segunda-feira, 28 de março de 2016

É Páscoa em Lahore.



Dia de Páscoa de 2016, um atentado suicida de ideias extremas, mata quase uma centena de mulheres e crianças que brincavam na rua em Lahore.

De olhar perdido, é no entanto Páscoa, quase como um paradoxo, a esperança teima em ser ação. A Vida sobrepõe-se, sempre, sempre e no meio do desconhecimento que faz a intolerância, que faz os mundos criticarem-se, porque temos sempre medo do que não conhecemos e o que não conhecemos pode ser uma ameaça. Destruir é mais fácil, mais urgente do que caminhar ao encontro do outro, desse não conhecimento em quem assentamos todas as culpas.
Não conhecemos a vida dos outros nem aquilo em que acreditam, não fazemos pontes, não construímos concórdia. É mais fácil o barulho, o estrondo.
É mais fácil rebentar bombas e culpar religiões, estão a jeito, culpar a injustiça e o mal. É mais fácil apontar o dedo que compreender.

Nada na Religião, nada, fala de ódio e de causar morte a outro. Passa-me pela memória o rosto de amigos muçulmanos, uns xiitas, outros sunitas, o rosto de amigos cristãos onde ser cristão é ser minoria, ali mesmo em Lahore, no Paquistão. Passam-me o rosto de amigos hindus e budistas e tantos outros, longe e perto e tão semelhantes no seu carinho e na sua bondade. São eles o modelo de religamento, do religar, do religião.

Nada explica uma coisa destas. Tento apenas perceber como chegámos aqui enquanto civilização. Um ser vivo, mata-se para matar uma centena de seres vivos da sua espécie. Nada explica isto, apenas conforta a esperança que persiste.

É dia de Páscoa. É dia de Vida.





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