sexta-feira, 2 de março de 2012

Pensar...... Vagos FM





Entre o céu e o inferno, um programa da VAGOS FM, no ar todos os dias às 09h40 com reposição às 17h20.

o negativo... a taxa de desemprego em Portugal. o positivo... a Coreia do Norte vai desistindo do nuclear em troca de ajuda externa e alimentação!... a Paz vence a guerra!




Pensar Global, um programa da VAGOS FM em parceria com a ORBIS, no ar todas as sextas feiras a partir das 14h30.


A apenas um ano do terramoto do Japão... a eficácia da ajuda externa e a boa implementação dos apoio fazem com que na maior parte do país já se viva a normalidade.... um exemplo de Desenvolvimento que o mundo pode... deve.... seguir!



sábado, 11 de fevereiro de 2012

Entre o céu e o inferno - Vagos FM

Justiça e Direitos Humanos na Economia Internacional... sim.
Proteccionismo só por interesse de vendas em monopólio... não.
No entanto... posso estar errado.

 

domingo, 29 de janeiro de 2012

Entre o céu e o Inferno - VAGOS FM






Dar cabo da economia para resolver o défice...
ou fazer a economia crescer para que o défice... se resolva?


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Entre o Céu e o Inferno - VAGOS FM





20 e Janeiro de 2012

Economia e acordos... Barcelona e Real Madrid... Girassóis do Sporting e o Benfica soma e segue!

 


13 de Janeiro de 2012

Não me lembro!.. Eduardo "Catloga e afins"... Surf em Vagos.. paraíso para uns quantos ou um cluster desaproveitado.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Negócios da China

"Pensar Global"
um programa da VAGOS FM em parceria coma ORBIS - Cooperação e Desenvolvimento
todas as sextas a partir das 14h30



Esta semana pensamos nos negócios com o Governo da República popular da China como contributo para a melhoria dos Direitos Humanos no mundo!...

É gente normal, a que vai mudar o mundo...

"Entre o Céu e o Inferno" - Vagos FM




terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Um Homem livre...



* assim apresentado por Anselmo Borges, José Maria Castillo fala do que muitos pensam, ou talvez nem isso... nem pensem...


fonte: Tribo de Jacob, in Jornal Público de hoje.








sábado, 24 de dezembro de 2011

Someday at Christmas...

Someday at Christmas, men wont be boys
Playing with bombs boys play with toys
One warm December, our hearts will see
A world where men are free

And some day at christmas, there'll be no wars
When we have learned what christmas is for
When we have found out what life is really worth
Then there will be peace on Earth

Someday all of our dreams will come to be
Someday in a world where men are free
Maybe not in time for you or for me
But someday at Christmas time

And someday at christmas, there'll be no tears
All men are equal and no men have fears
In one shining moment my heart ran away
From the world that we live in today

And someday at Christmas, men will not fail
Take all because your love will prevail
Someday in a new world that we can only start
With hope in every heart

And someday all of our dreams will come to be
Someday in a world where men are free
Maybe not in time for you or for me
But someday at Christmas time

There will be peace on Earth,
I said there will be peace on Earth




sábado, 17 de dezembro de 2011

O diário de um pastor de Belém





in: jornal Correio do Vouga, edição especial de Natal 2011

Uma vida doce, mas dura. Era assim que vivia naqueles dias, sem poisos fixos, sem rotinas certas, sem horas para o que fosse mais do que o nascer do sol, o pôr do sol, o frio enganado pelo crepitar de uma fogueira noite adentro, a frescura da sombra dia alto.
Não se pertence a nada, nada nos pertence, apenas o dia e aquilo que estamos a ser, a fazer.

Era temente a Àquele de quem não se podia dizer o nome, como qualquer outro judeu. Os meus sacrifícios eram feitos do altar da terra prometida, não nos templos. O vestir e o comer era o nosso de cada dia. Nada mais, nada menos.

As paredes do meu quarto estavam forradas a flores do campo, o chão a erva fresca e doce de orvalho. As copas das árvores, baixas nestas terras davam-me o tecto necessário junto do estábulo.
A minha língua era a do silêncio, a de quem vê o mundo e aprende a cada passagem, uma lição que não se percebeu na anterior.

