sábado, 29 de agosto de 2009

Reconstruir casas e Pessoas. Pessoas diferentes mas um Povo.

Era uma vez uma península bastante grande.
Ficava num enclave de Mar e montanhas, de pessoas e culturas. Encontrava-se ali o Oriente e o Ocidente. Uma região com vários nomes ao longo da História, nome que derivam não do que a Terra era, mas do que os Homens queriam que fosse... ou melhor.. de quem fosse.
Houve uns tempos em que se chamava Jugoslávia. Os "Eslavos do Sul". Tornou-se nisso como grito de liberdade. Mas depois de algum tempo, os freedom fighters quiseram impôr-se à vontade pela qual tinham lutado.
Os povos e os países... temos uma ideia de que é tudo tão estável. Mas estamos em permanente mudança e tensão. Depressa nos desunimos, lentamente nos unimos. Se conseguíssemos fazer ao contrario seria tão mais proveitoso.
Nos anos 90 os Balcans dividem-se segundo identidades culturais. Alguns falaram em ódios de religiões. E, quando vem a desculpa das Religiões fico sempre desconfiado porque Religião significa "Re-ligar". Só se religa aquilo que se Ama. Amor não tem que ver com ódios.
Mataram e mataram-se. Cercaram-se cidades. Sarajevo esteve rodeada durante quatro longos anos. Hoje ainda está de pé o túnel que como um cordão umbilical, alimentava a cidade. Chamam-lhe o "Túnel da Vida".
Hoje Sarajevo ainda tem feridas, muitas, mas lentamente vão sarar. As culturas já vivem entre si, por vezes como que dizendo baixinho que é possível toda a gente viver junto, sem que aquilo que nos difere nos separa, ao invés, nos enriqueça.
A Bósnia foi isso. A redenção sempre possível, mesmo depois de irmos tão fundo com 'massacres',´'limpezas étnicas' e outras horribilidades.
A Redenção que leva à comunhão e por sua vez à Graça do Futuro.
Chegou o tempo das árvores de Natal à Miss Sarajevo!
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Tapam-se os buracos das balas...



Substituem-se as janelas e os vidros...


Suporta-se o sofrido, constrói-se novo...



Lado a lado, para que a memória não se esqueça.





Uma mesquita e uma igreja, lado a lado. Dizem-se bom dia todos os dias.




Bem perto do local de um dos grandes massacres de Sarajevo, um sítio de Paz: a mais antiga igreja Ortodoxa de Sarajevo. Com a torre marcada por coisas inexplicáveis, hoje o sino toca o silêncio interrompido, lembrando a serenidade da oração.






Ao lado, virado a Meca, a mesma serenidade, o mesmo Deus, um nome diferente.


Na estrada para a festa da aldeia, depois do almoço à beira-rio.



De volta a Sarajevo, o futuro tem asas e esperança para voar.



Perdoar, sem esquecer o que faz a guerra, para não voltar a ela.

A História dos Balcãs, conhece neste milénio os primeiros tempos de paz, relativamente sólida, desde o séc. XIX.

Ao lado desta ponte em Sarajevo, começou a I Guerra Mundial, com o assassinato do arquiduque Francisco Fernando, da Áustria, por um sérvio. Perfilaram-se neste conflito o que daria 20 anos mais tarde na II Guerra Mundial.
Mas hoje... a paz.
O cerco de Sarajevo, de 1992 a 1995. Junto ao estádio, o "túnel da vida", o único sítio por onde Sarajevo respirava nesses anos. Os censos de 91 indicavam cerca de 800 000 habitantes. Hoje serão 300 000.
Que todos vejam e saibam o inumano que a opção guerra é e a monstruosidade que uma coisa a que chamam "limpeza étnica" provoca.






Em Sarajevo e por toda a Bósnia os cemitérios sem fim, onde se misturam quartos crescentes, cruzes ortodoxas e católicas.


terça-feira, 25 de agosto de 2009

Bosnia i Herzegovina... primeiros olhares












Entre a esperança e o medo, entre o passado e o futuro, entre a diferença e a tolerância.
Que as balas cravadas nas paredes nos lembrem que todos os dias o mundo deveria dizer 'nunca mais' à crueldade.
Haja Paz e perdão nos Balcãs.




sábado, 8 de agosto de 2009

Liberdade de Expressão

Toda as pessoas têm direito a uma voz. É uma das liberdades fundamentais do Homem, consagrada desde a antiguidade clássica, trazida para nós por inerência cultural judaico-cristã e sempre consagrada nos documentos do Direito Internacional e nas Constituições de grande maioria dos países.
Portugal não é excepção e, por arrasto, a constituição angolana que é muito semelhante à nossa, também a consagra. Apesar de nem cá nem lá se viver em plenitude.
Com este mês de Agosto, começou a ser transmitido em Portugal na televisão por cabo, o canal público de televisão angolana (TPA). É um passo adiante no cumprimento desses horizontes corajosos da Constituição da República Popular de Angola.
Há um ano o país viveu uma campanha em que tudo era controlado. Não havia liberdade de expressão pura. Os órgãos de comunicação social não podiam fazer o seu trabalho livremente e a informação que saía para fora do país era sempre controlada, tanto quanto as autoridades fossem capazes de a controlar.
O surgimento da TPA internacional, ainda que continue a ser um meio de propaganda, não deixa de ser um passo de esperança para um país de muitas promessas, de evolução e crescimento verificável é certo, mas de um país onde ainda morre gente de fome e de doenças facilmente tratáveis. Em Angola convive-se hoje com o luxo e a miséria no mesmo quarteirão. A riqueza não é má mas a pobreza é, e para mudar esse estado de coisas a liberdade de expressão é fundamental. As pessoas têm de saber o que se passa para agirem com consequência.
A comunicação social e o jornalismo são parte importante. São eles os olhos do mundo, são eles a potencial voz de quem não a tem, são eles os mediadores necessários de uma comunidade que se quer séria, honrada e honesta, seja cá perto, seja no mundo global.
Se não fosse a comunicação social, Timor ainda hoje seria ocupado, os genocídios étnicos que o mundo testemunhou no final do século passado e já no presente (Darfur) não seriam denunciados. Os exemplos não têm fim.
Uma imprensa nobre e eficaz torna-nos numa democracia madura. E isenção é mesmo isso: dar voz à Justiça do bem comum e aos Direitos que todo o ser humano tem.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A responsabilidade de gerir o que pertence a Todos


1. O Jornal i, de 28 de Julho de 2009 fez publicar um ensaio de duas páginas sobre a evolução do consumo do Estado desde 1986. A máquina gigantesca, conforme as ideologias dos partidos, deveria crescer ou diminuir consoante a Direita e o Estado mínimo ou a Esquerda e o Estado mais presente. Hoje, muitos dos nossos políticos ainda vivem nesta era, mas já nada é estanque, cada caso é um caso, não há modelos económicos ou políticos certos. Tudo o que é humano é dinâmico e só isso justifica que coisas muitos boas se façam, mas também algumas muito más.
Desde 2002 que andamos a ouvir que estamos em crise. Ou crise de gestão do Estado o que dá em défice grande (há alguma casa que aguente gastar mais do que aquilo que ganha?!). Ou crise financeira, externa ao Estado mas talvez permitida pelo Estado por má regulação anterior. O Estado aqui pode tudo... o colapso ou um Caminho para a Nação.

A indignação passa-me naquele texto, sobretudo, ao descobrir que segundo o investigador que o assina, Ricardo Reis da universidade de Columbia (E.U.A.), o Governo que mais gasto provocou na contabilidade estatal foi o de 2002 a 2006.
Sinto-me enganado. Trabalhei eu e todos os portugueses que puderam, apertando o cinto como se dizia e os políticos que geriam o Estado nessa altura nos pediam. No fim de contas, os gastos e a máquina do Estado cresce ainda mais. Será por via daquilo a que chamam os “boys”? Infelizmente, o caso não foi isolado e apenas uma excepção se registaria no estudo (graças ao esforço do governo mas também e sobretudo do nosso, cidadãos), não fosse a crise económica que vivemos agora.

