quarta-feira, 8 de agosto de 2012

"ONE CHILD, ONE FUTURE” - IFMSA article


International Federation of Medical Students’ Associations Magazine,
Issue 20





INVESTING IN HEALTH AND EDUCATION OF CHILDREN is the better trust fund, not just for the future, but also to the present.




Abstract: The article reflects on the importance of simple and person direct focus development projects. It goes on the story of two children with great will but small conditions, continuing on solutions that are not difficult to achieve, not with big future projects, but with today simple and effective actions.

"The way of mankind for prosperity is not on the economical resources distribution,
it is on the kindness he puts on what he does in the world".
L. Tolstoy

1. He was called Pietá. He was four or five years old and lived in a refugee camp. He was there with his family, in transit, on a trip of return to his country, coming from the country where he was born, Zambia, which was not his country though. His country was Angola. He was born inside of another refugee camp where his family lived has long time, that time itself forgotten when they had arrived, running away from the wars in Angola. Little Pietá spoke English and Chokwé. English because it was what he spoke in the refugee fields of Zambia with the people of there and with the staff of United Nations. Chokwé was the language that he spoke among his people of the same ethnic name and that occupies lands of both sides of the border. A border that is a artificial line in a map… that cut's half, equal people and equal cultures.




Little less of one month after being there in the field, in voluntary work, as every day, I went early in the morning. One day has I arrived at the gate and, even so I was already expecting the everyday imaging, I never saw it with the clean eyes, out of hurt from the people lining at the entrance, wanting to enter in the field to be able to receive some food. This certain morning, the hurt gave place to a simple and kind joyfully surprise. Waiting for me next to the gate, was the small Pietá.
He talked to me in a perfect Portuguese... and he didn’t learn that on any school.



2. His name was Emanuel. He was the youngest of a Amazonian indigenous family. But they didn’t live in the forests. Somehow, some day, they were expelled from their lands, their trees and their river. They lost their way of living and all their knowledge of the language of the nature was useless on the city where they were forced to move. As you read this issue, there are thousands of No Land People Movement. Emanuel was one of them and he had this look, a profound look that absorbed everything around him. We could see his hunger of understanding how the world functions.



3. These two boys live in the same world that you and me live. They are kids with a great capacity to learn and a great will to do it. The stories of these two boys are just two stories of thousands of stories that could be different. What if Pietá and Emanuel were born in other time, another place? What if they were born where you were born? What if they were born in the northern world, in a wealthy and healthy family, with a good school around and peace was not just a symbol but a real thing?
I beat they could be everything they dreamed for! And still, they are as pure as innocence, they deserve to dream and to achieve those dreams. But you and me, or the so called  system doesn’t seem to let them.




4. Inverting the way of things

As we listen to governments promises of millions to Developing Countries, we cannot help thinking that those countries don’t need millions. They need strategic application of funds and a very important part of this strategy is empowerment. Indeed, creating the capability for people, for all people to think their lives and their communities towards a better life level and comfort. Not as they wish it, not as we want it. A half way compromise.
At this stage, we are not talking about fighting miseries of hunger and war directly because the standard of achievement that we must focus on must be positive, higher!
So, are we dreaming enough?! Are we doing the right simple things or do we focus on the wrong complex and million dollar spending useless projects?


5. One Child, One Future
There is a small NGO, based in Portugal. ORBIS – Cooperation and Development. This small NGO has a simple project that relays on the power of simple people. The so called “One Child, One Future” project counts on working class people, on students, alone or in groups, counts on families, on rich, on poor, counts on everyone to share, each month of a small amount, to Europe rates, of money (€15 to €30) that are applied on a child who lives in Africa, Brazilian Amazon communities or another place that might be reported necessary.
These small amount, for Europe is invested on education and feeding the specific child, with a name, a family history, with feelings and hopeful dreams.
The project gives them a better possibility of a brighter future, of a good nutried tomorrow, and an education base to go on with the world!

This project doesn’t need large amount of funds, only the adequate to give children the today food so that they can be healthier and the today pencils and worksheets so they can learn in the possible school that they have and not on the one that has been long ago promised. They can’t wait! They need their book and their meal today. In the future will come  their time to contribute and build a better world, managing their local contribute for our global development.