A minha família estava distante, quase como se não tivesse raízes, era assim que o mundo me via.
O judaísmo preza as origens, a linhagem, a família, a terra, a que nos foi dada em promessa e que teimamos não partilhar com os outros, delimitando nomes e espaços.
Era por isso que não nos viam com bons olhos. Pastores são vagabundos que correm a terra por onde alcança o verde para as suas ovelhas, que dariam a lã que os fariseus e sacerdotes do templo haviam de vestir.

Seriamos os últimos a ver um Rei, seja qual ele fosse que viesse.

Nisso estranhei o vento tranquilo de uma noite, fria e estranha por isso àquela altura amena do ano. Vento e luzes, cintilantes no céu por cima do meu leito de sono e silêncio.  Aquele silêncio que se sente quando somos abandonados da sociedade, os últimos em tudo, até nos que nos pregam em primeiro.
Ouvimos a notícia de uma criança que acabara de nascer num dos estábulos dos nossos.
Não havia lugar na estalagem para uma mulher prestes a dar à luz. Eram oito, os dias de impureza nela e em quem quer que lhe tocasse.
Ficou no calor do abrigo de um dos meus. O pobre acolher o pobre, o rejeitado acolhe o rejeitado e é assim que ele o deixa de ser, porque afinal, foi acolhido.

A luz cintilante saía do abrigo. Foi curioso, mas com medo que me cheguei perto e entrei. Levei comigo o cordeiro mais pequeno, com a lã mais limpa e macia. O pequenino bebé sentir-se-ia seguro e quente, envolvido pela sua mãe, com esta lã, como se o próprio Deus o pegasse no colo. Não são estes meus cordeiros amados de Deus que os criou?...

Fui de mansinho, como quando se vê uma criança... Há sempre um certo brilho ao redor dela quando dorme. Uma solenidade própria de quem está a ver a criação a acontecer naquele instante, Deus e o sopro suave de Amor que acontece a cada respirar tranquilo do sono da criança, das novas células que nascem e se transformam, no sentido de todo o presépios encerrado naquele estábulo de menino que dorme tranquilo nos seus momentos primeiros de chegada à terra.
A mãe descansava, enquanto o pai nos deu as boas vindas interrompendo o alimento do borralho onde se aquecia alguma comida que trouxemos.
A paz imensa que todas as crianças recém nascidas pintam de cores o que as rodeia era o que me inundava.

Silêncio e contemplação. Ser frágil, de pele macia, envolto em panos e palhas de onde os animais comem.

O que nos dirá Ele quando crescer? Que arte será? Pastor excluído como eu? Carpinteiro? Médico? Pedagogo? Será ele um homem de palavras ou de palavra? Será feliz? Terá as suas origens demarcadas? Deixará descendência?

Quem será e o que fará deste tempo que corre desde agora até que parta deste mundo? O que ficará diferente por causa Dele?

Quantos trilhos terá de correr, ele que começa aqui tão debaixo, tão invisível, rejeitado pela tradição, que tradição começará Ele? O que farão em nome Dele?

Nasceu humilde, sem promessas ou luzes de benvindo ao mundo. Mas como dizem noutras paragens por onde já andei, procurando os melhores pastos, cada vez que nasce uma criança, é Jeová Deus que diz aos Homem que acredita na humanidade.

Glória a Ele e paz na terra aos homens de boa vontade.
Naquele noite doce e feliz... eu tive paz, um pastor sem nome da Palestina com pouco mais que boa vontade.


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Ricardo Araújo Pereira e a questão de Deus

Crente ou não crente, crente em qualquer coisa e é tanto e tão bom tudo aquilo que temos e em que podemos acreditar... estou convencido que o que importa aqui é a procura, o esclarecimento, o não se acomodar a respostas, o respeito e a abertura a todos... Até com humor se dão lições e se fala de Deus... tenho a impressão que Ele, a existir, será um Ser que se Ri muito...!