É difícil acreditar assim. Já não sabemos bem o que é mesmo de verdade ou apenas o é por intenção. É preciso mudar isso...!

2. Se não fosse Verão (silly season), quase poderiamos, com atenção grave, pensar em extrapolar o mesmo estudo para os governos locais do nosso país.
O que eram os gastos em pessoal dos Municípios há alguns anos atrás, o que serão esses gastos agora? Quem entrou, quem saiu? Como e porque entraram os que entraram, porque saíram os que saíram? O que fazem e como fazem os que estão? Que tipo de concursos ou ajustes foram feitos para que fossem escolhidos? Que parcerias (mais ou menos) público-privadas se fazem que muitas vezes não se traduzem com este nome ao público mas em denomância de ‘subsídios’ e com que estratégia política? Para que os outros façam o que não queremos fazer (ou não sabemos)?... ou para movimentar e estimular o sector privado? Que sector privado? Um desinteressado dos poderes políticos ou um sector onde estejam ligadas as pessoas, as mesmas, que gerem os bens públicos?
Quem entrou por via justa e honesta com que motivação está? Como está o seu bom potencial aproveitado? como está a sua motivação, a sua criatividade a crescer e o seu esforço e rendimento humano ao serviço de todos nós?

Como serão os exemplos concretos das nossas autarquias próximas? Melhor ou pior que a média? Haverá discussão aberta destes assuntos da Democracia e da gestão do bem público ao serviço do público?
Estou certo que sim...


in Jornal "O Aveiro".

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Na minha Terra andam pessoas descalças

É num olhar a dentro que respondo ao Ponto, neste desafio de uma vez por mês escrever sobre assuntos locais. Ao Ponto, renovado nesta edição, agradeço o desafio e a confiança, que espero cumprir com o brio e a responsabilidade que todo e qualquer cidadão tem perante a sua comunidade.


Na minha terra, andam pessoas descalças. Foi uma coisa que ouvi, não muito longe de Vagos, sobre Vagos, mas já noutro concelho. Dei por mim a pensar-me culpado, eu e mais alguns que não fazemos nada, ou não fazemos, por maior que seja o esforço, o suficiente para acabar com o que aquela frase significava: vivem pessoas no meu concelho que não têm garantidos os Direitos que todo o ser humano devia ter.

Noutra ocasião, ouvi o Nobel da Paz, D. Ximenes Belo, dizer que a Política é o caminho, por excelência da Paz e do Desenvolvimento. Quando existem estas duas, a pobreza dá lugar ao bem estar das pessoas e da comunidade.

Fazem os políticos que nós elegemos (por delegação, fazemos nós através deles?) tudo o que está ao alcance da Boa Governação que construa um mundo melhor a partir do Local?

Existe transparência financeira dos dinheiros públicos, de todos nós contribuintes, quando se fazem protocolos que mudam mãos de dinheiro entre público e privado para serviços públicos e assim pagamos duas vezes?

Faz sentido na boa transparência que existam adjudicações ou contratações por ajuste directo, sem concursos que promovam a escolha do melhor a cada situação da causa pública, do bem comum e da nobreza do que é (ou devia ser) a política?

Haverá boa governação local quando as obrigações e atribuições admnistrativas públicas não funcionam com a celeridade devida e são interrompidas por forças que parecem ocultas mas que toda a gente parece conhecer?

Haverá justiça com todos os membros da comunidade quando o Desenvolvimento Económico responde a interesses especiais ou a calendários eleitorais que provocam gastos desnecessários do ponto de vista do bem comum, obrigando as pessoas a financiarem projectos que elas não desejam ou mesmo de que desconhecem o custo de oportunidade?

Na fuga para a frente de nos edificarmos em altura não estaremos a perder uma identidade cultural específica que faz de nós únicos no país e que pode potenciar um cluster para um turismo que hoje apenas tem expressão nas obras da Barra e Costa Nova?

Estaremos a integrar o Desenvolvimento Económico e Humano, o Planeamento do Espaço em função disso? Estaremos a sonhar o suficiente ou estaremos resignados ao que há e ao que temos?


Nas minhas dúvidas, ficam as certezas de que todos nascemos iguais e de que se o meu semelhante vive na pobreza, então eu também sou mais pobre. E por isso, não podemos viver a nossa vida com indiferença à injustiça social e económica, seja em África, na Amazónia ou aqui ao lado.

Não podemos não correr a fundo na entrega, na honestidade, no espírito de trabalho e de sacrifício, nas motivações, nos sonhos, nos projectos mas, sobretudo na consciência de que nenhum de nós devia deitar tranquilamente a cabeça na almofada todas as noites sabendo que não fizemos tudo o que está ao nosso alcance para fazer da nossa terra um sítio de justiça, direito e prosperidade.

Não podemos permitir que a Política, na sua nobreza mais profunda possa ser aproveitada para outras coisas que não o bem comum e que possa ser sub-aproveitada no que concerne ao caminho para a Paz, uma Paz que se estende por Desenvolvimento sustentado.

Vem aí tempo de eleições. Que ele não seja tempo perdido ou tempo de divisão, mas que seja sobretudo tempo de reflexão e balanço para um melhor caminho, sempre, porque esse é único e une-nos a todos, mesmo que as ideologias nacionais sejam diferentes.

Se pudermos responder imediata e espontaneamente “não” a todas as questões acima, então as nossas terras e o nosso país serão um óptimo sítio para se viver...

... e além disso, não haverá pessoas descalças.

:: O Ponto ::
ed. de 09.07.2009

domingo, 21 de junho de 2009

Eficácia e Eficiência...




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EFICÁCIA é fazer as coisas certas.

EFICIÊNCIA é fazer as coisas bem feitas.

Às vezes queremos tanto isto que nos esquecemos de sentir a brisa na cara ou o alento do companheiro do lado...

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Agora de volta ao estudo para o exame de Políticas Públicas... pensando em fundo, se digo só as definições e o correcto ou se digo tudo o que penso e arrisco ficar pelo caminho.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Outra vénia... II

"Como nossos princípios elegemos:

O Princípio do Estado de Direito, respeitante da eminente dignidade da pessoa humana - fundamento de toda a ordem jurídica baseado na nossa convicção de que o Estado deve estar ao serviço da pessoa e não a pessoa ao serviço do Estado;

Os Direitos, Liberdades e Garantias [das pessoas], elemento indispensável à preservação da autonomia pessoal, bem como à participação política e cívica;

O pluralismo das ideias e correntes políticas, cuja garantia de livre expressão constitui pressuposto indispensável ao gozo dos direitos e liberdades fundamentais de todo o cidadão;

O princípio democrático, como garantia da participação por igual de todos os cidadãos na organização e na escolha dos objectivos do poder na sociedade;

O diálogo e a concertação, como formas de entendimento e aproximação entre homens livres, assentes na tolerância e visando a procura de acordo activo entre interesses divergentes;

A justiça e a solidariedade social, preocupações permanentes na edificação de uma sociedade mais livre, justa e humana, associadas à superação das desigualdades de oportunidades e dos desequilíbrios a nível pessoal e regional e à garantia dos direitos económicos, sociais e culturais;
O direito à diferença, como condição inerente à natureza humana e indispensável para a afirmação integral da personalidade de cada indivíduo; direito esse tanto mais efectivável quanto maior for a igualdade de oportunidades na Comunidade;

A valorização da paz, como objectivo essencial da acção política. Para nós, a edificação de uma paz justa entre os povos deve constituir um dos objectivos fundamentais da actuação política dos Estados."
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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Uma vénia a quem...