Development is not a question of millions, it is, instead, to give and promote the proper means to the society (community groups, NGO’s, local assemblies, Church groups, and so on) to work locally, and dream their vision brighter and respectfull world. Because if you can dream it, you can do it. So now, we just have to get to work on those dreams, and those visions of happy children today, becoming great entrepreneur adults tomorrow.
::

terça-feira, 26 de junho de 2012

"fazer a nossa parte"

Damos conta que estamos a ficar crescidos, quando os nossos colegas | amigos da universidade nos convidam para ir à escola dos filhos...

um abração Jogre das Leiras..!
O pinheirinho news é muito simpático!




segunda-feira, 18 de junho de 2012

"Pensar Global" e "Entre o Céu e o Inferno" - Vagos FM




Na Síria, são utilizadas crianças como escudos humanos... o que precisa mais a ONU para...?!

&

"Programa Impulso Jovem", programa com fundos europeus para ajudar as empresas a consolidar a situação da ex-geração 1000 euros, que vai passar a ser geração 691 euros.







Pensar Global - 15 de Junho de 2012 







 Entre o Céu e o Inferno - 15 de Junho de 2012

 

terça-feira, 12 de junho de 2012

Entre o Céu e o Inferno

Tive um professor fantastico de Ciência Política que era Bahá'i, e a propósito de conversa sobre o fenómeno da religião, por saber que eu tinha sido seminarista, disse-me uma vez que o diálogo era  de extrema importância. "É da faísca do confronto de ideias que nasce a luz da sabedoria".

Pego na frase dele e de facto... serve também para a política e para uma democracia que se quer de gente séria e madura... insultar ou destratar aqueles com quem não se concorda não é caminho.


08 de Junho 2012






01 de Junho de 2012






25 de Maio de 2012



sexta-feira, 1 de junho de 2012

Pensar Global - Dia da Criança - VAGOS FM - ORBIS

Um programa da Vagos FM, em parceria com a ORBIS - Cooperação e Desenvolvimento

todas as sextas feiras, Às 14h40m... na Vagos FM 88.8 FM





01 de Junho de 2012



25 de Maio de 2012

sexta-feira, 4 de maio de 2012

liberdade de imprensa - VAGOS FM



Hoje já não se censura... edita-se.

Mas neste programa da Vagos FM, todas as sextas a rádio me dá mesmo "liberdade para falar"!

Obrigado por isso...

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Precisa-se de revolução de direitos sociais para completar a de Abril




Entre o Céu e o Inferno - VAGOS FM









Hoje... Olhando para tantos Homens e Mulheres, pais e mães de família que se esforçam até cair para garantir um tecto e comida aos seus filhos....

Precisamos de uma outra revolução, uma de justiça social e coerência, que devolva Direitos e Deveres Sociais e Económicos às pessoas... a todas... porque a se celebrou esta semana a 25 de Abril, que devolveu os direitos políticos e civis às pessoas é ainda incompleta, uma promessa por cumprir.


sexta-feira, 20 de abril de 2012

entre o céu e o inferno - Vagos FM





No programa desta semana falamos sobre as boas páscoas a todos... sem excepção! 
Ainda sobre o facto de estar a aumentar o número de estudantes a desistir dos estudos por razões exclusivamente económicas e do ministro do ensino superior que desconhece isso...

Falamos ainda de outro ministro... mal informador ou mentiroso genial a propósito da Guiné Bissau... 

... de que já se conhece possível e lamentável desfecho do golpe orquestrado pelo Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas guineenses, António Indjai... sorridente e gordinho... como sempre está quem vive à sombra do trabalho dos outros.




sexta-feira, 13 de abril de 2012

terça-feira, 10 de abril de 2012

entre o céu e o inferno - vagos fm


O FMI e companhia... finalmente percebeu que as medidas exigidas provocariam recessão na economia, que por sua vez provocariam um défice maior... agora querem então que o governo implemente medidas de estímulo à Economia...

Toda a gente que já dizia e percebia isto antes (e eram tantos), por favor vão doutorar-se em Economia e substituam aqueles especialistas moucos...