Ricardo Araújo Pereira diz-se não crente. Então eu também não serei... ando à procura e tenho a impressão que no fim, quando lá chegar, vou ser "eternamente" surpreendido com o que vou ver.

"Eu não tenho que ganhar o céu"... Se tivesse de o ganhar, não teria a mínima hipótese. Ainda bem que o amor safa tudo. Esta é dedicada às sumidades santas ambulantes... isto não é justo pá... o Amor salva tudo... os de cara trista e santa, e os pecadores alegres... vamos todos lá parar àquela praia onde as ondas são ordenadinhas todo o santo (literalmente) dia...!

"Quando morrer, vou para o sítio onde estava antes de nascer"... um sítio sem tempo nem espaço, onde tudo É.


"O Pe Tolentino é o padre que me casou. Eu aceitei vir aqui, porque já lhe perdoei o que ele me fez"... ainda bem que este teólogo brutal da vida assim aceitou e perdoou o homem.. de certeza que é paleio fiado. Gente assim é muito feliz com quem está... um testemunho inspirado este...

Senhoras e senhores, Ricardo Araújo Pereira:





Pensar Global - ORBIS - Vagos FM


Um programa em parceria 
VAGOS FM e ORBIS - Cooperação e Desenvolvimento
no ar todas as sextas feiras, a partir das 14h20m em 88.8 FM

Entre o Céu e o Inferno - Vagos FM

Um programa da Vagos FM que vai para o ar todos os dias às 9h40, com reposição às 17h20. Com um painel rotativo de cinco pessoas... Esta é a edição de sexta feira... oiça a Vagos FM em 88.8 FM





sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Entre o céu e o inferno - Vagos FM

 Um programa da Vagos FM que vai para o ar todos os dias às 9h40, com reposição às 17h20. Com um painel rotativo de cinco pessoas... Esta é a edição de sexta feira... oiça a Vagos FM em 88.8 FM





09 de Dezembro de 2011

 

 02 de Dezembro de 2011

Pensar Global - ORBIS - VAGOS FM



09 de Dezembro de 2011

 

 02 de Dezembro de 2011

 



terça-feira, 6 de dezembro de 2011

[ORBIS] balanço de bem mais do que 5 anos...







Num balanço muito pessoal e introspectivo... Foram cinco, seis... sete anos brutais a montar e trabalhar com uma equipa brutal.... Isso é o que de melhor tenho comigo e é o balanço mais profundo de todo este tempo e do muito ou pouco, pequeno ou grande que fomos fazendo. Devo tudo a esta gente... e na fotografia ainda faltam deles.. da equipa de hoje. 

Faltam deles... dos que estão a chegar e a preparar-se agora. Faltam também os que já saíram.. alguns, mesmo, chateados comigo!.. Falhas de comunicação acontecem sempre, e as consequências também, quer se queira, quer não..

Foi tempo de muito crescimento pessoal, de alguns sacrifícios, de tempo investido, de tempo perdido, de tempo ganho, de tempo de aprendizagem, de envelhecer também... todos os sinais e cicatrizes da vida são histórias para contar! Tempo de relações e realizações humanas.

Agora, de entre os muitos passos a dar a seguir, há um muito importante, fazer a ORBIS continuar para além do primeiro ciclo... 

Fazê-la crescer, reinventar-se, "rebrand'ar-se" cada vez que for necessário a sua acção e missão resolver cada vez melhor os desafios, problemas e necessidades pelas quais foi criada como resposta! Vamos a isto... unidos.

'We're Pirates... not the navy'!
                                                                    Jay Chiat


*cortesia Vagos FM (88.8)





terça-feira, 22 de novembro de 2011

Um professor muito conhecido... (ou nem por isso)

Hoje soube que na próxima semana começo a dar aulas a duas turmas de... crianças de 6 anos!

Confesso que a ideia me entusiasma tanto quanto me assusta: MUITO!

Já dei aulas ao 2º ciclo, ao 3º ciclo. Agora ao secundário, ao superior... e.... pequenitates... eles têm uma visão tão clara e desconcertante de tudo, fazem perguntas que mais parecem respostas com conteúdo para ficarmos a pensar durante pelo menos 10 minutos naquela abrangência e sentido todo...

