terça-feira, 10 de junho de 2008

A crise da globalização e os jovens que não querem saber de política

1. Roma, semana passada. Foi a cimeira da FAO, agência da ONU para a alimentação e agricultura. Reuniram-se vários chefes de Estado, mais do que aquele que seriam de esperar normalmente e algumas mais delegações de Estado. Foram representados 143 países.
Foi comovente o discurso de uma das dirigentes da organização anfitriã, não pelas estastíticas da fome ou das toneladas de arroz que não foram produzidas, mas por um gesto: apresentou uma tigela, daquelas de madeira que nós por aqui não vemos mas que no mundo do sul é omnipresente sempre que há a alegria de uma refeição. Dizia ela que enchê-la hoje, custa mais 40% do que o ano passado.
Algo vai mal quando acontece isso, neste caso, são várias as coisas que estão a falhar.
O recurso petróleo sobe, desce. Uns dizem que é uma bolha e que voltará aos 50 USD/barril. Outros dizem que não, que os preços não voltarão nunca mais ao que eram no passado. Uns dizem que as jazidas vão terminar em breve, outros que nunca se conheceram tantas (em quantidade do líquido) como agora. Uns dizem que polui, outros dizem que não há alternativa.
O que parece é que ninguém parece dizer o que diz com a objectividade necessária que os interesses prejudicam. Todos falam a partir do seu ponto de vista e ele geralmente é o coincidente com os seus investimentos.
Não podemos pensar o mundo assim, pelo nosso olhar apenas. Daí a riqueza da diversidade. É urgente ir ao encontro dos outros, da sua situação, seja ela uma realidade próxima ou distante.
É uma questão de justiça equilibrar a globalização e as deslocalizações que ela provoca, trazendo a instabilidade, a competição, a fome e a miséria social. Ontem foram fábricas nos EUA que vieram para cá. Hoje elas vão a caminho da Europa de Leste, numa altura em que competímos de carne para canhão com a China e a sua mão de obra escrava. Os serviços, o forte de Portugal, caminha para as outsorcing’s da Índia, de Cabo Verde, etc…
O Desenvolvimento de uns, dificuldades para outros, uma tensão permanente que dá demasiadas vezes em guerra e destruição. É isto que queremos como humanidade?...
O mundo é como um vaso com água a diferentes alturas outrora separadas pelas cortinas de ferro do proteccionismo.
As comportas dos mercados abriram-se e a água corre para os compartimentos onde antes não a havia. Mas isso é temporário, dura até ao equilíbrio da igualdade.
A água só correrá enquanto houver mobilidade. Para ela é necessária a energia, o petróleo, a comunicação. Sem isso voltamos aos (E)estados anteriores.
O mundo de hoje tem o desafio formidável de escolher o seu caminho e as suas prioridades.

2. Os jovens, herdeiros desse mundo, estão atentos a ele. Uns mais activistas, outros mais negociadores, uns pragmáticos, outros idealistas, outros ambos… São milhares que partem todos os anos em trabalho de voluntariado, o grosso dos colaboradores da ORBIS, são jovens; a Amnistia Interncional de Aveiro, são jovens, etc, etc. Esta é a sua maneira de fazer política, de se interessarem pela política. E é de facto a maneira original da política.
São muitos os que estão empenhados e a trabalhar em rede… Por isso aqueles que dizem que os jovens não querem saber de política, estão a mentir. Não querem saber é de tretas porque estão ocupados a trabalhar para mudar o mundo que vão herdar. Fique-se certo disso. Daqui a uns anos já se vai notar!

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O AVEIRO

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