O défice resolve-se mais com reformas efectivas do Estado do que com aumentos disparatados e estranguladores às pessoas, às famílias e às empresas que dão empregos...


sexta-feira, 2 de março de 2012

Pensar...... Vagos FM





Entre o céu e o inferno, um programa da VAGOS FM, no ar todos os dias às 09h40 com reposição às 17h20.

o negativo... a taxa de desemprego em Portugal. o positivo... a Coreia do Norte vai desistindo do nuclear em troca de ajuda externa e alimentação!... a Paz vence a guerra!




Pensar Global, um programa da VAGOS FM em parceria com a ORBIS, no ar todas as sextas feiras a partir das 14h30.


A apenas um ano do terramoto do Japão... a eficácia da ajuda externa e a boa implementação dos apoio fazem com que na maior parte do país já se viva a normalidade.... um exemplo de Desenvolvimento que o mundo pode... deve.... seguir!



sábado, 11 de fevereiro de 2012

Entre o céu e o inferno - Vagos FM

Justiça e Direitos Humanos na Economia Internacional... sim.
Proteccionismo só por interesse de vendas em monopólio... não.
No entanto... posso estar errado.

 

domingo, 29 de janeiro de 2012

Entre o céu e o Inferno - VAGOS FM






Dar cabo da economia para resolver o défice...
ou fazer a economia crescer para que o défice... se resolva?


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Entre o Céu e o Inferno - VAGOS FM





20 e Janeiro de 2012

Economia e acordos... Barcelona e Real Madrid... Girassóis do Sporting e o Benfica soma e segue!

 


13 de Janeiro de 2012

Não me lembro!.. Eduardo "Catloga e afins"... Surf em Vagos.. paraíso para uns quantos ou um cluster desaproveitado.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Negócios da China

"Pensar Global"
um programa da VAGOS FM em parceria coma ORBIS - Cooperação e Desenvolvimento
todas as sextas a partir das 14h30



Esta semana pensamos nos negócios com o Governo da República popular da China como contributo para a melhoria dos Direitos Humanos no mundo!...

É gente normal, a que vai mudar o mundo...

"Entre o Céu e o Inferno" - Vagos FM




terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Um Homem livre...



* assim apresentado por Anselmo Borges, José Maria Castillo fala do que muitos pensam, ou talvez nem isso... nem pensem...


fonte: Tribo de Jacob, in Jornal Público de hoje.








sábado, 24 de dezembro de 2011

Someday at Christmas...

Someday at Christmas, men wont be boys
Playing with bombs boys play with toys
One warm December, our hearts will see
A world where men are free

And some day at christmas, there'll be no wars
When we have learned what christmas is for
When we have found out what life is really worth
Then there will be peace on Earth

Someday all of our dreams will come to be
Someday in a world where men are free
Maybe not in time for you or for me
But someday at Christmas time

And someday at christmas, there'll be no tears
All men are equal and no men have fears
In one shining moment my heart ran away
From the world that we live in today

And someday at Christmas, men will not fail
Take all because your love will prevail
Someday in a new world that we can only start
With hope in every heart

And someday all of our dreams will come to be
Someday in a world where men are free
Maybe not in time for you or for me
But someday at Christmas time

There will be peace on Earth,
I said there will be peace on Earth




sábado, 17 de dezembro de 2011

O diário de um pastor de Belém





in: jornal Correio do Vouga, edição especial de Natal 2011

Uma vida doce, mas dura. Era assim que vivia naqueles dias, sem poisos fixos, sem rotinas certas, sem horas para o que fosse mais do que o nascer do sol, o pôr do sol, o frio enganado pelo crepitar de uma fogueira noite adentro, a frescura da sombra dia alto.
Não se pertence a nada, nada nos pertence, apenas o dia e aquilo que estamos a ser, a fazer.

Era temente a Àquele de quem não se podia dizer o nome, como qualquer outro judeu. Os meus sacrifícios eram feitos do altar da terra prometida, não nos templos. O vestir e o comer era o nosso de cada dia. Nada mais, nada menos.

As paredes do meu quarto estavam forradas a flores do campo, o chão a erva fresca e doce de orvalho. As copas das árvores, baixas nestas terras davam-me o tecto necessário junto do estábulo.
A minha língua era a do silêncio, a de quem vê o mundo e aprende a cada passagem, uma lição que não se percebeu na anterior.