... adivinhar a fonte deste manifesto deslumbrante que grita para um mundo melhor!
(sem recorrer ao copy/paste nalgum motor de busca)!...
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"Combatemos as desigualdades e discriminações fundadas em critérios de nascimento, sexo, orientação sexual, origem racial, fortuna, religião ou convicções, predisposição genética, ou quaisquer outras que não resultem da iniciativa e do mérito das pessoas, em condições de igualdade de direitos e oportunidades. Defendemos o princípio da equidade na promoção da justiça social.
São ilegítimas e devem ser combatidas, sem hesitações, as desigualdades de direitos. E são ilegítimas e devem ser combatidas as desigualdades de condição e estatuto que não resultem da iniciativa e do mérito das pessoas, no quadro do aproveitamento de oportunidades abertas a todos. Desigualdades injustificadas entre classes e grupos e, por maioria de razão, a reserva de privilégios para certas classes ou grupos, ofendem a consciência humana e minam os alicerces da democracia.

No combate às desigualdades ilegítimas ou indesejáveis e na promoção activa da igualdade de direitos e de oportunidades, consideramos essencial a prossecução do princípio da equidade. Entende-se este como a exigência da intervenção pública a favor dos membros menos favorecidos da sociedade, no sentido de corrigir as desigualdades de resultados, criar regularmente novas oportunidades e assegurar níveis aceitáveis de coesão social.
(...)
[Acreditamos na economia de mercado] que deve estar sujeita a uma regulação institucional adequada, cuja existência, independência e eficácia compete ao Estado garantir; e deve assumir uma dimensão social e de bem-estar, isto é, incorporar na sua própria lógica de funcionamento a preocupação com os direitos humanos, o desenvolvimento sustentável e a coesão social. O Estado deve favorecer, com apoios específicos, o cooperativismo e as redes solidárias de agentes económicos e sociais.

(...)

Entendemos que a prática da solidariedade e a promoção da integração social se fazem no quadro da efectivação dos direitos civis, políticos e sociais de que são titulares as mulheres e os homens. É a realização dos direitos que permite caminhar para uma sociedade solidária, que não pactue com a exclusão.
[Defendemos a] solidariedade democrática. Por aí nos diferenciamos sem compromisso ou dúvida do conservadorismo social, que tende a confundir solidariedade com assistencialismo.
A luta contra a exclusão social, o combate à pobreza e o trabalho em prol da integração de todos têm na sua base uma consciência moral que se recusa a tolerar a injustiça e a discriminação e que sente como um dever agir em favor dos mais desprotegidos. Mas a prática da solidariedade e as políticas públicas que a estruturam fazem-se em nome da construção de uma sociedade inclusiva e da realização dos direitos de que são titulares os indivíduos, independentemente da sua condição circunstancial. A solidariedade não tem a ver com favores, proteccionismos ou cuidados paternalistas; tem a ver com os direitos e a responsabilidade pública na sua defesa e promoção.
(...)
[Assumimos] a defesa do ambiente e a promoção do desenvolvimento sustentável, como elementos essenciais de políticas orientadas pelo princípio da precaução, informadas pelo cuidado com o nosso futuro comum e fundadas no respeito por nós próprios e pelas gerações vindouras.

A defesa do ambiente e a criação de uma consciência ecológica constituem uma das causas mais nobres e uma das necessidades mais prementes do nosso tempo. É o futuro da humanidade, como tal, além da solidariedade devida às próximas gerações, que se encontram em questão. Os princípios da precaução, da subsidiaridade e da participação devem ser estendidos e aplicados a todas as políticas públicas que lidam directamente com o desenvolvimento, o território e a natureza, e devem ser difundidos maciçamente, como uma orientação básica do comportamento de todos os cidadãos, enquanto trabalhadores, empresários ou consumidores.
[Fazemos nossas] as preocupações essenciais do pensamento e da prática ecologista, não na variante fundamentalista que se recusa a pôr em equação o desenvolvimento e a conservação da natureza, mas sim colocando no horizonte soluções positivas para essa equação".
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sábado, 23 de maio de 2009

Apesar de tudo... a ineficácia da ONU




Algumas razões (entre muitas) que explicam a ineficácia da Organização das Nações Unidas:

1. Este organigrama (ultra-)complexo que consome recursos humanos e financeiros brutais... recursos esses que talvez pudessem / devessem ser aplicados no terreno concreto. (clicar na imagem para ler melhor)
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2. Os países fazem-se representar pelo interesse próprio quando deviam procurar o interesse do bem comum humanitário. Daí o tempo imensamente ridículo para chegar a alguns acordos que se negoceiam em Nova Iorque ou em Genebra ou noutro sítio qualquer...

E dentro desta razão, cabe a terceira razão:

3. O poder de veto dos 5 países-membro do conselho de segurança permanente.
Porque não está a ONU em força no Darfur?!
Petróleo + Interesses da China = Veto da China a uma intervenção a sério. Logo... um veta, ninguém vai.
Este é só um exemplo...
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Apesar de tudo a ONU é um grande bem das Nações e tem feito um trabalho muito significativo em muitos lugares do mundo... mas....

... podia ser melhor.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Um Nome mais...



Ontem. Foi ontem que ele disse. O pequeno disse-me um tratado: "Temos tantas coisas boas na vida e não as sabemos aproveitar".
Nada de novo... se pensarmos que a frase e a ideia não são novas.
Muito de novo se pensarmos quem vem de um miúdo de 10 anos que a jogar à bola dá mais canelada do que bolada...


Disse a raposa ao Principezinho: "Cativa-me".
E depois, o principezinho foi para o Planeta dele, um sítio de sonhos de onde nenhuma se criança devia perder de lá nunca.

E a raposa ficou com medo de não ver mais o principezinho a quem tinha prometido que ensinava a caminhar em cima das ondas...

Estamos aqui puto... É para seres feliz.

sábado, 2 de maio de 2009

Nunca mais um Tarrafal...


POR TEU LIVRE PENSAMENTO / FORAM-TE LONGE ENCERRAR
TÃO LONGE, QUE O MEU LAMENTO /NÃO TE CONSEGUE ALCANÇAR

E APENAS OUVES O VENTO /E APENAS OUVES O MAR.

LEVARAM-TE A MEIO DA NOITE, A TREVA TUDO COBRIA

FOI DE NOITE, NUMA NOITE / DE TODAS, A MAIS SOMBRIA.
FOI DE NOITE,FOI DE NOITE / E NUNCA MAIS SE FEZ DIA
AI, DESSA NOITE, O VENENO / PERSISTE EM ME ENVENENAR

OIÇO APENAS, O SILÊNCIO / QUE FICOU EM TEU LUGAR
AO MENOS, OUVES O VENTO! AO MENOS OUVES O MAR!



(poema de David Mourão-Ferreira, musicado por Alain Oulman,interpretado por Amália Rodrigues)



hÁ 35 ANOS... Fechou-se o Tarrafal...

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Já chega de Solidariedade

Neste tempo vemos muitos números nas notícias económicas. A queda dos preços que preocupa toda a gente (agentes económicos), quando à partida todos (consumidores) queremos tudo quanto mais barato melhor! Antes, o petróleo estava alto e por consequência também o combustível. Agora está mais baixo e estamos em crise. A inflacção é negativa pela primeira vez numa vintena de anos o que pode gerar em deflação o que pode gerar em crise (outra? Mas já estamos em crise!) Com efeito, com vinte e nove anos de idade, desde que acabei o primeiro curso e entrei para o mercado de trabalho não recordo nenhum momento que o Banco de Portugal não falasse de crise.

Se consumimos muito, somos uma sociedade consumista. Se não consumimos, a Economia estagna. Não há nada a fazer... nunca estamos bem e o problema é sempre o mesmo: o Sistema... das coisas.

Sempre houve pobreza e miséria, sempre houve quem lutasse contra ela. Sempre houve uma manifestação ou outra, seja com cartazes de algum sindicato, seja alguma vigília com velas silenciosas, recordando a luz à noite. Sempre houve gente a viver bem. Sempre houve gente a viver mal. Sempre houve necessitados, sempre houve quem fosse suprindo a necessidade dos necessitados.