Vai ser bonito...

Fica um texto enviado por um colega professor e que me faz ter algum optimismo e sobretudo esperança... este professor muito conhecido... era de Aveiro também...

Aqui fica o texto... motivador... sobre a memória de uma primeira aula...







Barreiro, 4 de Outubro de 1967
(Quarta-feira)

"Segundo dia de aulas. Continua o desassossego, com o pessoal a trocar
beijos, abraços e confidências, depois desta longa separação que foram
3 meses e meio de férias. Estávamos todos fartos do verão, com
saudades uns dos outros. A sala é a mesma do ano passado, no 1º andar
e cheirava a nova, tudo encerado e polido, apesar do material já ser
mais do que velho. Somos o 7.º A e como não chumbou nem veio ninguém
de novo, a pauta é exactamente igual à do ano passado. Eu sou o n.º
34, e fico sentada na segunda fila, do lado da janela, cá atrás, que é
o lugar dos mais altos.

Hoje tivemos, pela primeira vez, Organização Política e apareceu-nos
um professor novo, acho que é a primeira vez que dá aulas em Setúbal,
dizem que veio corrido de um liceu de Coimbra, por causa da política.
Já ontem se falava à boca cheia dele, havia malta muito excitada e
contente porque dizem que ele é um fadista afamado. Tenho realmente
uma vaga ideia de ouvir o meu tio Diamantino falar dele, mas já não
sei se foi por causa da cantoria se por causa da política. A Inês
contou que ouviu o pai comentar, em casa, que o homem é todo
revolucionário, arranja sarilhos por todo o lado onde passa. Ela diz
que ele já esteve preso por causa da política, é capaz de ser
comunista. Diferente dos outros professores, é de certeza. Quando
entrou na sala, já tinha dado o segundo toque, estava quase no limite
da falta. Entrou por ali a dentro, todo despenteado, com uma gabardine
na mão e enquanto a atirava para cima da secretária, perguntou-nos:

- Vocês são o 7.º A, não são? Desculpem o atraso mas enganei-me e fui
parar a outra sala. Não faz mal. Se vocês chegarem atrasados também
não vos vou chatear
Tinha um ar simpático, ligeiro, um visual que não se enquadrava nada
com a imagem de todos os outros professores. Deu para perceber que as
primeiras palavras, aliadas à postura solta e descontraída, começavam
a cativar toda a gente. A Carolina virou-se para trás e disse-me que
já o tinha visto na televisão, a cantar Fado de Coimbra. Realmente o
rosto não me era estranho. É alto, feições correctas, embora os dentes
não sejam um modelo de perfeição e é bem parecido, digamos que um
homem interessante para se olhar. O Artur soprou-me que ele deve ter
uns 36 anos e acho que sim, nota-se que já é velho. Depois das
primeiras palavras, sentou-se na secretária, abriu o livro de ponto,
rabiscou o que tinha a escrever e ficou uns cinco minutos, em
silêncio, a olhar o pátio vazio, através das janelas da sala,
impecavelmente limpas.

Enquanto ele estava nesta espécie de marasmo nós começámos a bichanar
uns com os outros, cada um emitindo a sua opinião, fazendo
conjecturas. Às tantas, o bichanar foi subindo de tom e já era uma
algazarra tão grande que parece tê-lo acordado. Outro qualquer
professor já nos teria pregado um raspanete, coberto de ameaças, mas
ele não disse nada, como se não tivesse ouvido ou, melhor, não se
importasse. Aliás, aposto que nem nos ouviu. O ar dele, enquanto
esteve ausente, era tão distante que mais parecia ter-se,
efectivamente, evadido da sala. Quando recomeçou a falar connosco, em
pé, em cima do estrado, já tinha ganho o primeiro round de simpatia.
Depois, veio o mais surpreendente:

- Bem, eu sou o vosso novo professor de Organização Política, mas devo
dizer-vos que não percebo nada disto. Vocês já deram isto o ano
passado, não foi? Então sabem, de certeza, mais que eu.
Gargalhada geral.

