A sua excelência está na sua atitude educativa, na metodologia, no conteúdo, na linguagem, sempre acessível a quem o ouvia. Ele sempre teve a preocupação de ser entendido! A sintonia da linguagem é fundamental!
Jesus foi educador diante dos seus discípulos, no encontro com as pessoas, com as massas, diante dos adversários, nos discursos aos seguidores, com seus parentes... Diante de todos!
Foi educador na rua, na festa, na praia, no deserto, na estrada, no monte, no poço, na casa dos amigos, no tribunal, na cruz. Em todos os lugares!
Foi educador no conflito, na tensão, na fome, na solidão, na angustia, na dor, no cansaço, na serenidade... Sem stress e em todas as circunstâncias, convivendo, acolhendo, motivando, aproximando-se, perdoando, ensinando, libertando, corrigindo, escutando, esclarecendo, desafiando, alertando... sempre ao ritmo dos seus educandos, sempre pela positiva, dando prioridade à pessoa, às pessoas e ao infinito que elas comportam dentro de si!
Profundamente humano, Jesus envolveu-se, foi capaz de sentir compaixão por quem se encontrava numa situação indigna. Não resolveu problemas sozinho... Ele envolve, desperta a motivação, sensibiliza, organiza, implora a bênção do Pai e… os milagres aconteciam e podem continuar a acontecer hoje!
É muito simples mesmo que aconteçam, basta partilharmos o pão da vida, basta guiar-mo-nos uns aos outros, termos compaixão e sabermos que nem todos nascemos na realidade iguais em direitos, mas que é preciso indignar-nos, ouvir, acompanhar, “bater à porta do coração e perguntar: pode-se entrar?” [2]… Lá dentro, por baixo da capa do irrequieto barulhento, animado e maluco está um ser humano com um potencial que junto com o nosso… vai mudar o mundo e o tornar naquele dos sonhos, o da solidariedade, o da fraternidade, o da partilha e o do Amor…
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CORREIO DO VOUGA, Agosto de 2007