A crise, a tal de que todos temos uma ideia mesmo sem saber muito bem de onde veio ou para onde vai, sem saber por onde a sentir e apenas a observar, faz-nos mal. Instala-nos de mão ao queixo. Ficamos impotentes e lamurientos. Criticamos este e aquele político ou o patrão para os que têm sorte de o ter.

Somos solidários com a tristeza e com os outros, os que sofrem sempre mais com as crises, os pobres. Os pobres que o ano passado não podiam comprar cereais porque aumentou a procura pelos biocombustíveis e, consequentemente, o preço. Esses mesmos pobres continuam a não poder comprar este ano, mesmo com o preço dos cereais a diminuir, porque estão mais pobres. E pobres, sejam os de Portugal, África ou até os do Brasil que já é, historicamente, credor do FMI.

Andamos sempre nisto, nos desequilíbrios do nosso sistema. Especulamos valores para cima. É natural que eles voltem ao seu lugar e os preços de tudo baixem. O que não é natural é continuarmos a vida, sendo apenas solidários, ou assistencialistas, ou apenas lamurientos.

Não podemos continuar a tratar o ser humano que está no lado de baixo do nosso jogo da riqueza como pobre de estimação o parente esquecido a que nem sempre podemos atender porque também estamos mal. Não podemos não aproveitar esta oportunidade de mudança, não podemos não mobilizar forças mundiais, nacionais, locais! Se o outro sofre, mais cedo ou mais tarde, as consequências chegam cá.

Da solidariedade, temos de passar à fraternidade (do lat. frater . irmão).
Temos de ver o Outro como um irmão. Como alguém em quem não temos de passar por cima ou atropelar para ganharmos mais ou irmos mais longe. Temos de ver o Outro como alguém com a mesma humanidade que nós, e CAMINHAR soluções em conjunto para que a pobreza e os problemas desta economia com poucos valores éticos possa ser por fim, mais humana e contemplar toda a gente na prosperidade. Talvez entao deixemos de falar da crise.
:: O Aveiro::

sexta-feira, 20 de março de 2009

Jay Leno's Tonight Show

Ontem foi o dia do Pai...
Um belo jantar, não pelas iguarias, mas pela família reunida.
Estive a ouvir a maior parte do tempo, historias antigas de como o meu avô e o irmão dele partiram para o Oeste, à luta por uma vida melhor. Primeiro para a California, depois para Pennsylvania.

Hoje recebi o link deste video do meu irmao que nasceu comigo do outro lado do mar e temos este Presidente e temos os nossos de ca... Comparar é inevitável, não os países ou as suas culturas, mas o modo de estar.
Sem ter em conta grandezas económicas ou geográficas, sem ter em conta PIB's ou outras estatísticas... há uma diferenca que seria simples de contornar e que mudaria muita coisa deste lado: os nossos politicos (os da alta roda de Lisboa) virem viver a vida ao lado da nossa, os cidadaos de todos os dias.

Tudo seria diferente...



segunda-feira, 16 de março de 2009

Parábola do Professor (Mateus, 5)

Naquele tempo, Jesus subiu a um monte, seguido pela multidão, e, sentando-se sobre uma grande pedra, esperou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Depois, tomando apalavra, ensinou-os dizendo:
— Em verdade vos digo, bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino doscéus. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventuradosos misericordiosos, porque eles…
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Pedro interrompeu: Temos que aprender isso de cor?
André disse: Temos que copiá-lo para o caderno?
Tiago perguntou: Vamos ter teste sobre isso?
Filipe lamentou-se: Não trouxe o papiro-diário!
Bartolomeu quis saber: Temos de tirar apontamentos?J
oão levantou a mão: Posso ir à casa de banho?
Judas exclamou: Para que é que serve isto tudo?
Tomé inquietou-se: Há fórmulas? Vamos resolver problemas?
Tadeu reclamou: Mas porque é que não nos dás a sebenta e pronto!?
Mateus queixou-se: Eu não entendi nada, ninguém entendeu nada!
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Um dos fariseus presentes, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinadocoisa nenhuma, tomou a palavra e dirigiu-se a Ele, dizendo:
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Onde está a tua planificação?
Qual é a nomenclatura do teu plano de aula nesta intervenção didáctica mediatizada?
E a avaliação diagnóstica?
E a avaliação institucional?
Quais são as tuas expectativas de sucesso?
Tendes para a abordagem da área em forma globalizada, de modo a permitir o acesso à significação dos contextos, tendo em conta a bipolaridade da transmissão?
Quais são as tuas estratégias conducentes à recuperação dos conhecimentos prévios?
Respondem estes aos interesses e necessidades do grupo de modo a assegurar a significatividade do processo de ensino-aprendizagem?
Incluíste actividades integradoras com fundamento epistemológico produtivo?
E os espaços alternativos das problemáticas curriculares gerais?
Propiciaste espaços de encontro para a coordenação de acções transversais e longitudinais que fomentem os vínculos operativos ecooperativos das áreas concomitantes?
Quais são os conteúdos conceptuais, processuais e atitudinaisque respondem aos fundamentos lógico, praxiológico e metodológico constituídos pelos núcleos generativos disciplinares, transdisciplinares, interdisciplinares e metadisciplinares?
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Caifás, o pior de todos, disse a Jesus:
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Quero ver as avaliações do primeiro, segundo e terceiro períodos e reservo-me o direito de, no final, aumentar as notas dos teus discípulos, para que ao Rei não lhe falhem as previsões de um ensino de qualidade e não se lhe estraguem as estatísticas do sucesso. Serás notificado, em devido tempo, pela via mais adequada. E vê lá se reprovas alguém! Lembra-te que ainda não és titular e não há quadros de nomeação definitiva.…
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adaptação de aurtor desconhecido

sexta-feira, 6 de março de 2009

Declaração de Intenções

Em tempos de crise, há sempre os que se deixam para trás. Prioridades que deixam de o ser, projectos e sonhos que se desvanecem.
Quando nós ficamos pobres, começamos sempre a tratar de nós e esquecemos os outros o que mostra que antes, de facto, estávamos errados porque tratar dos pobres ou da pobreza extrema, ou dos direitos cívicos, políticos, sociais econónmicos e culturais nunca foi uma questão de trabalhar para os outros. Nunca. Este trabalho é trabalhar para nós, humanidade. Não nos podemos separar, nem olhar de cima, nem sequer de baixo para o mundo e quem nele vive seja a cinco minutos a pé ou a sete horas de avião.
Neste tempo de esquecimento e barulhos faço uma declaração de intenções do que quero ser a cada dia de trabalho e de esperança, mesmo em tempo de crise.


‘Quero ser um negro na África profunda, um asiático na Europa, um hispânico em San Isidro e um anarquista de paz na Espanha de Franco, um gay em São Francisco, um palestiniano em Israel e um colono na Palestina, quero ser indígena nas ruas de San Cristóbal, roqueiro na cidade universitária, um judeu na Alemanha, um feminista nos partidos políticos, comunista no pós-guerra fria e um capitalista no desemprego, um pacifista no Iraque e uma criança no Afeganistão, um artista sem galeria e sem portfólio, quero ser dona de casa num sábado à tarde, um jornalista nas páginas interiores do jornal, um operário à porta da fábrica e um bom empresário em busca de encomendas. Quero ser uma mulher no metropolitano depois das vinte e quatro horas, um camponês sem terra, um indígena da amazónia, um pobre do Darfur, um editor marginal, operário sem trabalho, médico sem consultório, escritor sem livros e sem leitores, um dono de supermercado na Venezuela, quero ser um órfão no Zimbabwé. Quero ser um refugiado sem cobertores e sem pão, sem lugar para onde ir".[i]


Quero ser todas as minorias, todos os discriminados e todos os seres humanos que não têm voz ou expressão e que sofrem apenas porque estão vivos e porque incomodam, porque não cabem dentro da bacia que nós somos na nossa sociedade, intolerantes e indiferentes, com muitos afazeres para tratar da nossa crise, que não é nossa, é de toda a humanidade e só de forma sistémica, integrada e com todos será, em definitivo, ultrapassada.