- Podem rir porque é verdade. Eu não percebo nada disto, as minhas
disciplinas, aquelas em que me formei, são História e Filosofia, não
tenho culpa que me tivessem posto aqui, tipo castigo, para dar uma
matéria que não conheço, nem me interessa. Podia estudar para vir aqui
desbobinar, tipo papagaio, mas não estou para isso. Não entro em
palhaçadas.
Voltámos a rir, numa sonora gargalhada, tipo coro afinado, mas ele
ficou impávido e sereno. Continuava a mostrar um semblante discreto,
calmo, simpático.

- Pois é, não vou sobrecarregar a minha massa cinzenta com coisas
absolutamente inúteis e falsas. Tudo isto é uma fantochada sem
interesse. Não vou perder um minuto do meu estudo com esta porcaria.
Começámos a olhar uns para outros, espantados; nunca na vida nos tinha
passado pela frente um professor com tamanha ousadia.

- Eu estudaria, isso sim, uma Organização Política que funcionasse,
como noutros países acontece, não é esta fantochada que não passa de
pura teoria. Na prática não existe, é uma Constituição carregada de
falsidade. Portugal vive numa democracia de fachada, este regime que
nos governa é uma ditadura desumana e cruel.

Não se ouvia uma mosca na sala. Os rostos tinham deixado cair o
sorriso e estavam agora absolutamente atónitos, vidrados no rosto e
nas palavras daquele homem ímpar. O que ele nos estava a dizer é o que
ouvimos comentar, todos os dias, aos nossos pais, mas sempre com as
devidas recomendações para não o repetirmos na rua porque nunca se
sabe quem ouve. A Pide persegue toda a gente como uma nuvem de fumo
branco, que se sente mas não se apalpa.

- Repito: eu não percebo nada desta disciplina que vos venho
leccionar, nem quero perceber. Estou-me nas tintas para esta porcaria.
Mas, atenção, vocês é outra coisa. Vocês vão ter que estudar porque,
no final do ano, vão ter que fazer exame para concluírem o vosso 7.º
ano e poderem entrar na Faculdade. Isso, vocês tem que fazer. Estudar.
Para serem homens e mulheres cultos para poderem combater, cada um
onde estiver, esta ditadura infame que está a destruir a vossa pátria
e a dos vossos filhos. Vocês são o amanhã e são vocês que têm que
lutar por um novo país.

Não vão precisar de mim para estudar esta materiazinha de chacha,
basta estudarem umas horas e empinam isto num instante. Isto não vale
nada. Eu venho dar aulas, preciso de vir, preciso de ganhar a vida,
mas as minhas aulas vão ser aulas de cultura e política geral. Vão
ficar a saber que há países onde existem regimes diferentes deste, que
nos oprime, países onde há liberdade de pensamento e de expressão,
educação para todos, cuidados de saúde que não são apenas para os
privilegiados, enfim, outras coisas que a seu tempo vos ensinarei.
Percebem? Nós temos que aprender a não ser autómatos, a pensar pela
nossa cabeça. O Salazar quer fazer de vocês, a juventude deste país,
carneiros, mas eu não vou deixar que os meus alunos o sejam. Vou
abrir-lhes a porta do conhecimento, da cultura e da verdade. Vou
ensinar-lhes que, além fronteiras, há outros mundos e outras hipóteses
de vida, que não se configuram a esta ditadura de miséria social e
cultural.

Outra coisa: vou ter que vos dar um ponto por período porque vocês têm
que ter notas para ir a exame. O ponto que farei será com perguntas do
vosso livro que terão que ter a paciência de estudar. A matéria é uma
falsidade do princípio ao fim, mas não há volta a dar, para atingirem
os vossos mais altos objectivos. Têm que estudar. Se quiserem copiar é
com vocês, não vou andar, feita toupeira, a fiscalizá-los, se quiserem
trazer o livro e copiar, é uma decisão vossa, no entanto acho que
devem começar a endireitar este país no sentido da honestidade, sim
porque o nosso país é um país de bufos, de corruptos e de vigaristas.
Não falo de vocês, jovens, falo dos homens da minha idade e mais
velhos, em qualquer quadrante da sociedade. Nós temos sempre que
mostrar o que somos, temos que ser dignos connosco para sermos dignos
com os outros. Por isso, acho que não devem copiar. Há que criar
princípios de honestidade e isso começa em vocês, os futuros homens e
mulheres de Portugal. Não concordam?
Bem, por hoje é tudo, podem sair. Vemo-nos na próxima aula.