A minha família estava distante, quase como se não tivesse raízes, era assim que o mundo me via.
O judaísmo preza as origens, a linhagem, a família, a terra, a que nos foi dada em promessa e que teimamos não partilhar com os outros, delimitando nomes e espaços.
Era por isso que não nos viam com bons olhos. Pastores são vagabundos que correm a terra por onde alcança o verde para as suas ovelhas, que dariam a lã que os fariseus e sacerdotes do templo haviam de vestir.

Seriamos os últimos a ver um Rei, seja qual ele fosse que viesse.

Nisso estranhei o vento tranquilo de uma noite, fria e estranha por isso àquela altura amena do ano. Vento e luzes, cintilantes no céu por cima do meu leito de sono e silêncio.  Aquele silêncio que se sente quando somos abandonados da sociedade, os últimos em tudo, até nos que nos pregam em primeiro.
Ouvimos a notícia de uma criança que acabara de nascer num dos estábulos dos nossos.
Não havia lugar na estalagem para uma mulher prestes a dar à luz. Eram oito, os dias de impureza nela e em quem quer que lhe tocasse.
Ficou no calor do abrigo de um dos meus. O pobre acolher o pobre, o rejeitado acolhe o rejeitado e é assim que ele o deixa de ser, porque afinal, foi acolhido.

A luz cintilante saía do abrigo. Foi curioso, mas com medo que me cheguei perto e entrei. Levei comigo o cordeiro mais pequeno, com a lã mais limpa e macia. O pequenino bebé sentir-se-ia seguro e quente, envolvido pela sua mãe, com esta lã, como se o próprio Deus o pegasse no colo. Não são estes meus cordeiros amados de Deus que os criou?...

Fui de mansinho, como quando se vê uma criança... Há sempre um certo brilho ao redor dela quando dorme. Uma solenidade própria de quem está a ver a criação a acontecer naquele instante, Deus e o sopro suave de Amor que acontece a cada respirar tranquilo do sono da criança, das novas células que nascem e se transformam, no sentido de todo o presépios encerrado naquele estábulo de menino que dorme tranquilo nos seus momentos primeiros de chegada à terra.
A mãe descansava, enquanto o pai nos deu as boas vindas interrompendo o alimento do borralho onde se aquecia alguma comida que trouxemos.
A paz imensa que todas as crianças recém nascidas pintam de cores o que as rodeia era o que me inundava.

Silêncio e contemplação. Ser frágil, de pele macia, envolto em panos e palhas de onde os animais comem.

O que nos dirá Ele quando crescer? Que arte será? Pastor excluído como eu? Carpinteiro? Médico? Pedagogo? Será ele um homem de palavras ou de palavra? Será feliz? Terá as suas origens demarcadas? Deixará descendência?

Quem será e o que fará deste tempo que corre desde agora até que parta deste mundo? O que ficará diferente por causa Dele?

Quantos trilhos terá de correr, ele que começa aqui tão debaixo, tão invisível, rejeitado pela tradição, que tradição começará Ele? O que farão em nome Dele?

Nasceu humilde, sem promessas ou luzes de benvindo ao mundo. Mas como dizem noutras paragens por onde já andei, procurando os melhores pastos, cada vez que nasce uma criança, é Jeová Deus que diz aos Homem que acredita na humanidade.

Glória a Ele e paz na terra aos homens de boa vontade.
Naquele noite doce e feliz... eu tive paz, um pastor sem nome da Palestina com pouco mais que boa vontade.


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Ricardo Araújo Pereira e a questão de Deus

Crente ou não crente, crente em qualquer coisa e é tanto e tão bom tudo aquilo que temos e em que podemos acreditar... estou convencido que o que importa aqui é a procura, o esclarecimento, o não se acomodar a respostas, o respeito e a abertura a todos... Até com humor se dão lições e se fala de Deus... tenho a impressão que Ele, a existir, será um Ser que se Ri muito...!

Ricardo Araújo Pereira diz-se não crente. Então eu também não serei... ando à procura e tenho a impressão que no fim, quando lá chegar, vou ser "eternamente" surpreendido com o que vou ver.