[i] Recuperação e adaptação de um texto de Subcomandante Marcos
:: in O Aveiro ::

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O Médio Oriente sem fim...

O que devemos pensar sobre o conflito Israel – Gaza?

Quase parece pretensioso tentar responder, como se de uma receita se tratasse. De facto, o tema é mais incógnito do que esclarecido pelo arrastamento de anos e anos de conflito, de não paz, com maior ou menor visibilidade. O mundo arrasta-se com o assunto Médio Oriente nunca concluído. Se existissem receitas, não se falaria disto agora.
O que devemos pensar? Nada!
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Nada que seja tendencioso ou partidário e essa tem sido a perspectiva dominante no mundo. A nossa posição enquanto cidadãos de um planeta globalizado deve ser essa neutralidade de quem sugere caminhos em que vençam todas as partes. As win win situations.
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Ambos os lados, Israel e Palestinianos têm ambições legítimas, têm direitos que lhes devem ser proporcionados, do mesmo modo que têm deveres que devem ter a possibilidade de cumprir. Ambos os lados querem viver em paz, com as faculdades necessárias para viver a vida, de criarem as suas oportunidades, de trabalharem a sua terra, de criarem os seus filhos. Ambos os lados do muro têm seres humanos que crêem no mesmo Deus, seja lá qual for o idioma que usam para Lhe falar. Embora O usem como pretexto de conflito, a verdadeira causa é o domínio, a terra, o orgulho.
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Nós, a comunidade internacional não temos sido voz de paz, mas voz partidária.
Hugo Chavez expulsou o embaixador de Israel na Venezuela. Para quê? Outros interpretaram o silêncio do presidente eleito dos EUA como conivência com Israel, outros como cumplicidade da sua ascendência muçulmana... Várias instituições incriminam Israel, outras tantas incriminam o Hamas. Para quê? Trata-se isto de um jogo de futebol em que cada um defende o seu clube?
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De ambos os lados há inocentes mortos, de ambos os lados há culpados vivos. Porque não uma vida em comum, num único país, de governo laico ainda que em comunidade ou em privado cada qual professasse a sua crença? Porque não um único país onde cada qual vive a sua vida, ao encontro do outro culturalmente, financeiramente? Onde as diferenças sejam enriquecimento e não o esvaziamento laicista que acontece nalguns países? Porque não um caminho de paz em vez de um caminho de guerra onde alguém deu o primeiro tiro e o resto são reacções em cadeia, sem sentido e que hoje já ninguém sabe ou lembra porque começou?
Porque é tão importante o orgulho de vencer sobre o outro em vez de vencer com o outro?
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sábado, 7 de fevereiro de 2009

Voluntariado

O dinheiro conta-se, mas não conta. Pelo menos para tudo.
As sociedades mudam, transformam-se, os sistemas de trabalho transformam-se, automatizam-se. O desemprego cresce, pensam-se teorias - a flexisegurança é um exemplo - que tentam compensar a integração das pessoas no sistema económico que inventámos para melhor vivermos.
Surge-me a dúvida envergonhada, porque também não vejo com clareza a solução perfeita... mas não devia ser o sistema económico a adaptar-se às pessoas?
Com efeito, a realidade parece-me essa. Não há revoluções eficazes. Existem sim pequenas re-evoluções que marcam a tinta indelével o tempo que passa e a História que vivemos e fazemos acontecer.
Neste contexto de mudança, nunca como agora as pessoas acreditam no poder de transformarem o mundo. Nunca como agora as pessoas desconsideraram o dinheiro como sistema de troca absoluto e universal. O tempo e os dons de cada um tomaram parte nesse papel. Já não apenas como antigamente nas aldeias se trocavam tarde de trabalho na jorna de uns e de outros da comunidade.
O voluntariado tem crescido muito nos últimos anos. O que o define das obrigações, direitos e deveres de um emprego é apenas a ausência de uma retribuição financeira. Mas, de facto há muitas coisas que o definem de modo diferente, na sua gestão e no seu lugar.
Cada vez mais pessoas tomam parte na sociedade civil, como participantes de um mundo melhor. Dão e dão-se!
Não obstante há vários tipos de voluntariado: o ocasional e o permanente. O primeiro remete-se a respostas e situações específicas e muito abrangentes (boas ou más), do terrorismo a uma campanha por uma boa causa. O permanente tem muito que ver com uma postura de vida, com um modo de a viver e de intervir no mundo em que vivemos, com as nossas limitações e com as nossas capacidades, grandes ou pequenas.
As motivações deste também podem ser bas ou menos boas, até causarem problemas.
Há voluntariado que é egoísmo e baixa auto-estima. Pessoas que querem ajudar para se sentirem bem. Em si não é má a motivação, mas é geralmente forte e reduz as outras, reduzindo depois o próprio voluntariado.
Há uma motivação, a ideal, e essa é universal: o dinamismo do Amor. Trata de convicção da importância do Ser, mais que do Fazer… Considera a dignidade humana como uma realidade a ser sempre reconhecida, acolhida, respeitada e promovida... numa postura crítica frente aos males da sociedade... É propositiva, fala de Liberdade, de opção pessoal, de abertura, de interdependência, de relação, de generosidade e dinamismo. Fala de superação de sacrifício pelo outro. Fala de sensibilidade... O ser humano é capaz de comoção, sensibiliza-se. Têm um natural vínculo entre si: somos irmãos!
E essa deve ser a lógica de uma sociedade futura, que tente responder aos problemas e limitações da economia, das culturas, das diferenças, estender a mão ao outro, com o espírito do voluntariado permanente.
:: O Aveiro ::

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009



Aula Inaugural do XI Curso de Pós-Graduação em Direitos Humanos

Faculdade de Direito - Universidade de Coimbra









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(Aproximadamente isto... sem papéis lidos, foi neste "papel" que se preparou antes.
Na hora, saiu o que tinha de sair, talvez melhor, talvez pior...)
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Caros auditores do XI curso de Pós-Graduação em Direitos Humanos,
Exmos Srs Professores Vital Moreira e Jónatas Machado,
Professora Carla,
Dr. Eurico,

Agradecer-vos o convite para estar aqui hoje a falar-vos da importância crescente dos Direitos Humanos como ferramenta, por excelência, do Direito para a construção de um mundo melhor e como tem sido, nessa qualidade utilizado para isso na minha vida e nas funções que exerço entre os meus pares.
A Faculdade de Direito de Coimbra tem lugar cativo na História, esta mesma sala onde decorre a PG assistiu a centenas de debates sobre Direitos Humanos. É um orgulho enorme poder estar desse lado como estive enquanto aluno. É uma honra gigantesca poder estar aqui deste lado.. por todas estas razões e porque... (quem estave cá o ano passado com o papel desta parte foi a Embaixadora Ana Gomes!!!)