Espantoso. Quando ele terminou estava tudo lívido, sem palavras. Que
fenómeno é este que aterrou em Setúbal?
Já me esquecia de escrever. Esta ave rara, o nosso professor de
Organização Política, chama-se Zeca Afonso.





sexta-feira, 18 de novembro de 2011

William Kamkwamba...




Este rapaz é um rapaz como todos os menos afortunados que por uma razão de injustiça social planetária passou fome. Vivia numa aldeia que passava fome, a família passava fome: Isto foi no Malawi, em África (mas podia ser na América, na Europa, na Ásia, na Oceânia, na Antárctida... em qualquer lado, até aqui ao lado).

Esta ideia já nem nos diz nada. Ainda mais agora que temos uma crise (há dez anos que andamos de crise em crise) e é mais frequente a resposta, sem sequer ter havido pergunta antes de que "ai que temos de ajudar os nossos pobrezinhos que isto está tudo muito mau e é tudo muito complicado".

Apesar do espaço schengen as fronteiras continuam nos olhos e na cabeça de muita gente. E insistimos em fazer compartimentos estanques onde nem sequer existem compartimentos.

As questões da pobreza, do desenvolvimento... são universais, manifestam-se localmente, mas são universais. A solução é também universal, apesar de ter de ser aplicada local a local... localmente.

O nosso trabalho não faz sentido se fôr sempre no âmbito do tapa buraco que só se justifica nos casos de emergência. De facto, não se dá uma cana a uma pessoa com fome ou doente. Nem conseguiria ir à pesca e talvez a nossa cana ocidental, nem servisse para pescar no "rio" da terra e cultura dele.

Mas ficamo-nos por aí, porque aquece o coraçãozinho, as pessoas sentem-se bem em "ajudar os outros" (esta expressão já me mete impressão... talvez seja por ouvi-la tanto) e o resto, fazer mais... não, fazer mais não seria necessário... fazer MELHOR... é um problema e é muito complicado.

Este rapaz... mostra-nos que não, não é...
Em vez de ajudar, experimentemos capacitar...

... o resto acontece a seguir e nem somos precisos nessa parte!





"Where was this Google all this time?!"


Olhar para a frente e por cima da poeira..

Há dois tipos 'do meu tempo' que quando os vejo em acção, quando converso com eles, quando jantamos por aí anonimamente em "dia de folga" e dizemos asneiras e disparates à discrição, me fazem pensar na minha vida e no que ela podia ter sido... descansam-me a consciência e inspiram-me. 

Fazem-me pensar naqueles que gostariam (algumas vezes a pressão não era de todo saudável.. tempo que já lá vai) que eu lá tivesse chegado e da vontade que lhes tinha de dizer que... "pá... o que eu talvez fosse fazer, eles estão a fazê-lo e têm-nos no sítio para o fazer. São uma promessa a cumprir-se. Não bonzinhos, cristãozinhos, eunucos frustrados. São uma promessa a cumprir-se! Eu vou cumprir a minha de outra maneira. 

Tenho orgulho neles. O resto... que se... (lixe).. O mundo está a mudar, mesmo que eu não faça nenhum. É com estas pessoas, com esta atitude, com gestos e visões acima da poeira, gestos que a maior parte das vezes são invisíveis mas nem por isso menos significantes."

ARK... Acts of Random Kindness... como dizia o Morgan Freeman.






in: jornal boa nova. especial semana dos seminários

Pensar Global - VAGOS FM

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Síndrome da carneirice aguda








Our lives begin to end the day we become silent about things that matter.
Martin Luther King Jr.




Tenho um amigo que é padre.
O rapaz é das minhas idades, não se perdeu. Pensa e fala, sobretudo ouve, todas as pessoas independente da fé, da côr, do clube, da orientação sexual, do género... entre outras coisas.

