domingo, 13 de janeiro de 2008

Para quando a vez das Pessoas...

Foi há dias que ouvi uma expressão feliz, mas triste, na verdade que encerra no mundo:
A nobreza, o clero e o povo… acabaram.
As classes altas, médias e baixas… acabaram.
Agora há os pagadores de impostos e os que os gerem e deles beneficiam.

1. As políticas de desenvolvimento internacionais, da erradicação da pobreza, da luta contra a fome nunca são definidas ou estipuladas por quem vive os problemas. Em África não são os pobres a decidir como aplicar os fundos, não são as ONG’s a determinar pelo que observam no terreno, em que frentes actuar, não são os sem terra da América Latina a definir o conceito de justiça, nem eles a quantificar o que lhes foi tirado, nem o que lhes será dado, que geralmente é nada.
É sempre o executivo europeu ou americano, com bonitas teorias que impõe as coisas. Se não for para isto, não há dinheiro. Se não houver boa governação, não há dinheiro. Se for para aquilo e se não seguir o programa definido na secretária de uma sala de uma qualquer capital do hemisfério norte, paciência, não há dinheiro.
As pessoas, essas, lá vão sofrendo e aguentando.

2. Eleições no Quénia. Já quase não estranhamos que o prato seguinte seja a violência. Os que vencem dizem que os Quenianos que perdem não são maduros na democracia e, por isso, não aceitam os resultados. Do outro lado, os que perdem dizem que a democracia é madura e por isso não aceitam fraudes eleitorais.
As pessoas, essas, lá vão sofrendo e aguentando.

3. Na semana passada, num dos noticiários do horário nobre, o jornalista dizia que o sistema das primárias nos EUA era muito arcaico porque as pessoas, qualquer uma das que estivesse filiada podia participar na escolha do candidato do seu partido à Casa Branca, depois de uma noite de debate e reflexão no Caucus.
Nem de propósito, a vitória expressiva no Iowa, foi de Barack Obama o único que não aceita para a sua campanha um cêntimo de dólar vindo de empresas ou interesses corporativos. Será o início da mudança?!

4. De facto, Portugal é mais evoluído! Quem é a pessoa, aquela que sabe o que custa encher o depósito do carro, aquela que tem um ou dois empregos para manter um filho na universidade, aquela que estuda toda a vida para ir para o desemprego, aquela que faz contas para conseguir pagar electricidade, telefone e o empréstimo da casa sempre crescente… que tem oportunidade de ter alguma coisa a dizer na escolha dos candidatos da Junta, da Câmara, de S. Bento ou de Belém?!
No nosso país, só tem voto de nomeação uma meia dúzia deles, que representam interesses e estratégias no jogo das influências e na gestão dos impostos, porque estes, quem os paga, são as pessoas, as mesmas de sempre.
As pessoas, essas… para quando a sua vez?
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'O Aveiro', Janeiro de 2008
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