"Eu não tenho que ganhar o céu"... Se tivesse de o ganhar, não teria a mínima hipótese. Ainda bem que o amor safa tudo. Esta é dedicada às sumidades santas ambulantes... isto não é justo pá... o Amor salva tudo... os de cara trista e santa, e os pecadores alegres... vamos todos lá parar àquela praia onde as ondas são ordenadinhas todo o santo (literalmente) dia...!

"Quando morrer, vou para o sítio onde estava antes de nascer"... um sítio sem tempo nem espaço, onde tudo É.


"O Pe Tolentino é o padre que me casou. Eu aceitei vir aqui, porque já lhe perdoei o que ele me fez"... ainda bem que este teólogo brutal da vida assim aceitou e perdoou o homem.. de certeza que é paleio fiado. Gente assim é muito feliz com quem está... um testemunho inspirado este...

Senhoras e senhores, Ricardo Araújo Pereira:





Pensar Global - ORBIS - Vagos FM


Um programa em parceria 
VAGOS FM e ORBIS - Cooperação e Desenvolvimento
no ar todas as sextas feiras, a partir das 14h20m em 88.8 FM

Entre o Céu e o Inferno - Vagos FM

Um programa da Vagos FM que vai para o ar todos os dias às 9h40, com reposição às 17h20. Com um painel rotativo de cinco pessoas... Esta é a edição de sexta feira... oiça a Vagos FM em 88.8 FM





sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Entre o céu e o inferno - Vagos FM

 Um programa da Vagos FM que vai para o ar todos os dias às 9h40, com reposição às 17h20. Com um painel rotativo de cinco pessoas... Esta é a edição de sexta feira... oiça a Vagos FM em 88.8 FM





09 de Dezembro de 2011

 

 02 de Dezembro de 2011

Pensar Global - ORBIS - VAGOS FM



09 de Dezembro de 2011

 

 02 de Dezembro de 2011

 



terça-feira, 6 de dezembro de 2011

[ORBIS] balanço de bem mais do que 5 anos...







Num balanço muito pessoal e introspectivo... Foram cinco, seis... sete anos brutais a montar e trabalhar com uma equipa brutal.... Isso é o que de melhor tenho comigo e é o balanço mais profundo de todo este tempo e do muito ou pouco, pequeno ou grande que fomos fazendo. Devo tudo a esta gente... e na fotografia ainda faltam deles.. da equipa de hoje. 

Faltam deles... dos que estão a chegar e a preparar-se agora. Faltam também os que já saíram.. alguns, mesmo, chateados comigo!.. Falhas de comunicação acontecem sempre, e as consequências também, quer se queira, quer não..

Foi tempo de muito crescimento pessoal, de alguns sacrifícios, de tempo investido, de tempo perdido, de tempo ganho, de tempo de aprendizagem, de envelhecer também... todos os sinais e cicatrizes da vida são histórias para contar! Tempo de relações e realizações humanas.

Agora, de entre os muitos passos a dar a seguir, há um muito importante, fazer a ORBIS continuar para além do primeiro ciclo... 

Fazê-la crescer, reinventar-se, "rebrand'ar-se" cada vez que for necessário a sua acção e missão resolver cada vez melhor os desafios, problemas e necessidades pelas quais foi criada como resposta! Vamos a isto... unidos.

'We're Pirates... not the navy'!
                                                                    Jay Chiat


*cortesia Vagos FM (88.8)





terça-feira, 22 de novembro de 2011

Um professor muito conhecido... (ou nem por isso)

Hoje soube que na próxima semana começo a dar aulas a duas turmas de... crianças de 6 anos!

Confesso que a ideia me entusiasma tanto quanto me assusta: MUITO!

Já dei aulas ao 2º ciclo, ao 3º ciclo. Agora ao secundário, ao superior... e.... pequenitates... eles têm uma visão tão clara e desconcertante de tudo, fazem perguntas que mais parecem respostas com conteúdo para ficarmos a pensar durante pelo menos 10 minutos naquela abrangência e sentido todo...

Vai ser bonito...

Fica um texto enviado por um colega professor e que me faz ter algum optimismo e sobretudo esperança... este professor muito conhecido... era de Aveiro também...

Aqui fica o texto... motivador... sobre a memória de uma primeira aula...