Procura inculcar na comunidade que anima como pároco esse saber pensar, ver tudo, sob todas as perspectivas. Acredita numa Igreja pouco de formas, mais de fundamento centrado no Amor e no caminho para lá chegar.

Não sei se foi por termos a mesma escola que gosto de o ouvir, que me identifico, que gosto de conversar com ele. Vou partilhando os meus podres, muitos deles muito, mesmo muito podres e maus.. os pecados, fenómeno a que chamo em exclusivo de "magoar alguém"... e nunca tive nada dele a menos que acolhimento. É isto!...

Ele dinamiza... e a prova de que está a fazer um bom trabalho, com uma boa liderança, é a carta enviada a um jornal de Coimbra sobre o trabalho dele.

A carta é de alguém que se intitula de ovelha. Nada a discordar portanto... nessa parte.

Tenho um receio... é que as pessoas que teimam em pensar, se desinstalam e se incomodam ainda estando por aí, se cansem destes balidos de esquizofrenia colectiva e os mandem pastar de uma vez... a igreja aí, será uma seca maior.

Mas talvez não... estas idiotices também podem motivar a continuar, e a dar mais uma  humilde e respeitadora gargalhada (apesar de dar pena perceber o mundo de medo e de castigo em que o ovídeo vive e que foi extinto em Trento já há alguns séculos.. o senhor ainda não percebeu isso)!

Senhoras e senhores.... voz às ovelhas, salvo seja...







"Rev.do senhor Director do Correio de Coimbra,

Foi com admiração e preocupação que soube, pelo jornal Boa Nova, da paróquia de Cantanhede, que, a convite do pároco, em meados de Outubro, veio falar aos fiéis daquela freguesia um teólogo espanhol, Andrés Torres Queiruga, ilustre pelos erros dos ensinamentos que transmite, a tal ponto que está proibido de ensinar pela Igreja.

Não tenho nada contra o debate de ideias, contudo, a situação não me parece ter sido de um debate onde se confrontasse a doutrina da Igreja com a desse teólogo. Parece que todo o encontro tenha sido direccionado para apresentar as ideias erradas desse senhor como as ideias certas e de futuro, aquelas que profeticamente nós, Igreja, ainda não conseguimos atingir, mas que são as verdadeiras.

A minha preocupação tornou-se ainda maior, quando li que alguns dos fiéis participantes dessa conferência, saíram com dúvidas e confusos, dizendo que aquela forma de ver os temas abordados não se coadunava com o que sempre lhes foi ensinado pela Igreja.

Vamos lá ver o que responderiam os nossos pastores a estas interrogações:
Qual é a Fé que professo: a da Igreja, ou outra construída e interpretada à minha maneira? Acredito verdadeiramente em tudo o que Deus revelou e a Santa Igreja nos ensina?
O Inferno e o Purgatório existem? O homem salva-se imperativamente e obrigatoriamente, ainda que o não queira, que o recuse em liberdade? A criação de Deus é imperfeita? O mal é intrínseco às próprias criaturas, criadas à imagem e semelhança de Deus? Se sim, então, será Deus a fonte primeira do mal, posto que nos criou «contigentes»?

Estou em crer, com grande dor na minha alma, que teríamos muitos apóstatas entre os que acreditamos serem os defensores da Fé.
Tenho a convicção que há uma vontade de se mudar a Igreja a partir de dentro, de fazer umas espécies de Igrejas autocéfalas, com uma fé apóstata. Parece que há mais do que uma Igreja dentro da própria Igreja!

Ninguém foi coagido a ser presbítero da Igreja Católica! Quem não quer pregar o Evangelho e o restante Depósito da Fé tal como eles são, não se sinta obrigado a permanecer unido a nós (a exclusão já existe ipso facto). Tenho de reconhecer que é mais fácil e cómodo espalhar a desordem estando dentro. Porém, nós, fiéis, é que não podemos continuar a deixar-nos reger por quem nem a si se rege, continuarmos a deixar que nos preguem heresias e mentiras como se fossem a mais santa das verdades. Mercenários é o que são!

