terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Que haja bom senso

Que neste ano, as fronteiras riscadas a direito, com linhas rectas num mapa, fazendo países ‘europeus’ em África, miraculosamente se redesenhem e tenham em conta as etnias, as geografias, as montanhas e os vales, os rios e as árvores frondosas, os animais e as rochas, as tradições e as culturas, que reúnam as famílias separadas por esse risco há muitos anos, por outros riscos de guerra há menos anos, por outras riscos no chão e redes de campos de refugiados hoje mesmo enquanto escrevemos e lemos.
Que neste ano os homens compreendam que o petróleo só serve para transportarmos pessoas, mercadorias de um lado para o outro e para aquecer as casas do frio. Que não vale a pena nos matarmos por isso.
Que neste ano percebamos, enquanto humanidade que usar as religiões para justificar actos e crimes sem sentido é mentir. Que nunca Maomé, Cristo, Abraão ou outro qualquer disseram: “Mata o teu semelhante e os seres vivos que existem na Terra”.
Que este ano os muito ricos percebam que o dinheiro não se come. Que os muito pobres possam não cair na indignidade da esmola, mas que alcancem a força da oportunidade!
Que os políticos tenham esse bom senso de proporcionar a oportunidade!
Que neste ano se resolvam as eleições no Quénia a favor dos que mais e melhor servirem o país! Que neste ano se resolvam as eleições no Paquistão a favor das pessoas que lá vivem! Que neste ano as eleições em Angola não comecem a guerra que as últimas começaram em 1992! Que neste ano as eleições nos Estados Unidos da América sejam um ponto de viragem para um mundo mais justo, mais focado no futuro, no bem comum, na justiça e na paz da terra.
Que neste ano nasçam mais árvores do que as que forem cortadas na Amazónia e no mudo inteiro. Que neste ano não haja camponeses expulsos da sua casa no Nordeste Brasileiro obrigados a fugir para a miséria dos subúrbios de alguma cidade.
Que neste ano os Jogos Olímpicos sejam realizados num país que valoriza os Direitos Humanos!
Que neste ano a economia sirva as pessoas e não o contrário, que neste ano o lixo atirado pela janela dos carros faça parte do passado.
Que neste ano a palavra sorriso seja uma realidade para todas as pessoas do mundo e não uma palavra gasta de campanhas de solidariedade!
Que este ano, seja um bom ano!
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'O Aveiro', Janeiro de 2008
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