















Vagos necessita urgentemente de um projecto sério para potenciar a região através do seu património histórico, cultural e arqueológico. Precisa, não por capricho, mas por necessidade económica, por este ser um cluster desaproveitado por todos até hoje. Facto que remete o nosso Concelho para a condição de satélite dos Concelhos de Ílhavo, Aveiro, Mira e Cantanhede.
Vagos tem um potencial turistico de praia, cultura e património sucessivamente adiado pela ignorância dos nossos políticos, e com isso, os prejudicados não são eles, mas as pessoas que vivem e trabalham em Vagos.
Vemos sempre adiado o potencial económico um bom projecto de reabilitação cultural, histórica e arqueológica viria acrescentar e potenciar ao nosso turismo de meio rural. Adia-se a criação de empregos nesse cluster. E temos em Vagos património que Ílhavo (a nossa grande concorrente no turismo de praia) não tem! O nosso turismo poderia ser mais que a praia de Verão, podia ser a Cultura rural, ligada mesmo à agricultura, a História, o Património Arqueológico, todos eles vivos durante todas as épocas do ano e fontes de riqueza educacional e financeira.
E o Concelho, por falta de visão estratégica e financeira dos nossos políticos (executivo por falta de visão, e oposições por falta de visão critica), vai ficando para trás, vai ficando mais pobre, vai investido apenas em zonas industriais (daqui a uns anos viveremos com fábricas em vez de pinheiros à volta. Como se as fábricas fossem a única coisa a dar empregos).
A cultura também rende dinheiro, o turismo rural, a praia, a arqueologia, o património podem ser consumidos por quem vem de fora. Podem gerar riqueza para nós, mas é preciso investir nisso!
Fazer uma casa museu aqui, outra ali, defender que a demolição da casa dos Margaças é demolida, mas tem de ser acompanhada e recolhido algum artefacto que por lá se veja para depois se guardar nalgum lado, não tem grande valor. É pouco manifestamente. É pouco ter um museu com peças avulso que as pessoas recolhem e pensam que têem tesouros em casa. Uma peça sozinha não vale nada. É preciso faze-la falar, dar-lhe vida e isso faz-se com projectos de sistematização, com engenho e visão estratégica e politica.
Por isso, infelizmente, venha lá abaixo a casa, porque o problema não são as paredes de adobe.. É muito mais grave: somos nós todos que estamos a vir abaixo porque deixámos de ser ousados na nossa visão das coisas.
in jornal "O Ponto"
Douglas Wood
Grandad’s Prayers of the Earth
Paris, Gründ, 2000
(Tradução e adaptação)
Publicar mensagemAC - Contadores de Histórias


Esta semana partiu para a França natal a Irmã Louise Bonnet. Nos seus 80 e muitos anos, esteve na Diocese de Aveiro activa com a sua comunidade no Bairro de Santiago em Aveiro, na visita aos presos, na pastoral dos ciganos. Esteve também no Secretariado Diocesano de Animação Missionária. Foi para mim uma presença sempre activa, sempre atenta ao que era preciso fazer. Sempre com uma palavra para o que devia fazer de outra maneira, para o que eu devia insistir, desistir, sempre a desinstalar-nos quando nos púnhamos a olhar para perto em vez de termos o olhos postos mais para a frente, mais para cima.
Sempre, em qualquer coisa que escrevia ou dizia, tinha sempre o seu feedback, fossem coisas que gostasse ou não de ouvir, ouvia-as. Uma vez escrevi alguma coisa sobre o Hugo Chavez e tive resposta dela, elaborada e desinstaladora, mostrando a humanidade da Esquerda e da Direita. O Amor de Deus cabe em todo o lado, tal como o trabalho social da Igreja. É uma activista, no bom e terno sentido da palavra.
Precisamos de gente assim na nossa Igreja. Sem medo de falar, sem medo de pensar e sobretudo, sem medo de Agir. Há que ser farol neste mundo de corrida.
Obrigado Irmã por ter caminhado connosco. Obrigado pelo esforço às vezes tão difícil e inglório de fazer animação missionária, de propôr, voltar a propôr, voltar a fazer até que resulte.