Estando esse senhor proibido de ensinar pela Igreja, é inadmissível que seja convidado por um servidor dessa mesma Igreja, o pároco, para vir ensinar os seus erros dentro de casas que são nossas, e que a mesma Igreja local, na pessoa do nosso Pastor, não se tenha pronunciado publicamente em defesa das ovelhas, contra esses lobos.
Fica claro, por estas e por muitas outras que agora não convém aqui enumerar, que os lobos não nos atacam apenas de fora. Há lobos encobertos em peles de cordeiros dentro da própria Igreja e que a vão dilacerando onde lhes é permitido morder, sem que se oiçam os gritos,  e bem mais temíveis do que os que uivam de fora da cerca. Pior ainda, esses lobos sãos, nalguns casos, os nossos próprios párocos.

O Pastor não tem apenas o múnus de encaminhar as ovelhas, ele tem de as proteger e defender dos ataques dos lobos, sob pena de elas não só serem desencaminhadas, mas também arrebatadas irremediavelmente pelas feras.

Consta-me, também, pela página do Amicor, que para hoje à noite (4.11) foi convidado um deputado abortista do Bloco de Esquerda, Dr. João Semedo, para dar uma conferência, com um sugestivo título afirmativo "Morte - vazio, inevitabilidade ou sentido" (podiam ao menos ter colocado um ponto de interrogação!!).
O ano passado tiveram, por esta altura, Fr. Bento Domingues que lhes veio tirar a fé no estado intermédio do Purgatório. Desta feita, devem perder o sentido total da eternidade. Esperemos que o prior, neste mês dedicado às almas, esclareça bem os fiéis da integralidade da fé da Igreja na eternidade.
E já agora, uma última pergunta: Se não acreditam no Purgatório e na expiação da pena causada pelos pecados, porque continuam a receber os estipêndios das missas por essas almas!?



J. D. - Coimbra"



segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Houve um tempo em que o mundo era lá dentro..




Há muitos anos que não ouvia este clássico. A par com o "Let it Be", do Beatles, marca um tempo. O tempo em que o mundo aqui de fora não existia, porque estavamos dentro de um abrigo...

A semana passada foi a designada pela instituição de um sítio qualquer que não sei se é Roma, se é Lisboa, por semana dos seminários.

Vivi num quando tinha 14 anos, até aos 18 anos. Aprendi muita coisa. Formei uma personalidade, para o bem e para o mal, uma maneira de pensar, de agir, de falar, de sentir. Descobri o que é a camaradagem que dá o corpo às balas pelos outros se for necessário. Descobri, porque o fariam por mim e o faria por eles. Não se explica a amizade e os valores que se formam ali.

Muitos como eu, nunca se ordenaram padres. Mas vou vendo com carinho as famílias que começaram, as frentes de trabalho e da vida em que estão. São lutadores e estão a tentar fazer o que aprenderam lá...

Poucos, deram padres. Vejo-os com orgulho a lutar por aquilo em que acreditam, mesmo que sigam contra a corrente, mesmo que aguentem com alguns insultos de gente mais fechada. São lutadores e estão a tentar fazer o que aprenderam lá...

Foram anos em que o mundo era simples, mas desafiante. Sereno, onde se pode crescer e aprender a voar... ou a tocar guitarra, como esta música, oração funda, foi dedilhada e sentida muitas vezes...

Obrigado seminário e já agora... parabéns... fazes hoje 60 anos e marcaste a minha vida a tinta permanente.


Entre o céu e o inferno - Vagos FM

"Entre o Céu e o Inferno" é um programa da Vagos FM (88.8 MHz) que vai para o ar de segunda a sexta às 09h40, com reposição às 17h20. Cinco pessoas, rotativamente e uma vez por semana, seleccionam e comentam os acontecimentos positivos e negativos da semana.

11 de Novembro de 2011



04 de Novembro de 2011

Pensar Global - Vagos FM

O Pensar GLobal é um programa da Vagos FM  (88.8 MHz) que vai para o ar todas as sextas-feiras às 14h30.


Edição de 11 de Novembro de 2011




Edição de 04 de Novembro de 2011