A escolha dos DH começou a desenhar-se nas minhas opções em 2004 quando estive em Angola, a trabalhar como voluntário num campo de refugiados, neste caso de retornados, porque se tratavam de pessoas que vinham da Zâmbia onde foram refugiadas durante cerca de 20 anos que durou a guerra civil em Angola.
Terminada em 2002, os comboios das Nações Unidas eram frequentes, e em Lwena, onde eu estava, era o segundo campo que encontravam do lado de cá da fronteira e era onde se registavam como cidadãos regressados, era onde tinham a primeira refeição quente desde há tempos que eu nem sequer imagino.
Estas pessoas não tinham nada de seu a não ser a roupa vestida, um saco ou dois das Nações Unidas (ACNUR) com alguns haveres, alguma galinha ou cabrito.
As crianças diziam-se angolanas, mas todas elas tinham nascido na Zâmbia, nos campos de refugiados, mas mesmo assim... Angolanas...
No ano seguinte, em 2005 passei algum tempo a viver numa comunidade do movimento dos sem terra em Belém do Pará na Amazónia, onde está neste momento a começar o Fórum Social Mundial, eram pessoas que por uma razão ou outra eram expulsas daquilo que tinham por suas casas, fossem expropriadas pelos grandes fazendeiros e pelas cumplicidades políticas locais ou fossem em fuga da pobreza, a correr para as cidades à procura de melhor vida.
Mas gente cuja sabedoria era a da terra... não tinham meios de subir os degraus do desenvolvimento por si mesmas e arranjar um emprego numa fábrica ou numa caixa de supermercado, nem os mais novos iam à escola, a integração não era fácil....
O que mais mexeu comigo naquelas pessoas foi a postura perante a vida. Nada de culpar ninguém, não queriam saber dos senhores da guerra, não queria lamentar terem perdido casas pela violência da guerra ou pela burocracia dos registos de propriedade...
Queriam apenas avançar com a vida, aproveitar o amanhã, construir, reconstruir para os filhos que carregavam atrás de si.

O olhar delas. O olhar delas atemorizava, cheio de esperança em mim e nos que estavam comigo, como se as fossemos tirar do desespero e abrir-lhes portas.
E eu a saber que pouco ou nada podia fazer.
Nos anos seguintes mais algumas Missões e sempre a mesma sensação de vontade de amanha, sempre a impotência e a esperança, e o medo de não estar à altura das necessidades daquela gente.

Em 2007 candidatei-me a esta PG, em 2008, no dia 25 de Janeiro, a aula inaugural.
A porta férrea, a biblioteca joanina, a torre, a praça..... Alguns dos nomes que construíram e constróem o nosso país passaram por aqui a estudar e a ensinar. Muitas soluções e caminhos foram aqui sonhados e pensados.
Nas primeiras aulas passei algum tempo pasmado a olhar para os tectos, os frescos, as esculturas, os livros, as pessoas, as paredes. São muito pesadas as paredes, com uma herança bastante grande.
A constelação de professores no programa da Pós-Graduação era impresssionante, desde figuras da vida política, académica, de organizações da sociedade civil.
Todos com histórias de vida e trabalho impressionantes.

Assim como também alguns colegas da P-G... a Áua, da Guiné Bissau que era advogada e trabalhava no Ministério da Educação. Começou a perceber a certa altura que as bolsas de estudantes eram encaminhadas para os relacionados com as forças políticas.
Denunciou isso à justiça, mas não teve hipótese e acabou por se demitir do Ministério.
Começou a trabalhar por conta própria e o trabalho dela era defender cidadãos particulares que tivessem sido vítimas, de alguma forma do governo.
Como imaginam, não teve de novo, muito sucesso na justiça nacional.
Veio até Portugal para estudar Direitos Humanos e levar o seu trabalho até às últimas consequências e instâncias internacionais.
Hoje, está em Harvard a continuar os seus estudos.

Outro colega, o Francisco, era Timorense, fazia parte do histórico grupo de estudantes que se refugiou na embaixada da Holanda em Jacarta e acabaram refugiados em Portugal.
Ou a Joana que nas cadeiras da Academia tenta dar algum sentido de regra às guerras de hoje que se imiscuem com empresas e civis...
Tantos e tantas histórias!

Havia brasileiros, cabo-verdianos, portugueses, italianos, holandese, suecos. À sexta e ao sábado a nossa sala parecisa uma cimeira da ONU.

Muitos de nós tinham histórias destas e o espaço de aprendizagem de ferramentas e armas de paz, não de guerra, foram tempo de partilha, de crescimento humano.
Para mim que não sou advogado foi a descoberta do mundo vivo e cheio de espírito. O mundo do Direito e da Política como as ferramentas mais nobres e o caminho para uma civilização de direito humano, onde todos tenham voz e oportunidade, liberdade de lutar pela felicidade, não sozinhos mas em conjunto. O Homem é um ser em relação, existe com os outros.
E foi assim que deixei de ter medo de defraudar a esperança daquelas pessoas de África ou da Amazónia ou de qualquer outro sítio do mundo.
Deixei de ter medo porque aprendi. Aprendi o que significa que ... Todos os Humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade (art. 1º, DUDH), aprendi o que são os direitos civis, políticos, económicos, sociais e culturais. Aprendi os mecanismos de os defender, aprendi os corredores em que eles circulam e os campos a que eles ainda não chegaram.
Aprendi que eu sozinho não vou fazer nada de especial por quem mais precisa, mas aprendi que juntos iriamos fazer muito.
E não tenho dúvidas de que alguns de nós daqui a uns anos estarão mesmo em cimeiras da ONU, serão mesmo líderes políticos, que muitos os vou ver nas notícias e que, seja em trabalho discreto e invisível, seja em trabalho de dar a cara e de liderar processos, cada um no seu canto e na sua frente vamos fazer a diferença porque andaremos por aí com a bandeira essencial do mundo do futuro: os Direitos Humanos.
Ficar parado por medo de não ser capaz de fazer nada?
Isso não pode ser... não deve ser opção!

O sentido, o receio de não ser capaz de cumprir com a promessa de esperança àquela gente, tornou-se em sonho. Depois da PG e das ferramentas com que esta caminhada me capacitou... o lugar do medo foi ocupado por outra coisa...
... o desafio!
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Não fazemos a menor ideia da grandeza daquilo que somos capazes de fazer se ousarmos tentar, depois deste momento em que o caminho das nossas vidas se cruzaram numa pós-graduação em Direitos Humanos, na histórica Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, com as ferramentas e o saber que viémos buscar e partilhar aqui.

Subestimamos sempre a força do Direito, a força das assinaturas, a força da Declaração de 1948, dos Pactos sobre os direitos civis e políticos, sobre os direitos económicos, sociais e culturais!
Subestimamos as Convenções sobre os direitos da criança, sobre a eliminação de todas as formas de discriminação.
Subestimaos todos os documentos consequentes que lhes dão jurisprudência!
Subestimamo-nos a nós, que em primeira análise elegêmos os nossos governantes que assinaram esses documentos.

Agentes dos Direitos Humanos devem pegar nos medos e transformá-los em desafios. O único medo que nos pode subsistir é o de algum dia escolhermos o caminho errado – o do não fazer.

O grande desafio é o oposto desse, é tentar descobrir o bem que somos capazes de fazer, e o bem que podemos deixar de fazer.

Como anunciava Gandhi é pior o que os bons deixam de fazer do que o que os maus fazem. E nós, sem presunção seremos todos os dias porta-vozes desse mundo de Direitos Humanos que sonhamos ser parte e construir. Temos a obrigação de o ser. Porque outra razão estariamos aqui?

Essa é a maior e a mais importante tarefa: a fidelidade de um guerreiro que coloca na acção o sonho que o move, o sonho que hoje nos trouxe aqui: O Direito a ser Humano.

Cada um veio com o seu “para”. Cada um com uma motivação. Saibam que neste lugar, nesta sala por onde passaram tantos, esta é a vossa vez, a vossa herança e o vosso legado de continuar o trabalho. Receberão aqui fundamentos, ferramentas... poderão descobrir uma imensa capacidade... e fica nas nossas mãos o tesouro, o grande desafio, de fazer ou não fazer.
Escolham o vosso caminho e juntem-se a tantos que trabalham, cada qual no seu lugar e na sua frente, para dar voz às pessoas e aos seus direitos... O medo da incapacidade desaparecerá e surgirá o desafio da capacidade, do fazer acontecer.

No início falava-vos da História, do peso institucional desta casa de valores, no testemunho destas paredes robustas sustentadas pelo Direito. Mas agora digo-vos que apesar desse legado e dessa importância ritual... Não são elas o mais importante que aqui está....

O mais importante é aquilo em que toda a História desta Faculdade desemboca.
E isso hoje...

... são vocês.