Obrigado Irmã por si. Prometo-lhe que vamos conseguir falar desse Cristo sofredor no Irmão mais pobre que merece ser glorificado. Bem aventurados os pobres, porque deles é o reino dos Céus.
AVEIRO, 20 DE JUNHO DE 2010
:: CORREIO DO VOUGA - Edição de 23 de Junho de 2010 ::
Na altura em que escrevo estas linhas ainda não sei o resultado do jogo de Portugal com a Coreia do Norte. Mas sei o resultado do último jogo entre estas duas selecções, no mundial de 1966 na Inglaterra.
Como agora, naquele tempo, ninguém sabia nada da Coreia do Norte e era mesmo o único país da Ásia a participar naquele Mundial.
Antes de jogar com Portugal, a Coreia do Norte eliminou a Itália. A estrondosa Itália! A Selecção do calccio estava tão segura da vitória sobre a Coreia que já tinha reservado estadia no Seminário Jesuíta, em Liverpool, onde jogariam contra Portugal.
Correu-lhes mal... e acabaram por ceder a reserva para a selecção da Coreia. Os jogadores nunca tinham visto uma imagem de um homem pregado na cruz, com uma coroa de espinhos. Não sabiam quem era ou o que significava aquele objecto pendurado em todos os quartos.
Esses jogadores, já heróis, cedo fizeram 3 – 0 no marcador. No fim do jogo, o Eusébio e o José Augusto tinham dado a volta ao marcador e Portugal venceu o jogo.
Voltaram depois à Coreia do Norte... Nunca mais se soube nada deles até à pouco tempo. Uma tragédia contra os Direitos Humanos.
Conta-se que foi por terem perdido contra Portugal, conta-se que foi porque tiveram conduta não própria nos festejos de Itália desonrando a Coreia. O que se sabe ao certo é que alguns dos heróis da selecção foram condenados a trabalhos forçados como lenhadores, outros condenados ao longo e solitário exílio.
Desses, hoje restam vivos sete. Gosto de os pensar com a vida refeita. Gosto de imaginar que vão ver / viram o jogo de Portugal – Coreia do Norte num sofá confortável e sem preocupação de que os que jogam nestes dias pela sua selecção não passarão, seja qual for o resultado por outra história parecida.
De facto, Kim Jong Il, quando subiu ao poder libertou a maioria dos jogadores por ser fã de futebol. Oxalá fosse fã também do seu país e o libertasse também finalmente de outras coisas a que o prende!
AVEIRO, 20 DE JUNHO DE 2010
:: CORREIO DO VOUGA - Edição de 23 de Junho de 2010 ::
Em 2008 rebenta uma crise económica. As taxas de muitas coisas, mas a que resumo aqui o nome a “taxas de lucros” dos mais variados tipos e feitios esticaram tanto a corda dos orçamentos das famílias americanas que, elas as deixaram de pagar.
Qual pânico de telenovela, vem tudo por aí abaixo. Os governos injectam milhões nas empresas “muito grandes para caírem” sob justificação de salvar o sistema e assumindo que os défices nacionais aumentariam, mas tinha mesmo de ser assim.
Dois anos depois os mesmos que foram salvos pelos governos (agências de rating, vulgo subsidiárias da banca e das bolsas) apontam os dedos aos governos que, para os salvarem, são agora despesistas e maus gestores.
A solidariedade acabou!... há que aumentar a taxa de risco desses estados com elevado défice. Como elevado défice todos têem (por causa da crise), ataca-se os mais pequenos. Grécia, Espanha, Portugal, Itália...
Em Portugal, a medida que muitos políticos dizem que é populista, é, para mim, questão de exemplo. Exemplo que vem de cima. Retirar um 13º mês dá tanto impacto como baixar os ordenados dos políticos e dos cargos de nomeação do governo nacional e governos nacionais.
Mas o exemplo é sobretudo, não uma medida, mas a medida. Aquela que melhor demonstra que estamos todos no mesmo barco e que todos temos de nos esforçar.
Pena que na prática, menos 5% de ordenado, abate o IRS que se pagaria a mais com a subida de 1,5 %. Vai tudo dar ao mesmo... mas fica aparentemente o exemplo de que todos... os que causaram a crise e, vá lá, por solidariedade a estes, também os que nunca as causaram, mas sempre as pagaram: ‘nós, o Povo’.