... nem sempre (ou nunca mesmo) é fácil mudar o que quer que seja, nem em nós, nem nas realidades em que intervimos, que são, a maior parte das vezes, tão pesadas quanto a estruturas, tão eficazes no controlo, e isso acontece também onde somos nós a liderança.. às vezes até penso que mais aí, porque quanto mais "decisiva" a posição, parece que mais de mãos atadas nos vemos.
A tentação de arrumar para o lado e deixar ir, deixar andar é grande... ultimamente tem sido cada vez maior, confesso-me. No pouco tempo que ando no mundo ainda, naquilo que já estive e vou estando envolvido, tenho visto do melhor e do pior. Tenho-me visto a mim próprio a fazer e a integrar do melhor, e a ser, também, do pior.
Em todas as coisas vou vendo potencial enorme para proporcionar bem e vou vendo também muito desse potencial por aproveitar. Este artigo não tem propostas de soluções. Se as procura, não leia mais. Hoje só se levantam questões de facto.
Há algum tempo, ouvi dizer num congresso que produtividade é quando tornamos a vida das pessoas melhor... ficou-me. e tenho visto coisas enormes desse ponto de vista. Mas também tenho visto desperdício de tempo na mesma proporção.
Outra ocasião ouvi o Nobel da Paz, D. Ximenes Belo, dizer que a Política é a ferramenta mais eficaz para construir a Paz e um mundo melhor.
Nesse tempo não entendi a afirmação que me pareceu ir muito para o lado, dada a perspectiva podre do que via na política e nos chatos da política.
Mais tarde comecei a ver as coisas de outro modo, graças aos mestres Mandela, Kenniata, Lincoln, Gandhi, Churchill, Roosevelt's, R. Kennedy... e alguns mais... gente que inspira.
Olhando para a política ao de leve... não vemos nada disso. Vê-la por dentro, analisar-lhe o xadrez... também não se vê nada disso. Mas apesar dessa evidência, a cada desilusão, continuo a acreditar que sim, que um dia seremos nobres e a ferramenta funcionará. Aqueles mestres ali acima, e outros, geralmente anónimos, locais, ou mesmo mundiais (a eleição de Obama foi histórica.. o resto mais tarde se verá) provaram-nos isso e mudaram um bocadinho mais o que os rodeia e a si próprios também.
Também a Igreja, outra expressão de mega-associativismo muito interessante sociologicamente, é um espelho do ser humano. Cheia de defeitos, cheia de qualidades, cheia de potencial, cheia de extremos, conservadorismo e ideias mais liberais. Cheia de mal e de incoerência, de poder e de superioridade... que nada tem a ver com o Mestre da Galileia. Também cheia de pureza, de uma Fé de ideias, capaz de gestos de tão silenciosos que são, geradores de milagres, de partilha, de beleza. Cheia de discordância e de posições idiotas (as nossas e as dos outros, dependendo do ponto de vista) que temos de ouvir sempre, porque também nos ouvirão a nós (ou não, ou não...).
É preciso acreditar, tentar fazê-lo e tentar nunca perder a perspectiva. Esse é um desafio enorme, principalmente quando nos sabemos impedidos de entrar num sítio, de dar aulas noutro, de nos expressarmos ou de tomarmos posições, denunciar situações que entendemos injustas (mais não seja pelo quadro legal que vigora, pelos Direitos Humanos, entre outros códigos orientadores)... só porque pensamos de maneira diferente e nos catalogam com outras cores que não as suas...
Manter a perspectiva. Manter a perspectiva, mesmo que o que estamos a fazer pareça improdutivo porque não melhora a vida de ninguém. Manter a perspectiva, porque pode ser que se a perdermos, possamos não ver que vale a pena... porque isto é o que Democracia se parece... uma coisa que dá voz a todos, até aos silenciadores... os tais que passam a vida a falar de crises, sempre a sustentarem-se na ilusão de que controlam(os) alguma coisa.
in: jornal o ponto
Há algum tempo, ouvi dizer num congresso que produtividade é quando tornamos a vida das pessoas melhor... ficou-me. e tenho visto coisas enormes desse ponto de vista. Mas também tenho visto desperdício de tempo na mesma proporção.
Outra ocasião ouvi o Nobel da Paz, D. Ximenes Belo, dizer que a Política é a ferramenta mais eficaz para construir a Paz e um mundo melhor.
Nesse tempo não entendi a afirmação que me pareceu ir muito para o lado, dada a perspectiva podre do que via na política e nos chatos da política.
Mais tarde comecei a ver as coisas de outro modo, graças aos mestres Mandela, Kenniata, Lincoln, Gandhi, Churchill, Roosevelt's, R. Kennedy... e alguns mais... gente que inspira.
Olhando para a política ao de leve... não vemos nada disso. Vê-la por dentro, analisar-lhe o xadrez... também não se vê nada disso. Mas apesar dessa evidência, a cada desilusão, continuo a acreditar que sim, que um dia seremos nobres e a ferramenta funcionará. Aqueles mestres ali acima, e outros, geralmente anónimos, locais, ou mesmo mundiais (a eleição de Obama foi histórica.. o resto mais tarde se verá) provaram-nos isso e mudaram um bocadinho mais o que os rodeia e a si próprios também.
Também a Igreja, outra expressão de mega-associativismo muito interessante sociologicamente, é um espelho do ser humano. Cheia de defeitos, cheia de qualidades, cheia de potencial, cheia de extremos, conservadorismo e ideias mais liberais. Cheia de mal e de incoerência, de poder e de superioridade... que nada tem a ver com o Mestre da Galileia. Também cheia de pureza, de uma Fé de ideias, capaz de gestos de tão silenciosos que são, geradores de milagres, de partilha, de beleza. Cheia de discordância e de posições idiotas (as nossas e as dos outros, dependendo do ponto de vista) que temos de ouvir sempre, porque também nos ouvirão a nós (ou não, ou não...).
É preciso acreditar, tentar fazê-lo e tentar nunca perder a perspectiva. Esse é um desafio enorme, principalmente quando nos sabemos impedidos de entrar num sítio, de dar aulas noutro, de nos expressarmos ou de tomarmos posições, denunciar situações que entendemos injustas (mais não seja pelo quadro legal que vigora, pelos Direitos Humanos, entre outros códigos orientadores)... só porque pensamos de maneira diferente e nos catalogam com outras cores que não as suas...
Manter a perspectiva. Manter a perspectiva, mesmo que o que estamos a fazer pareça improdutivo porque não melhora a vida de ninguém. Manter a perspectiva, porque pode ser que se a perdermos, possamos não ver que vale a pena... porque isto é o que Democracia se parece... uma coisa que dá voz a todos, até aos silenciadores... os tais que passam a vida a falar de crises, sempre a sustentarem-se na ilusão de que controlam(os) alguma coisa.
in: jornal o ponto


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