Barreiro, 4 de Outubro de 1967
(Quarta-feira)

"Segundo dia de aulas. Continua o desassossego, com o pessoal a trocar
beijos, abraços e confidências, depois desta longa separação que foram
3 meses e meio de férias. Estávamos todos fartos do verão, com
saudades uns dos outros. A sala é a mesma do ano passado, no 1º andar
e cheirava a nova, tudo encerado e polido, apesar do material já ser
mais do que velho. Somos o 7.º A e como não chumbou nem veio ninguém
de novo, a pauta é exactamente igual à do ano passado. Eu sou o n.º
34, e fico sentada na segunda fila, do lado da janela, cá atrás, que é
o lugar dos mais altos.

Hoje tivemos, pela primeira vez, Organização Política e apareceu-nos
um professor novo, acho que é a primeira vez que dá aulas em Setúbal,
dizem que veio corrido de um liceu de Coimbra, por causa da política.
Já ontem se falava à boca cheia dele, havia malta muito excitada e
contente porque dizem que ele é um fadista afamado. Tenho realmente
uma vaga ideia de ouvir o meu tio Diamantino falar dele, mas já não
sei se foi por causa da cantoria se por causa da política. A Inês
contou que ouviu o pai comentar, em casa, que o homem é todo
revolucionário, arranja sarilhos por todo o lado onde passa. Ela diz
que ele já esteve preso por causa da política, é capaz de ser
comunista. Diferente dos outros professores, é de certeza. Quando
entrou na sala, já tinha dado o segundo toque, estava quase no limite
da falta. Entrou por ali a dentro, todo despenteado, com uma gabardine
na mão e enquanto a atirava para cima da secretária, perguntou-nos:

- Vocês são o 7.º A, não são? Desculpem o atraso mas enganei-me e fui
parar a outra sala. Não faz mal. Se vocês chegarem atrasados também
não vos vou chatear
Tinha um ar simpático, ligeiro, um visual que não se enquadrava nada
com a imagem de todos os outros professores. Deu para perceber que as
primeiras palavras, aliadas à postura solta e descontraída, começavam
a cativar toda a gente. A Carolina virou-se para trás e disse-me que
já o tinha visto na televisão, a cantar Fado de Coimbra. Realmente o
rosto não me era estranho. É alto, feições correctas, embora os dentes
não sejam um modelo de perfeição e é bem parecido, digamos que um
homem interessante para se olhar. O Artur soprou-me que ele deve ter
uns 36 anos e acho que sim, nota-se que já é velho. Depois das
primeiras palavras, sentou-se na secretária, abriu o livro de ponto,
rabiscou o que tinha a escrever e ficou uns cinco minutos, em
silêncio, a olhar o pátio vazio, através das janelas da sala,
impecavelmente limpas.

Enquanto ele estava nesta espécie de marasmo nós começámos a bichanar
uns com os outros, cada um emitindo a sua opinião, fazendo
conjecturas. Às tantas, o bichanar foi subindo de tom e já era uma
algazarra tão grande que parece tê-lo acordado. Outro qualquer
professor já nos teria pregado um raspanete, coberto de ameaças, mas
ele não disse nada, como se não tivesse ouvido ou, melhor, não se
importasse. Aliás, aposto que nem nos ouviu. O ar dele, enquanto
esteve ausente, era tão distante que mais parecia ter-se,
efectivamente, evadido da sala. Quando recomeçou a falar connosco, em
pé, em cima do estrado, já tinha ganho o primeiro round de simpatia.
Depois, veio o mais surpreendente:

- Bem, eu sou o vosso novo professor de Organização Política, mas devo
dizer-vos que não percebo nada disto. Vocês já deram isto o ano
passado, não foi? Então sabem, de certeza, mais que eu.
Gargalhada geral.

- Podem rir porque é verdade. Eu não percebo nada disto, as minhas
disciplinas, aquelas em que me formei, são História e Filosofia, não
tenho culpa que me tivessem posto aqui, tipo castigo, para dar uma
matéria que não conheço, nem me interessa. Podia estudar para vir aqui
desbobinar, tipo papagaio, mas não estou para isso. Não entro em
palhaçadas.
Voltámos a rir, numa sonora gargalhada, tipo coro afinado, mas ele
ficou impávido e sereno. Continuava a mostrar um semblante discreto,
calmo, simpático.