Bom trabalho,
Obrigado.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Declaração de independência dependente

Em breve, uma voluntária, a Sónia Pinho (também Secretária-Geral da ORBIS e Secretária do SDAM) partirá por um ano em trabalho missionário para a Amazónia. Depois de três anos de trabalho cá, uma experiência ad-gentes. Partilhava comigo que lhe perguntaram há dias, se partia pelo Secretariado das Missões – Diocese ou pela ORBIS. Respondeu que pelos dois, porque os dois são um e o mesmo.
Com efeito a ORBIS nada mais é que uma das muitas respostas da Igreja a problemas concretos que o mundo enfrenta (como a OIKOS, a Caritas, e tantas que marcam presença em Belém). É expressão de fé, de acolhimento personalizada na acção com e a todos quanto quiserem colaborar no mesmo sentido humanitário, num mesmo princípios de capacitação e cooperação para o desenvolvimento, seja lá qual fôr a sua raça, religião ou nacionalidade. Possui mecanismos que garantam que seja sempre isto para o qual foi criada e não outra coisa, nos seus estatutos e princípios que a consagraram com existência. Trabalha com todos os que tiverem boa vontade e sintonia de causa, em ecumenismo durante todo o ano, todos os dias apostando na envolvência de pessoas comuns que unidas, fazem a diferença! A melhor atitude é mesmo essa, sacudir o pó dos ombros, arregaçar as mangas e vir ajudar a mudar o mundo.
In: Correio do Vouga

Fórum de Belém (do Pará) - Amazónia

Acontece a cada início de ano um fórum social. Este ano é em Belém, no próximo fim de semana. Belém do Pará na Amazónia, num tempo em que várias Beléns podiam acolher um fórum social.
Belém na Palestina tem urgência de marcar um novo nascimento, um novo amanhecer, que marque caminho para a nova Jerusalém, um mundo de paz em que saibamos coexistir com diferentes interesses, com diferentes tipos de interesses e diferentes crenças.
Gosto de ver a minha Igreja a tomar a dianteira do Fórum de Belém (Amazónia), a ser estandarte de um mundo melhor, uma Igreja que não se fecha na igreja, um Igreja que não se ocupa a evangelizar evangelizados, mas evangelizar quem precisa, a espalhar a boa mensagem! Gosto muito de ver uma Igreja de presença activa, actuante na História, congratulando-se numa socieade plural e laica, mas denunciando uma sociedade laicista que ataca tudo o que seja valor, cultura, identidade colectiva com a desculpa da sensibilidade ofendida de quem pensa diferente. Mas infelizmente, às vezes temos de olhar para longe para ver uma Igreja assim.
A diversidade é riqueza e unir não é a mesma coisa que unificar.
A brincar digo às vezes que falta uma parte no Evangelho. “Quando vos baterem numa face, ofereçam a outra”... mas não sejam parvos!
Muitas vezes ficamos parvos: quantas vezes me envergonho de ser estandarte daquilo e Daquele em que acredito? Quantas vezes nos ficamos a lamentar dentro das nossas Igrejas tendencialmente frias e escuras do mal que nos fazem? Quantas vezes nos demitimos do nosso papel de cidadãos, de crentes (seja lá qual fôr a crença!)? Quantas vezes as nossas preocupações não são apenas agendas de reuniões, posturas hierarquicas, prisão a costumes antigos e obsuletos que só nos isolam numa visão de Deus-cinzento-masculino-e-castigador em vez do Deus-Amor-Família-Comunhão?
Mas... quantas vezes não estamos na linha da frente no tabalho de capacitação das sociedades, dos que sofrem a pobreza? Quantos serviços missionários, humanitários, educativos e sociais a Igreja gere num trabalho incansável?
O fórum de Belém é-me sinal de de esperança que acreditamos como comunidade no bem comum, na prosperidade, na paz, na luta contra a pobreza! O fórum de Belém dá-me a esperança de que aquele grupo de sonhadores incorrigíveis fundados pelo Messias sabe que o legado Dele é o restauro de uma nova Jerusalém, que nada é mais do que um novo mundo, onde a cada novo amanhecer se renove uma fé intemporal na humanidade e na sua capacidade de sonhar e operacionalizar, de se reinventar e libertar de modelos económicos, sociais, hierárquicos que diminuam algum ser humano que é meu e seu irmão. Porque se o meu irmão estiver mal, eu estou mal. E a felicidade é o caminho que se faz de rosto erguido, não ligando a vitórias nem derrotas, falhando e entendendo os falhanços dos outros, mas sempre, sempre a caminhar com o olhar no céu!
In: Correio do Vouga

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O Obama vai desapontar...













Vinte de Janeiro, junto ao capitólio onde o memorial de Lincoln acolhe em silêncio a História de um país quase a separar-se por causa da escravatura, foi empossado um novo Presidente dos Estados Unidos da América. Nova esperança de um novo tempo, de esperança, de justiça social, de prosperidade, de paz mundial.
Barack Hussein Obama representa-nos a todos, escuros, claros, muçulmanos, cristãos, judeus, hindús, ocidentais, africanos, asiáticos... Viveu em muitos sítios, na humildade da Indonésia, na bonita casa de Chicago, depois de anos e anos a trabalhar nos bairros pobres do South Side daquela cidade. Ele é fruto do esforço, é fruto do mundo globalizado onde se cruzam bens, pessoas, culturas, frutos e roupa, sapatos e calças, óculos de sol e fast-food, gadgets e carros, crenças e causas, negócios e ócios. Pessoas que viajam de um lado para o outro, estendendo a mão a quem encontram num aperto, seja da mão, seja da vida.
Barack Obama é um de nós, não é um político que vive num mundo que não o nosso. Tem classe, mas é do povo, ele é o Povo! Percorreu os caminhos todos da humildade da pobreza à promessa da América.
Por isso o mundo tem esperança nele.. até os inimigos de Bush, perdão, da América, olham para ele como o novo representante de um novo mundo com quem podem dialogar, aquele mundo em que todos têm o seu lugar e os outros todos respeitam esse lugar, onde todos têm que comer, onde todos têm casas bonitas e escola para aprender os velhos valores de uma nova humanidade.

O novo presidente está já na minha prateleira de heróis, ao lado de Luther King, Gandhi, o bispo Desmond Tutu e Ximenes Belo, ao lado do Che Guevara antes de pegar nas armas de fuzileiro e do Malcom X depois de as largar, ao lado dos meus heróis professores interiores e exteriores e logo abaixo do lugar cimeiro do J.C. que há 2000 anos deve ter tido ainda mais carisma que o Obama.
Depois de dia vinte ele começa... em breve vai exigir à Europa (nós) mais participação no Afeganistão, vai exigir trabalho aos Americanos de Ushuaia ao Canadá, e aos Europeus da base aéra dos Açores ao Leste dividido. Vai dialogar sobre trabalharmos juntos para um mundo melhor com os chineses, com os muçulmanos, com os escuros, claros ou pálidos. Vai envolver, cai capacitar, vai sonhar e executar. Mas...
Sozinho ele não vai fazer nada porque mudar o mundo é um trabalho de equipa, de envolvimento, de sonho comum e o mundo está à espera de um salvador da pátria... é por isso que Obama vai desapontar...
Ele até pode fazer a parte dele... se nós não fizérmos a nossa... Obama vai desapontar.


