terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Erro e Sofrimento... ou a fragilidade que nos humaniza





Na vida há duas coisa pelas quais todos passamos: errar e sofrer. Na mesma medida passamos pelo contrário. acertar e a felicidade.


Foi na leitura da obra "O Olhar e o Ver", do jesuíta Vasco Pinto de Magalhães, que me inspirei na sistematização seguinte sobre as etapas da superação do sofrimento e do erro. Com efeito, é mais FÁCIL eu perdoar o outro que me magoa... do que perdoar-me a mim mesmo de algum erro que cometi.

Todas estas etapas são difíceis de se viver.

Em primeiro... Admitir.
Admito que erro, admito que errei. Fiz muitas coisas mal, fiz alguns crimes de des-amor na vida. Falta de atenção, carinho, falta de entrega, de partilha. Falta de algo que não fiz, de algo que fiz mal, de algo que fiz.


Depois, Relacionar.
Preciso de relacionar o mal que fiz com a minha vida, com os outros, com quem magoei, com o medo que senti, com o que não arrisquei. Preciso de relacionar a minha fragilidade, limitação e defeito com tudo aquilo que sou, com tudo o que é e rodeia a minha vida.

Começo o caminho ascendente em direcção ao perdoar-me a mim próprio quando consigo Relativizar.
Foi assim tão mau?! Teve assim consequências tão irreversíveis quanto as que pinto no meu coração e na minha mente?! Não será um pouco mais relativo?!


O passo mais difícil: Comunicar a Outro.
Contar-lhe tudo. Sujeitar-me a não ser aceite ao revelar os meus podres. Sujeitar-me a contar-me ao outro e não saber como vai reagir. Colocar-me na sua dependência. Ao contar-lhe os meus podres, o meu erro, a minha fragilidade ele vai ver o pior de mim. Será que me continuará a Amar mesmo assim?! Será que me perdoa?! Será que me aceita?!

É necessário uma coragem enorme para nos abrirmos e expôrmos ao outro. Damos-lhe o poder de nos rejeitar... ou de, ao invés, nos acolher.

Quando somos acolhidos, perdoados por outro... quando somos mesmo assim como somos, com as nossas falhas e limitações, amados... não há melhor na vida: o Amor incondicional!

Quando sou visto na minha mais premente fragilidade de erro e de defeito, e mesmo assim sou amado... é o passo de gigante para me conseguir aceitar a mim mesmo, para me conseguir finalmente perdoar daquilo que me aprisiona.

Experimentar a rejeição, depois a aceitação (ou nunca a aceitação mas sempre a rejeição... mesmo assim...) é a experiência vivida da redenção, como um castigo a que nos submetemos voluntariamente.

Errei, expus-me em verdade. Fui rejeitado ou fui amado... estou redimido. Fico na alegria ou então no silêncio, mas em paz!


Tirar proveito é a última etapa. De facto é o processo de aprender com os erros. Caí, queimei-me... Aprendi uma lição. Sou alguém melhor depois disto!


É assim a vida... avançar, cair, levantar, sorrir, ser feliz... Somos frágeis, somos humanos. É isso a beleza: cair, mas depois levantar-se.



























2 comentários:

  1. Duas coisas que concordo plenamente contigo, e uma delas até falei nela há dias no meu blog. Acho que quando temos a verdadeira noção de que magoamos alguém, por vezes dói muito mais do que quando nos magoam a nós. Ultrapassado o nosso orgulho e reconhecido o nosso erro, é um grande alívio saber se a outra pessoa tem esse poder de encaixe, e saber dissolver tudo para um mal menor.
    Outro ponto que tocaste que acho muito interessante, embora que só tenhas falado nele muito brevemente. Amar alguém de verdade não acontece só nas alturas de maior paixão em que as pessoas se conhecem e têm grandes experiências juntos. Amar de verdade é conseguir conviver com os defeitos da outra pessoa, porque as suas qualidade são muito maiores do que o seu lado lunar e, acima de tudo, conseguimos conviver pacificamente com esses defeitos. Quando vi que automaticamente relativizava os defeitos da pessoa com quem estava, aí percebia a força do sentimento que une. É fantástico, é divino, mas também é humano.

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