- Pois é, não vou sobrecarregar a minha massa cinzenta com coisas
absolutamente inúteis e falsas. Tudo isto é uma fantochada sem
interesse. Não vou perder um minuto do meu estudo com esta porcaria.
Começámos a olhar uns para outros, espantados; nunca na vida nos tinha
passado pela frente um professor com tamanha ousadia.

- Eu estudaria, isso sim, uma Organização Política que funcionasse,
como noutros países acontece, não é esta fantochada que não passa de
pura teoria. Na prática não existe, é uma Constituição carregada de
falsidade. Portugal vive numa democracia de fachada, este regime que
nos governa é uma ditadura desumana e cruel.

Não se ouvia uma mosca na sala. Os rostos tinham deixado cair o
sorriso e estavam agora absolutamente atónitos, vidrados no rosto e
nas palavras daquele homem ímpar. O que ele nos estava a dizer é o que
ouvimos comentar, todos os dias, aos nossos pais, mas sempre com as
devidas recomendações para não o repetirmos na rua porque nunca se
sabe quem ouve. A Pide persegue toda a gente como uma nuvem de fumo
branco, que se sente mas não se apalpa.

- Repito: eu não percebo nada desta disciplina que vos venho
leccionar, nem quero perceber. Estou-me nas tintas para esta porcaria.
Mas, atenção, vocês é outra coisa. Vocês vão ter que estudar porque,
no final do ano, vão ter que fazer exame para concluírem o vosso 7.º
ano e poderem entrar na Faculdade. Isso, vocês tem que fazer. Estudar.
Para serem homens e mulheres cultos para poderem combater, cada um
onde estiver, esta ditadura infame que está a destruir a vossa pátria
e a dos vossos filhos. Vocês são o amanhã e são vocês que têm que
lutar por um novo país.

Não vão precisar de mim para estudar esta materiazinha de chacha,
basta estudarem umas horas e empinam isto num instante. Isto não vale
nada. Eu venho dar aulas, preciso de vir, preciso de ganhar a vida,
mas as minhas aulas vão ser aulas de cultura e política geral. Vão
ficar a saber que há países onde existem regimes diferentes deste, que
nos oprime, países onde há liberdade de pensamento e de expressão,
educação para todos, cuidados de saúde que não são apenas para os
privilegiados, enfim, outras coisas que a seu tempo vos ensinarei.
Percebem? Nós temos que aprender a não ser autómatos, a pensar pela
nossa cabeça. O Salazar quer fazer de vocês, a juventude deste país,
carneiros, mas eu não vou deixar que os meus alunos o sejam. Vou
abrir-lhes a porta do conhecimento, da cultura e da verdade. Vou
ensinar-lhes que, além fronteiras, há outros mundos e outras hipóteses
de vida, que não se configuram a esta ditadura de miséria social e
cultural.

Outra coisa: vou ter que vos dar um ponto por período porque vocês têm
que ter notas para ir a exame. O ponto que farei será com perguntas do
vosso livro que terão que ter a paciência de estudar. A matéria é uma
falsidade do princípio ao fim, mas não há volta a dar, para atingirem
os vossos mais altos objectivos. Têm que estudar. Se quiserem copiar é
com vocês, não vou andar, feita toupeira, a fiscalizá-los, se quiserem
trazer o livro e copiar, é uma decisão vossa, no entanto acho que
devem começar a endireitar este país no sentido da honestidade, sim
porque o nosso país é um país de bufos, de corruptos e de vigaristas.
Não falo de vocês, jovens, falo dos homens da minha idade e mais
velhos, em qualquer quadrante da sociedade. Nós temos sempre que
mostrar o que somos, temos que ser dignos connosco para sermos dignos
com os outros. Por isso, acho que não devem copiar. Há que criar
princípios de honestidade e isso começa em vocês, os futuros homens e
mulheres de Portugal. Não concordam?
Bem, por hoje é tudo, podem sair. Vemo-nos na próxima aula.

Espantoso. Quando ele terminou estava tudo lívido, sem palavras. Que
fenómeno é este que aterrou em Setúbal?
Já me esquecia de escrever. Esta ave rara, o nosso professor de
Organização Política, chama-se Zeca Afonso.