In: O Aveiro e obvious

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O dia depois do Natal

No dia depois do Natal, tudo volta ao normal. Como que num cessar-fogo, fica o silêncio deixado pelos incessantes apelos à solidariedade ou antes, ao assistencialismo de dezenas, centenas de campanhas para ajudar isto e aquilo.
Foi como se o sentimento se esvaziasse, como se voltássemos ao mundo de todos os dias em que nos passeios já não se olha para os lados nem para a frente nem para cima. Já reparou nisso? A maioria das pessoas que caminha por uma rua de qualquer cidade olha para o chão a maior parte do tempo?!
Foi como se o mundo já não precisasse de mãos estendidas para receber ou dar, foi como sair de uma cápsula em que por um dia acreditámos que podiamos fazer a diferença ou porque queriamos ficar de consciência tranquila. No dia depois do Natal tudo volta a um estranho silêncio, o de quem acorda demanhã, estremunhado, sem saber onde está mas tomando consciência disso olhando rapidamente em todas as direcções até que se lembra de que são horas de levantar.
No dia depois do Natal, já vamos à nossa vida, já não há campanhas, os pobres e as criancinhas já não têm necessidades e nós também não podemos estar sempre a dar... Foi uma das conversas que ouvi de um tio na noite de fim de ano “se uma pessoa ajudasse todos os que nos pedem, ficavamos na penúria também”. Tinha a sua certa razão. Estamos ricos sempre a dar, estamos pobres sempre a receber e o ciclo é vicioso e nunca nenhum dos lados da trincheira tem que baste.
Uma comunidade enviava a uma aldeia de África, todos os anos dois sacos de milho. Todos anos novo esforço para dois sacos de milho, até que um dia... enviaram três sacos de milho e esse ano, foi o último porque a aldeia de África não precisou mais que lhe dessem milho.
Tinham utilizado os dois sacos habituais para fazer o pão de um ano e suprir a fome e o terceiro saco... semearam-no. No ano a seguir tinham milho para comer e para guardar
[1].
Agora, no mundo real, sem bondades temporárias e com acções fundamentadas, num ano difícil segundo o coro de profetas que sempre aclamou a escalada económica do passado... que mundo queremos construir? Que ajuda queremos dar? A da capacitação ou a das campanhas intermináveis, Natal a Natal?
Pensar e agir.

[1] Sachs, J.: “O Fim da Pobreza”. Casa das Letras; Lisboa: 2006.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Feliz Natal para o mundo, para a humanidade aqui de fora...



Ser solidário é dar o sol. (sol-idário).
De facto, no Natal acontece a festa do sol, também o solstício... a data simbólica é feliz! Nasceu-nos Aquele que nos dá o Sol, que dá o Sol de todos os dias, para que todos os dias possamos fazer do mundo um sítio melhor, um sítio com mais Sol!


Que saibamos não perder esta oportunidade, no tempo que aí vem!


Bom Natal e um PRÓSPERO ano de 2009!




in: CV, especial de Natal

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Ninguém deve ter medo...


“Ninguem deve ter medo de mudar o mundo para o tornar melhor”.

Foi dito à dias, na simplicidade de uns 90 anos de uma vida cheia. Foi um senhor que nasceu numa aldeia pequena, quase perdida na África do Sul. Quando jovem, foi pastor e anos mais tarde viveu uma vida dura, entre a prisão a o trabalho pela liberdade dos outros.
Hoje todos o conhecemos por Nélson Mandela e esta ideia dele foi dita na semana passada a propósito de um senhor, que em Agosto de 2006 visitou a cela onde Mandela passou 27 anos da sua vida, ter sido eleito Presidente dos Estados Unidos da América.
Isto de mudar o mundo é uma coisa muito mal entendida. Pensamos que é com grandes coisas, para pessoas de muito poder. Na política queixamo-nos sempre da crise, da falta de meios, de fundos. Na sociedade, idem. Na minha amada Igreja, temos a sensação ou tentação de que isso foi trabalho de Cristo e que não temos a força Dele. (Não teremos Nele a força Dele?!)

Mas mudar o mundo é uma coisa muito mais simples e não tem nada a ver com o peso de o carregar sozinho, de o fazer sozinho.
Andamos ocupados, muito ocupados com coisas de pouco valor. Andamos preocupados, muito preocupados, com coisas de nenhuma importância. O consumo, o ter mais, mais, nunca satisfeitos, projecta-se para as compras, para as relações humanas, para a política, para o social, para o desporto, para a saúde, para tudo. É verdade esta sensação que pode ser mentira, de que os nossos políticos passam o tempo a calcular, a fazer contas à estratégia da sua ascensão pessoal, a fazer contas e esquemas para chegar não sei onde. Assim é tempo desperdiçado, não fazem o seu trabalho para desenvolver e melhorar a vida das pessoas.
Na minha amada Igreja, quantas vezes perco tempo a dormir numa eucaristia às vezes meio triste e enfadonha em vez de me inspirar na comunidade e na Graça que estou a receber. Quantas vezes me gasto em reuniões e reuniões de nada? Quantas vezes perdemos tempo a resolver questões de pessoas e não de causas em vez de estarmos a fazer outras coisas, como por exemplo: mudar o mundo?!
Deviamos SER uma sociedade mais interventiva, sem medo de participar, de arregaçar as mangas, com as bandeiras das pessoas, das instituições, das organizações, dos partidos políticos, das administrações públicas, mas sempre, sempre das pessoas.
Deviamos chegar-nos todos à frente, trabalhar no empoderamento e não na assistência permanente.
Mudar o mundo é isso. Não é uma coisa imediata que se faz neste momento e fica feito. É uma coisa contínua, de todos os dias, de todos os gestos, de cada gesto. Eu, tu, ele, fazemos NÓS. E cada gesto insignificante individual, juntado aos outros todos, de todos NÓS mudará o mundo, a cada dia até ao fim dos tempos.
Se Jesus nos disse: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos Amei”. Se um pastor da África do Sul ao ver eleito uma pessoa como todas as outras tornar-se presidente dos Estados Unidos diz que “ninguém deve ter medo de mudar o mundo para o tornar melhor”… Quanto mais continuaremos nós parados na nossa comodidade, sem participarmos em todas as frentes, nobres ou não (se não, mudemo-las) para fazer a nossa parte de mudar o mundo?!

Shot: MNE chinês disse na semana passada: ”Acreditamos no comércio livre e acreditamos que os EUA também”. Se eu fosse alguém perguntava-lhes se acreditavam também nos Direitos Humanos dos chineses? É que se assim fosse, o comércio seria outro! Talvez até fosse livre mesmo!
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CORREIO DO VOUGA
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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Yes we must...


“The way of mankind for prosperity is not on the economical resources distribution... it is on the kindness he put's on what he does in the world”.

Escrevo já na madrugada de 5 de Novembro. Lembro-me de há vários meses, ainda não se falava muito em Obama, escrever aqui sobre um político que parecia ser sério, com carácter, que sabia ouvir as pessoas e depois apontar caminhos. Disse também, (por pouco acreditarmos de modo geral nos políticos, e por consequência errada, no potencial transformador da Política), que ele provavelmente não ia longe, os senhores da máquina não iam deixar.
Enganei-me! Felizmente!
Esta noite vi um homem sereno, que foi um rapaz que cresceu em vários sítios, de uma família sem privilégios, pai negro, mãe branca, que estudou, que trabalhou, que se esforçou pelos outros. Vi um pai e um marido, empenhado na família, apoiado pela família. Um homem não eufórico porque perdeu uma avó recentemente e, talvez, porque sabe que não venceu nada ainda, porque ainda agora o desafio está a começar.
Vi a prova de que nós, quaisquer que sejam as nossas origens, não temos o direito de não fazer nada. Não temos o direito de continuar sentados no banco do café, a queixarmo-nos da vida e a dizer mal dos políticos (na maioria dos casos até temos razão, pese embora algumas raras excepções a quem quase não damos oportunidade, de tão escaldados que estamos da inércia e esquizofrenia política da maioria dos nossos líderes). Não temos o direito de não nos envolvermos, de não tomar parte das soluções, de não sermos agentes de transformação social e política. Não temos o direito de continuar a falar e não participar.
O desafio é enorme e maravilhoso. Que mundo queremos deixar?
“Yes we must”... levantar-nos e trabalharmos em todas as frentes que pudermos, partidárias, civis, etc! Foi para isso que nascemos, para esse olhar de esperança, todos: ricos, pobres, estudados da universidade e estudados da vida. Não podemos por isso, continuar a não fazer nada.
Boa sorte Barack Obama.
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O AVEIRO
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